terça-feira, 23 de junho de 2009

O Canudo da Discórdia

Apesar de toda a falação e comoção sobre a derrubada da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista (profissão que eu tanto amo e que pretendo exercer da melhor forma possível), não achei necessário me manifestar, já que meus colegas de faculdade e futuros de profissão já o fazem tanto e tanto e tanto. Me dói, apenas, que a maior parte deles seja unânime e não consiga ver the bright side of life nisso tudo.

É bastante conveniente ter esse pedaço de papel nos protegendo; esse comprovante que nos diferencia dos demais e que supostamente nos dá status de defensores da democracia e da verdade. É lamentável que muita gente se esconda por trás do canudo. Diga aí, quem faz faculdade de jornalismo: parece-lhes que todos que dividem os bancos da faculdade com você serão jornalistas competentes? Fazer jornalismo virou moda, chegando a ser um dos mais procurados nas maiores universidades do país. Tenho certeza de que muita gente entra no curso pensando na possível fama. Uma das provas disso é o fato de que, depois da decisão do supremo, ando ouvindo muita gente dizer que vai mudar de curso.

Isso tudo não pode ser de todo ruim: acreditem, concluir o curso de jornalismo não é tão difícil assim. Para aqueles que têm estômago pra isso é muito fácil jogar tudo nas mãos dos outros e esperar o curso passar. Quem realmenet ama o que faz é quem sua a camisa. Tudo é fruto de trabalho em grupo e o trabalho de alguns que têm amor pelo que fazem leva adiante o que todos deveriam sustentar. Quando minha mãe me liga e eu etsou fazendo alguma coisa para a faculdade eu digo que estou "trabalhando". Para mim é um trabalho, não me interessa se é "laboratório". Eu faço o que faço porque amo e porque quero, não por um pedaço de papel.

Acredito, sim, que aquele que vá trabalhar com jornalismo deve ter consciência do compromisso que tem com aqueles que o lêem, ouvem e assistem. Mas não vejo a formação universitária garantir isso de forma alguma. Parodiando (sim, estou pronta para o apedrejamento), sou 'jornalista por formação', mas por uma formação que efetivamente elimine aqueles que não servem para a profissão. Uma formação que garanta que aqueles que põe as mãos no canudo (pausa para ambiguidade) estão preparados. Acho pior ter que dividir meu 'status' (que coisa mais pedante esta palavra XD) de jornalista formada com gente que nunca fez nada para merecer tal título e que não dá o devido valor à experiência que temos na faculdade. De nada adianta continuar como está hoje: inúmeros cursos de jornalismo pipocando por todos os lados do país, distribuindo diplomas pra qualquer um.

O texto já está confuso demais. Melhor até parar por aqui. Vou deixar vocês com um post (e um link para outro) do blog do professor Alex Primo. O que ele diz bate muito bem com o que eu acredito. E não é o único. Não são todos os jornalistas que estão chamando a decisão do STF de Armageddon. Beijos da Poodle. ;) E que venham os indignados!

fim da obrigatoriedade do diploma é a morte do jornalismo no Brasil?


Certamente o fim da obrigatoriedade do diploma, decidido ontem no STF por 8 votos a 1, não porá fim ao jornalismo no Brasil. Neste debate precisamos separar duas discussões que não são exatamente a mesma coisa. As reflexões sobre o jornalismo e sobre o status da profissão de jornalista demandam argumentações em separado. Apesar da clara inter-relação entre as reflexões é capcioso afirmar que a não exigência de diploma acabará com a qualidade do jornalismo como um todo.

Ainda que se goste muito de elogiar o jornalismo americano e francês, prefere-se esquecer que lá o diploma em jornalismo não é pré-requisito para o exercício da profissão. Sobre essa condição, que se repete em dezenas de outros país, vale a pena ler este estudo realizado pelo professor Afonso Albuquerque.

Vamos ser sinceros, no Brasil o debate tornou-se por demais corporativista. Apesar da falaciosa campanha da Fenaj de que o fim da obrigatoriedade do diploma seria uma ameaça à democracia, a sociedade terá muito a ganhar com tal liberdade. Além de repetir o risco democrático que a liberdade de expressão pode acarretar (pasmem!), O presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Sérgio Murillo Andrade, ainda lançou ontem esta pérola: "Foi um milagre o Supremo não nos proibir de exercer o jornalismo no Brasil" (veja íntegra da matéria da Folha de São Paulo). Sinceramente, os argumentos falaciosos de Andrade e da Fenaj acabam colocando em dúvida a seriedade de toda uma categoria. Ou os filiados concordam com a retórica distorcida de seu presidente?

Precisamos reconhecer que os salários de jornalistas nunca foram muito bons. E o volume de vagas cada vez se mostra mais insuficiente. Tal cenário inspira a reação à entrada em cena de profissionais com diplomas em outras áreas (ou até mesmo sem diploma!). Mas, como um defensor da liberdade de expressão, sou otimista. Apesar de potenciais deslizes nos primeiros tempos, acredito que o jornalismo no Brasil irá melhorar.

Dizer que o webjornalismo participativo, que blogs e que o fim da exigência do diploma representa a morte do jornalismo é assumir que o mesmo é muito frágil, o que não é verdade. O que morre é uma concepção antiga de jornalismo. Infelizmente, trata-se de uma área cheia de preconceitos. Diplomados preferem virar a cara para ex-colegas que trabalham em assessorias de imprensa: "Ora, isso não é jornalismo", dizem. É preciso abandonar visões essencialistas que querem fazer crer que só existe um tipo de jornalismo: o hard news da Folha de São Paulo!

Tampouco acredito que a decisão do STF acabe com as faculdades de jornalismo. Apesar de jornalistas odiarem ser comparados com publicitários (preferem se comparar com médicos, advogados e engenheiros), esta categoria nunca precisou mostrar diploma em qualquer agência. Mesmo assim, tais empresas vem sistematicamente empregando apenas diplomados. Sou convicto, portanto, que uma boa formação pode garantir um bom exercício da profissão. Logo, apesar dos rumores distribuídos pela Fenaj, acredito que a formação universitária em jornalismo melhorará com este baque (ela precisa melhorar!) e que fará diferença nas entrevistas de emprego. Espero também que os alunos de jornalismo ampliem seu interesse pelo estudo amplo e continuado.

Nos últimos anos ouvi em congressos a defesa de que o jornalismo deveria ser uma ciência autônoma e que profissionais e pesquisadores de outras áreas não deveriam estudar ou opiniar sobre jornalismo por falta de preparo. Torço que a decisão do STF realmente levante a poeira e mostre o que embolorava por baixo. Torço para que o debate nacional sobre jornalismo (e não simplesmente sobre jornalistas) se amplie. Espero não estar enganado, mas suspeito que o jornalismo começou ontem a ser reinventado. E que bom quando uma área se movimenta e se atualiza!


Leia mais: Vem aí os mestrados profissionalizantes em jornalismo


P.S.: Eu sei que deixamos vocês na mão esse semestre, mas na nossa luta por sermos melhores jornalistas estamos ralando nossa linda pele. Voltaremos! E com surpresa e layout novo! :)

domingo, 3 de maio de 2009

Sangue

Olá! Volto hoje, depois de todo esse tempo, com um post que interessa principalmente às mulheres, mas que de certa forma afeta a todos nós. Esse post já está na minha cabeça há meses, mas acabei deixando ele mais para a frente. Bem, nojentinhos e nojentinhas, abram suas cabeças, relaxem no sofá e preparem-se para ler, pois qui apresento-lhes o Menstrual Cup, ou como é chamado no Brasil, Copo Menstrual ou Coletor Menstrual (daqui para a frente, só chamado de "cup").

Para comerçar: o que me fez lembrar deste post não escrito foi um texto publicado em um blog da Revista Época, que falava do Cup. O texto foi mal apurado. Desculpe-me, colega jornalista, mas é verdade. Fala de forma parcial e simples demais de algo que não foi testado pela autora. Ela se explica nos comentários; aquela não foi a intenção. Mas mais cuidado da próxima vez.

Além da falta de apuração, o que mais me impressionou foram os comentários: nunca vi tanta gente fechada em um só lugar. E, como se não fosse o suficiente, mal-educada.

Mas pois bem, vamos ao que interessa. Eu uso o cup há mais ou menos 8 meses. Eu o descobri na comunidade DIY For Vixens do Orkut e logo de cara achei uma boa idéia. Hoje, não troco por absorventes nunca mais. Agora, você se pergunta: "Mas o que diabos é isso, Poodle? Copo? Que loucura!". O cup é uma alternativa aos absorventes descartáveis que usamos hoje e apresenta uma infinidade de vantagens. Ele é um copinho feito de silicone reutilizável que é inserido no canal vaginal e coleta o sangue no lugar de absorvê-lo. O sangue é derramado no vaso sanitário, o copo é sanitizado e reinserido.

Ei-lo. O Menstrual Cup.



Muita gente tem nojinho. Nojinho totalmente sem razão! (esse é meu blog e não depende de nenhuma empresa jornalística; posso ser o quão parcial eu quiser.). As pessoas que falam mal dele sem nem pesquisar têm muitos argumentos! Vamos a eles (na sua maioria retirados dos comentários do texto citado no começo do post e de posts em comunidades do orkut):


- É anti-higiênico! Imagina lavar isso na pia???: O cup é muito higiênico. Você não PRECISA lavar na pia. Pode lavar em qualquer lugar. Caso esteja em um banheiro público, pode usar uma garrafinha de água enquanto está no vaso e lavá-lo alí mesmo. Entre um ciclo e outro ele é fervido com a intenção de ser esterelizado, além de poder ser lavado todos os dias com água quente, no banho, por exemplo. Além disso, é difícil ter que lavar ele em um banheiro público, já que ele pode ser usado por até 12h.

- Deve ser desconfortável! Se OB já é desconfortável e é pequenininho, imagina esse copo aí?: Bem, para começar, o OB é feito de material absorvente, que suga a umidade do canal vaginal, causando uma sensação de rasgo quando é inserido ou retirado. Além disso, ele fica bem pra cima no canal. O cup fica na entrada do canal, com apenas um pequeno cabinho para fora. Ele é feito de silicone, o que garante que a umidade natural da vagina não será perdida. O mesmo fator garante que ele se moldará às suas curvas internas, garantindo o conforto. Não se sente o cup quando colocado corretamente.

- Mas é nojento reutilizar; será que não causa a proliferação de bactérias?: absorventes externos são colônias horrendas de bactérias. A proliferação acontece quando o sangue entra em contato com o ar e oxida. A mesma coisa com os internos: são colônias; mesmo estando dentro de você o sangue oxida. Com o cup, um selamento é formado na hora da colocação e o sangue permanece sem entrar em contato com o ar, o que, além de impedir as bactérias de se proliferarem tanto, mantém o sangue sem cheiro. É, alguns também dizem que o sangue menstrual fede. Sangue que fica em contato com o ar fede. O coletado com o cup não!

- Mas e na hora de tirar? Eu vou me sujar toda!: Não vai, não. Depois que se pega a prática, a inserção e retirada ficam muito fáceis.

- Mas é muito grande! Eu não vou enfiar isso na minha b****a! Vai me alargar toda! (sim, com essa linguagem mesmo): Olha, querida, se você nunca teve nada da largura do cup enfiado no seu canal vaginal, ou você é virgem ou... bem... eu tenho muita pena de você.

- Que idiota isso! Só pode ser idéia de um homem sem noção!: Bem, na verdade ele foi patenteado por uma americana, mulher, chamda Leona Chalmers... o que nos leva ao nosso próximo argumento.

- Essas novidades "verdes" nojentas vão nos levar de volta à idade da pedra; que voltemos aos paninhos da vovó então, já que temos que lavar essa coisa: o cup não é novidade, ele foi patenteado nos anos 1930. Ele só não decolou porque era feito de látex e muita gente tinha alergia a látex. Além disso, havia um certo tabu quanto a enfiar coisas... hehehe hipocrisia é pouco, non?

- Mas que nojo! Sangue menstrual é sujo! Vai pegar em mim! Eca!: sangue menstrual não é sujo! É apenas sangue como qualquer outro. Incrível como as pessoas tomam porres homéricos, vomitam, caem de cara no vômito e depois riem da coisa. Ou como a gente coloca os papéis usados numa latinha do lado do vaso que fica lá um dia inteiro. Ou como a gente limpa a bunda dos bebês. Ou como a gente faz SEXO! Como a gente faz sexo oral! Como a gente beija na boca, entrando em contato mais do que direto com secreções dos outros! Mas sangue? Sangue, não! Sangue é nojento! Ainda mais o meu próprio! Imagina isso!

- Mas não é nada prático! Imagina ter que lavar essa coisa o tempo todo!: como eu disse antes ele pode ser usado por até 12h e nunca foi relacionado à Síndrome do Choque Tóxico, doença rara, mas que pode ser fatal, relacionada ao uso de absorventes internos por tempo prolongado. Então é só lavar 2 vezes por dia.

- Mas meu fluxo é imenso! Vai transbordar!: colocado corretamente, o cup não vaza. Mesmo. Além disso, os absorventes dão a idéia de que temos um fluxo muito maior do que realmente é; eles têm pouca capacidade de absorção e por isso têm de ser trocados com frequência. Ao usar o cup você vai ver que o nível do seu fluxo, em 12h, não poderia transbordar o cup. Dito isto, acredito que os absorventes são menos práticos.



"One Girl, Two Cups": Vídeo que fala quase tudo sobre o Cup. O título é uma bem-pensada brincadeirinha com o conhecido "Two Girls, One Cup", já citado por mim aqui no blog.


Ufa! Bem, além de todas essas coisas, o cup é ambientalmente amigável. O silicone, material de que ele é feito, dura até 10 anos se bem cuidado. Você tem idéia de quantos absorventes descartáveis você usa em 10 anos? E de quanto tempo eles levam para se decompor? Quanto à decomposição eu não sei, mas vamos aos cálculos!

Imaginemos que arredondando para menos, você use uma caixinha de OB ou pacote de absorventes externos por ciclo. Isso são 10 absorventes por ciclo. São 12 ciclos por ano: 12 ciclos x 10 anos = 120 ciclos; 120 ciclos x 10 absorventes = 1200 absorventes! Agora, vejamos financeiramente. Imagine que você gaste 4 reais por ciclo (o que é uma estimativa bastante amigável; sabemos que é BEM mais). 4 reais x 12 ciclos = 48 reais. Em 10 anos, 480 reais.

O cup custa 70 reais no Brasil, vendido pelo site Guia Vegano e ás vezes até menos em sites gringos. Mais de 400 reais economizados! E isso que aquele precinho alí que usamos para os cálculos está bem caramarada.

Além de tudo, uma questão crucial: nada de substâncias químicas em contato com o seu corpo. Alvejantes e muitos outros são encontrados em absorventes. Eles garantem que eles sejam branquinhos, que mantenham o sangue e que sejam perfumadinhos. Só que isso não parece tão saudável quando se pensa nisso, não?

Ele é mais prático, mais limpo, mais barato, mais ecológico. Eu posso dar meu relato e dizer que eu nunca me senti desconfortável. Depois de 2 ciclos ele nunca mais vazou. Além disso, os OBs que me sobraram de ciclos anteriores nunca mais saíram da gaveta.

Existem muitas questões mais a serem abordadas sobre o cup. Existem inúmeras marcas e uma delas deve se adptar a você. Caso muitas pessoas perguntem nos comentários, me disponho a escrever novo post respondendo a tudo.


Vídeo que mostra como dobrar o Cup para inserir.

Agora, peço mente aberta. Eu me decepciono com mulheres que não param para prestar atenção em algo que diz respeito justamente a elas. Já li muitos comentários ignorantes por aí sobre o cup. Eu entendo que algumas pessoas não se adaptem, mas nem por isso se deve achar que é algo de fora do planeta.


Esperteza, queridinhos, perspicácia! Informação só tende a melhorar nossas vidas. Por isso, explorem os links, vejam o vídeo, (re)leiam o post, perguntem nos comentários! Meninos: indiquem para as mães e namoradas. Eu não troco meu cup por nada!

Mais links sobre o assunto:

Beijos da Poodle, queridinhos! E até meu próximo (e imprevisível) post!

P.S.: Amanhã, dia 4 de Maio, é meu aniversário! Vintinho, hein! Dêem parabéns para a Poodle nos comentários. ;)

domingo, 19 de abril de 2009

canções, versões e outras criatividades (parte 1)

Tudo começou em uma quente tarde de verão quando, na casa de papai, este genitor contribuiu para o meu crescimento intelectual ao tocar no seu mini system um álbum que ele havia criado ( leia-se baixado músicas no mercado de compartilhamento gratuito e gravado-as em um cd virgem) com várias versões. A que mais ficou gravada na mente foi uma versão de Bob Dylan (infelizmente, ou felizmente, eu não gosto muito dele) cantanto Creep, do Radiohead. Papai, porém, foi bastante simpático na escolha do repertório, incluindo "What a Wonderful World" interpretada por Joey Ramone.

O tempo se passou e, numa bela madrugada (do dia 17/04) , um tanto triste por assuntos pessoais (que, obviamente, não vem ao caso), eu e o Petit vimos a coisa mais horrenda e engraçada que poderia existir naquele momento*. Os convidados da noite no Jô eram Inri Cristo e as Inriquetes. Dá uma olhada nas músicas que estas discípulas do di... ops, digo, do Inri Cristo, versionaram.



"Estava ali vendo a tv, sem enteder o porquê"
Eu também, eu também...

Decidi então, fazer o post de hoje com versões, no mínimo esquisitas de músicas, e a Limbo me agraciou com uma criação do quarteto-capela Moosebutter performada por Corey Vidal. Se você adora Stars Wars (ou o compositors e pianista John Williams) e não viu este vídeo, você não é um nerd/músico que se preze.




No site do Moosebutter você pode curtir (nossa, que Kzuka isso) outras criações do quarteto, incluindo uma versão sobre Harry Potter para Pretty Woman. Já o vídeo acima fez tanto sucesso que dá (ou nem precisa dar, trocadalho péssimo) pra achar vários vídeos bolados a partir do primeiro, como este, o Frog Wars.

Com a quantidade de versões estranhas por aí, tenho certeza que farei um novo post pra você, leitor, rir mais um pouco (ou não).

Beijos do Okapi.

*tá, essa é a minha opinião, o Petit disse que elas são interessantes quando cantam e dançam na palavra assanhar.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O materialismo, os ovos de Páscoa e a meia-calça

Sempre fui a primeira a apontar para as pessoas que gostam de fazer compras e acusá-las de materialistas. Por que encher o guarda-roupa com outras blusas se muitas ali ainda nem foram usadas? Ou então para que mais um par de sapatos que, muito provavelmente, nem vai sair da caixa?

Se eu entrasse numa loja sem precisar comprar nada, torcia o nariz para os produtos e para as vendedoras. Aliás, essas criaturas cuja função é justamente a de persuadir o cliente a comprar não só a bolsa, mas os sapatos e a carteira que combinam todos entre si e que estão “com um descontinho imperdível”, sempre se viram prestes a pedir demissão quando eu surgia na loja acompanhando minha genitora.

O ponto é que sempre pensei que eu não ligasse pra essas coisas por meio das quais os consumistas dão um sentido às suas vidas vazias e enchem armários de quinquilharias inúteis. É isso aí, esse tipo de gente que acredita que comprando o último modelo de carro, adquirem, junto com a chave da ignição, felicidade e solução para todos seus problemas. De uns tempos pra cá, comecei a ver algumas coisas que me fizeram repensar alguns dos meus princípios.

1- 1- O ângulo de inclinação de leitura. Quando eu compro um livro tenho um cuidado extremo com a sua aparência. No caso do meu precioso (trilogia do Senhor dos Anéis) li todos com um ângulo de 90° de abertura, para não esgaçar a capa.
2- O método de terminar a borracha. Todos sabemos que borrachas não terminam, elas somem quando estão prestes a acabar naquele formato arredondado certo? Não as minhas. Sempre tive um método de apagar com a borracha só por dois lados, pra que as outras duas pontas seguissem quadradas até o final (que não existe).

Esses dois exemplos servem pra ilustrar um tipo de comportamento materialista existente em mim e que até então eu não havia percebido. Se considerarmos materialista não só os consumistas impulsivos, mas também quem atribui valores a objetos materiais inseridos em seus contextos, sou mais uma na multidão. Mas vamos agora ao terceiro ponto, que eu aproveito para citar nas vésperas da vinda do maldito coelhinho.

3 – O consumo do ovo de Páscoa. No tempo em que eu ganhava ovo de Páscoa, eu sempre o deixava guardado até o meu aniversário. Sim, eu não abria o ovo de chocolate até novembro. Então quando García Canclini diz que o consumo serve para pensar, eu penso no consumo que eu faço e vejo que talvez eu me importe muito mais com a matéria do que aquela pessoa que compra um par de sapato por mês.

esquilo materialista de A era do gelo

O último exemplo que deixo, é o que me ocorreu ontem. Lá estava eu, vestindo meia-calça novinha e tendo todo o cuidado do mundo para não puxar fio, no meio de tantos copos de cerveja que flutuavam de lá pra cá. Cheguei em casa às 5h da manhã com a meia-calça inteira, e resolvi fazer um lanchinho. Maldita hora em que resolvi sentar à mesa da cozinha (que é de madeira) e cruzar a perna esquerda que, subitamente bateu na mesa e, claro, puxou o tão temido fio.

Adeus, 15 mangos jogados fora. Fiquei tão abatida como se houvesse um defunto na história. Por que reagi assim? Era só um trapo de pano que ainda pode ser substituído, então por que poupar a borracha, o livro, o ovo de Páscoa, e achar que é o fim do mundo quando a meia-calça rasga?

Não sei. Ainda estou me analisando e não cheguei a grandes conclusões. Embora eu nunca tenha sido uma vítima e ou/apreciadora das vitrines de lojas, sempre atribui um alto valor aos objetos materiais que adquiri. O que, de certa forma, me torna mais uma material girl in a material world.
Boa Páscoa para quem espera o coelho e os chocolates. (Eu, que não espero nada, se não rasgar nenhuma meia-calça hoje, já estou no lucro).

domingo, 5 de abril de 2009

Antes do pastelão, o pirata

Lá no remoto ano de 1988, quando um lindo bebê ornitorrinco estava sendo concebido, surgiu aquele que seria um dos melhores programas humorísticos produzidos pela TV brasileira aberta.

Um bando de piratas invadiu a televisão na noite de terça-feira. A anarquia toma o lugar da produção de um telejornal prestes a começar e dá início à balbúrdia. A ilha de edição é invadida pelos corsários, que inserem uma fita VHS com a programação de uma anti-televisão. O conteúdo trazia sátiras de novelas, filmes e comerciais exibidos na época.



Eu já tinha ouvido falar da TV Pirata, mas só fui assistir aos vídeos do programa nesse fim de semana, depois do Luiz ter me falado sobre um dos quadros que vai ser a “inspiração” para o programa da cadeira de telejornalismo que vamos produzir.

O humor produzido no Brasil sempre deixou a desejar, pelo menos para mim. Não quero fazer desse sempre uma generalização apressada, mas nunca consegui engolir o “pastel” do Pânico na TV. Piadas óbvias, construídas a partir de estereótipos numa fórmula mais do que gasta nunca me chamou atenção.

Influenciada por programas como o excelente Saturday Night Live, e Monty Python Flying Circus, a TV Pirata fazia uso da sátira da própria televisão brasileira e da vida de seu povo, por meio de dezenas de esquetes aleatórias com piadas non sense e alguns poucos quadros fixos.

Criado pelo diretor Guel Arraes e pelo roteirista Cláudio Paiva, o programa foi ao ar pela Rede Globo nos anos de 1988, 1989, 1990 e 1992. Luís Fernando Veríssimo, os quadrinistas Laerte e Glauco, e integrantes do Planeta Diário e da Casseta Popular - que viriam a se reunir e formar o Casseta & Planeta formavam o time de roteiristas.

O elenco de atores era formado por nomes conhecidos como Cláudia Raia, Débora Bloch, Marco Nanini, Regina Casé, Luiz Fernando Guimarães, entre outros. Se você ainda não assistiu, veja o quadro Fogo no rabo, paródia do folhetim Roda de fogo, com direito a Rosana cantando como uma deusa. As cenas soltas em que os atores giram ao redor do merchandising, tão difundidas no meio das novelas, é motivo de sátira da primeira parte do quadro.


Com todo o estilo oitentista, ainda que o timing de algumas piadas não seja muito certo, não tem como não rir em algum momento. O Casal Telejornal interpretado por Regina Casé e Luiz Fernando Guimarães é muito engraçado, mas não vou descrever aqui para não tirar a graça. Deixo o vídeo aí embaixo dos saudosos tempos em que a pirataria reinava na TV brasileira, num espaço que viria a ser preenchido depois pelo humor pastelão (de vento).


Depois das risadas, não esqueça de deixar seu comentário.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Good times...

Eu lembro de estar brincando dentro da minha barraca da turma da Mônica que estava montada em algum canto da sala de TV. Isso nos tempos em que eu Limbo Dancer era apenas um projeto de gente, pequena o suficiente para caber em uma barraca da turma da Mônica (alguém mais tinha uma dessas?). A minha mãe estava vendo TV, mais precisamente o Jornal Nacional. Eu que era nova demais para entender a tal notícia tenho apenas a vaga lembrança da imagem de um homem saindo de um prédio cercado de jornalistas e da minha mãe dando graças a Deus que o tal homem não era mais presidente do Brasil. Acho que mais que qualquer outra coisa foram as palavras dela que fizeram com que esse momento ficasse gravado na minha memória. Lembro de ela dizer que ele (o tal homem que deixava o prédio) acabaria com o país.

A minha era bem parecida com essa...

Essa é uma daquelas memórias de infância tão remotas que a gente até se questiona se realmente aconteceram. Mas eu tenho 99% de certeza que ela é real e outros 99% de certeza que ela se refere ao dia em que Fernando Collor de Mello renunciou. Por mais que os meus pouquíssimos 4 anos de vida me impedissem de entender o que diabos estava acontecendo naquele momento, as palavras que eu ouvi naquele dia ficaram na minha cabeça. “Acabar com o país” na cabeça de uma criança significa literalmente acabar com tudo, destruir sem deixar qualquer resquício, nessa idade não existe metáfora ou qualquer outra figura de linguagem.

A nossa memória é no mínimo engraçada – pelo menos a minha é. Porque ela escolhe guardar determinados momentos e esquecer outros? E não me venham com explicações científicas, psicológicas ou whatever, esse post não tem a menor intenção de encontrar repostas. Ele é apenas para relembrar e no máximo levantar uma pergunta ou outra.

Do meu primeiro dia de aula eu só lembro de chorar compulsivamente no colo da minha professora, ou melhor, “tia” depois de ser atingida por um balanço desgovernado. Ironicamente, quem “pilotava” esse balanço era a Priscila que viria a se tornar a primeira e mais antiga das minhas melhores amigas. Se você perguntar para ela sobre essa história ela com certeza dirá que fui eu quem atravessou imprudentemente em frente ao balanço dela. Não acreditem...

Lógica de criança é outra coisa engraçada. Eu lembro perfeitamente de discutir ferrenhamente com a Pri (não consigo usar Priscila muito tempo) sobre qual dos nossos novíssimos cachorros tornar-se-ia (aha, usei até uma mesóclise!) maior. Detalhe: a Pri tinha uma Boxer e eu um Cocker. Outra discussão recorrente era qual de nós duas tinha mais Coca-Cola no seu copo ou coisas do gênero (tenho certeza que depois desse comentário vai aparecer alguém da gangue para me acusar de ser viciada em Coca-Cola desde pequenininha).

Dos desenhos animados que eu assistia (aí já um pouco maior) eu lembro de 3 em especial: Carmen San Diego que eu nunca mais vi passar em lugar algum e até hoje a única pessoa que eu conheci que também assistia é a Poodle; As novas aventuras de Jonny Quest, que eu consegui rever “depois de grande” graças ao magnífico You Tube; e Tintin que eu mal posso esperar pra ver no cinema depois que o Spielberg e o Peter Jackson terminarem de adaptar.



Abertura de Jonny Quest

Até os meus 11 anos de idade eu fui uma criança extremamente medrosa. Hoje eu não vejo problema algum em ver filme de terror no meio da madrugada, sozinha em casa numa sexta feira 13 chuvosa. Eu lembro de ter muito medo de um jogo de computador que meu tio costumava jogar. Alguma coisa relacionada a uma casa mal assombrada cheia de passagens secretas e afins, porém, por mais que eu tivesse medo do jogo eu queria saber o que aconteceria na fase seguinte. Talvez tenha sido a minha curiosidade que eventualmente superou o meu medo. O fato é que o último filme que me fez tapar os olhos com as duas mãos foi O Sexto Sentido. Lembro que anos depois quando revi o filme descobri que as memórias que eu tinha dele eram muito mais assustadoras que as cenas reais.


"I see dead people"

Mas a memória da gente é assim mesmo. E às vezes elas nem precisam estar 100% corretas ou, até mesmo, existirem de verdade para serem importantes. Às vezes a gente ouve histórias e/ou vê fotos tantas vezes que cria memórias inexistentes, ao mesmo tempo em que esquece algumas das memórias que realmente existiram... Que dia é hoje mesmo?

quarta-feira, 25 de março de 2009

god gave Rock 'n' Roll to you



Atenção: se você tem uma internet lentium, assim como o Okapi que vos fala, deixe o vídeo baixar para só depois iniciar sua leitura ao som do Kiss. Obrigada!

O Okapi Parceiro e Leiteiro, depois de muitas discussões com a Limbo Dancer, chegou a conlusão de que a Poodle fez uma macumba para nos passar um pouquinho da sua intolerância. O fato é que, uma das coisas que eu não tolero, principalmente nesses dias, são as posições religiosas.

Tudo bem, calmem, eu não estou indo contra a todas as posições de qualquer religião, mas sim, de algumas pessoas que usaram da dita "palavra de Deus" para defender posições sem argumentos válidos para baseá-las, apenas dizendo: essa é a minha fé, respeite.

Posso até dizer que tudo começou, sim, por causa do menina de nove anos que abortou os gêmeos que esperava de seu padastro, que vinha abusando-a sistematicamente desde os seis anos. Não vou entrar na discussão sobre o fato em si e que fique óbvio que esse padastro imundo (pra não deizer coisa pior) é o que mais me irrita e, se minha filha fosse estuprada, quem viu o filme Tempo de Matar sabe exatamente o que eu faria com ele...

Toda a discussão sobre o caso levou a mim e meus colegas tornar o assunto tema de debate de um pragrama radiofônico. Erro nosso não perguntar a religião de todos os presentes, acabamos com uma freira, seus dois "seguidores" e um pobre teólogo tentando chamar os convidados à terra de vez em quando.

Cada frase que eu ouvia, cada vez, me decepcionava mais. Poxa, eles são pessoas estudadas, não podem pensar realmente isso. Poxa vida, uma médica pediátrica não pode ser tão machista e não ter a mínima noção dos direitos femininos. Poxa vida, um médico obstetra, obstetra, não pode dizer que falará como técnico e acabar defendendo os ideais da Igreja Católica. Poxa vida, ahhh, é a freira, é normal que ela pense assim. Poxa vida, pobre teólogo... pobre mediadora.

Enquanto bobagens eram ditas, as risadas eram inseguráveis, mas creio que era apenas uma forma da gente se acalmar e tolerar um pouco mais a situação, enquanto impedíamos o próprio deus (leia-se colega querido) de deixar algumas camisinhas cairem, sem querer, sobre os pés da freira.

Alguns dias depois, paro pra assistir um desses canais religiosos. Tinha uma mulher desesperada, eu disse desesperada, por não poder pagar o dízimo. Detalhe que ela passou um tempo desempragada e também não podia pagar outras contas, mas o que são elas perto do dízimo? Então ela contou que, depois que ela conseguiu outro emprego, teve que pagar o dízimo escondida, poiso marido havia dito que o resto do dinheiro deveria ser destinado à poupança para a faculdade do filho deles. Ela estava orgulhosa por mentir para o marido e por deixar de depositar dinheiro para o próprio filho, dizendo que sabia que Deus recompensaria ela e seu filho.

Pelo que eu saiba, Deus ainda não distribui dinheiro ou vagas em universidades públicas, e se distribui, algúem me conta em qual religião! Eu me pergunto se ela nunca ouviu esta famosa piada: (que eu tirei daqui)

A barragem, próxima de uma pequena cidade, foi rompida por uma forte chuva e o nível do riacho foi subindo gradativamente.
No alto do morro, na parte mais alta da cidade, ficava a igreja. Quando a água atingiu as primeiras calçadas da cidade os policiais foram avisar o padre para que esse deixasse a igreja. Ele fincou pé e disse: "Deus não há de me faltar."
Quando a água chegou às portas da igreja, os bombeiros, já usando um barco, foram buscar o padre. Ele se recusou a abandonar a igreja e disse: "Deus não há de me faltar."

Quando a água atingiu a torre mais alta, e o prefeito veio de helicóptero tentar convencer o padre a abandonar a igreja, o padre respondeu: "Deus não há de me faltar !!!"


Obviamente o padre morreu afogado.

Ao chegar no céu, ele foi ter com Deus, e já chegou cobrando: "Mas meu Senhor... Como pudestes fazer isso comigo. Me faltastes quando eu mais te precisava." E Deus, visivelmente irritado, respondeu: "Mas meu filho... Te mandei policial, barco, bombeiro, helicóptero e prefeito, e mesmo assim você não seu salvou ?!?"

E eu pensando que o Deus dela tinha dado uma ajudinha pra ela conseguir um emprego bom e poder pagar tudo que seu filho precisa, ela vai e dar dinheiro pra Igreja...

Contudo, não me venham com preconceitos, o catolicismo não é a única religião com argumentos fáceis. Houve um tempo em que o espiritismo me chamou atenção, pois conheci pessoas muito boas e espíritas. E foi só procurar um pouquinho de informações para desistir da idéia. Olha como é fácil, tudo o que vives agora é o que mereces por tua atuação na vida passada: se você tem problemas, é castigo por ter sido ruim, e assim por diante.

Entretanto, como a esperança é a última que morre (um dos pouco ditados que tem um pouco de lógica), organizações como a Católicas pelo Direito de Decidir me dão um pouco de alento ao ver de que religião não signica, necessariamente, alienação ou retrocesso.

Afinal, eu não tenho religiões (sou laica, como diria deus Luiz) mas acredito que exista um Deus, ainda que eu seja da opinião que ele é muito mais parecido com o Deus escrito por Eduardo Galeano no Livro dos Abraços:

Errata: onde o Antigo Testamento diz o que diz, deve dizer aquilo que provavelmente seu principal protagonista me confessou:
Pena que Adão fosse tão burro. Pena que Eva fosse tão surda. E pena que eu não soube me fazer entender. Adão e Eva eram os primeiros seres humanos que nasciam da minha mão, e reconheço que tinham certos defeitos de estrutura, construção e acabamento. Eles não estavam preparados para escutar, nem para pensar. E eu... bem, eu talvez não estivesse preparado para falar. Antes de Adão e Eva, nunca tinha falado com ninguém. Eu tinha pronunciado belas frases, como “Faça-se a luz”, mas sempre na solidão. E foi assim que, naquela tarde, quando encontrei Adão e Eva na hora da brisa, não fui muito eloqüente. Não tinha prática.
A primeira coisa que senti foi assombro. Eles acabavam de roubar a fruta da árvore proibida, no centro do Paraíso. Adão tinha posto cara de general que acaba de entregar a espada e Eva olhava para o chão, como se contasse formigas. Mas os dois estavam incrivelmente jovens e belos e radiantes. Me surpreenderam. Eu os tinha feito; mas não sabia que o barro podia ser tão luminoso.
Depois, reconheço, senti inveja. Como ninguém pode me dar ordens, ignoro a dignidade da desobediência. Tampouco posso conhecer a ousadia do amor, que exige dois. Em em homenagem ao princípio de autoridade, contive a vontade de cumprimentá-los por terem-se feito subitamente sábios em paixões humanas.
Então, vieram os equívocos. Eles entenderam queda onde falei vôo. Acharam que um pecado merece castigo se for original. Eu disse que quem desama peca: entenderam que quem ama peca. Onde anunciei pradaria em festa, entenderam vale de lágrimas. Eu disse que a dor era o sal que dava gosto à aventura humana: entenderam que eu os estava condenando, ao outorgar-lhes a glória de serem mortais e loucos. Entenderam tudo ao contrário. E acreditaram.
Ultimamente ando com problemas de insônia. Há alguns milênios custo a dormir. E gosto de dormir, gosto muito, porque quando durmo, sonho. Então me transformo em amante ou amanta, me queimo no fogo fugaz dos amores de passagem, sou palhaço, pescador de alto mar ou cigana adivinhadora da sorte; da árvore proibida devoro até as folhas e bebo e danço até rodar pelo chão...
Quando acordo, estou sozinho. Não tenho com quem brincar, porque os anjos me levam tão a sério, nem tenho a quem desejar. Estou condenado a me desejar. De estrela em estrela ando vagando, aborrecendo-me no universo vazio. Sinto-me muito cansado, me sinto muito sozinho. Eu estou sozinho, eu sou sozinho, sozinho pelo resto da eternidade.

Ah, e eu não postei antes porque o Santo da Piedade dos Blogueiros Preguiçosos e Cheios de Coisas Pra Fazer me avisou que não seria uma boa ideís postar lá pelo meio de março. Não discutam comigo, é a minha fé!

Beijos amados de um Okapi mais leve depois do desabafo way of life.

PS: Post pro Ornie e pro Petit, que são um pouco do pouco de Kiss que há em mim.

domingo, 22 de março de 2009

O tesouro de Willy Caolho

"I will never betray my goon dock friends
We will stick together until the whole world ends
Through heaven and hell, and nuclear war
Good pals like us, will stick like tar
In the city, or the country, or the forest, or the boonies
I am proudly declared a fellow Goony."

Vocês certamente não se lembram desse solene juramento. Mas tenho certeza que aqueles que tem a minha idade ou mais vão se lembrar de um dos filmes mais marcantes da nossa infância: Os Goonies. O juramento foi excluído do filme, mas se não fosse, teria sido repetido por milhares de crianças depois de assistir o magnífico filme de 1985.







Graças aos relançamentos em DVD, tive outro dia uma noite nostálgica com os três De Volta Para o Futuro e Os Goonies. Eu não me lembrava de tudo que se passava no filme, mas lembrava que era bom. Admito que tive medo de me decepcionar, mas isso não foi nem um pouco o que aconteceu. Estou num momento de obsessão. Não só por Goonies, mas, por causa deles, também por Cyndi Lauper. O vídeo de The Goonies R Good Enough vale a pena ser assistido. Se não por qualquer outra coisa, pela participação "incrível" de Steven Spielberg.





Os anos 80 são uma das minhas décadas preferidas que eu não vivi (mesmo porque eu só vivi a de 90 e esses anos iniciais do século XXI...). Por mais que tudo pareça sintético, a música era divertida, as pessoas se vestiam como queriam e os filmes tinham aquela cara de baixo orçamento, que era compensada com a história mara. Não que os anos 90 não tenham sido legais, mas os 80's têm um charme ao qual eu não resisto. Por mais brega que eles normalmente possam parecer.

Não, eu não gosto de mullets. Eu não uso saias de tule (o tempo todo). E meu cabelo não tem cor de algodão doce. Acho que minha fascinação é inexplicável.

Mas, voltando aos Goonies, uma das minhas lembranças mais vivas relacionadas ao filme (depois do "Sloth gosta de chocolate") não está no filme. O jogo de videogame dos Goonies, com a trilha da Cyndi Lauper em midi, marcou minha infância, e acredito que a de muitos de vocês também. Existe uma edição de 20º aniversário para computador. É só baixar e jogar.




Esse post foi para marcar minha volta ao GdH e para lembrá-los das coisas boas que passaram e que ainda estão aí, graças à tecnologia. Meus filhos assistirão Os Goonies. Espero ainda achar em DVD ou conseguir baixar outro filme que me marcou muito, Pagemaster: O mestre da fantasia, gentilmente doado a mim em formato VHS pela Poka. Lamento não possuir um videocassete, mas assim que conseguir esse filme em formato assistível, forçarei toda a gangue a fazê-lo. Não são muitas pessoas que lembram de Pagemaster... trauma da minha infâancia... junto com Patrine, que ninguém lembra também.

Bem, volto semana que vem com mais um post que, com alguma sorte, será mais informativo que este. :) Beijinhos.

terça-feira, 17 de março de 2009

Sparkling Vampires???

AVISO: Esse post é sobre Crepúsculo. E não, eu não gostei do filme. Ou do livro. Sim, eu tenho consciência de que esse texto pode (ou não) levantar a ira de fãs que me perseguirão com tochas e foices. (Aliás, alguém sabe me dizer se o Stephen King está vivo?)

A primeira vez que eu ouvi falar em Crepúsculo foi quando vi o cartaz do filme com a placa de “em breve” na entrada do cinema (um em breve, que na verdade nem foi tão breve assim, já que isso foi bem antes da estréia do filme). Eu devia estar desatenta, pois o fenômeno passou despercebido aos meus olhos, até aquele momento em que a Poodle apontou o cartaz interessada, pois era sobre vampiro (ela adora histórias com vampiros, a exceção de Crepúsculo, claro). Lembro também de alguém dizendo (acho que foi o Orni, mas não tenho certeza) que era adaptação daquele livro com a capa bonita da mão segurando a maçã – confesso que já tinha visto o tal livro milhares de vezes, sempre reparando na capa, que realmente é muito bonita, mas nunca no título. Enfim, Crepúsculo parecia ser um filme levinho sobre vampiros, mas mesmo assim na época eu achei que valia a pena dar uma chance a ele.

Capa e na minha opinião melhor parte de Crepúsculo

Acabei mudando de idéia algum tempo depois. Li uma entrevista curtinha da autora do livro, Stephenie Meyers, acho que na revista Set, e me decepcionei. Na entrevista Meyers dizia não gostar de histórias de vampiro ou terror e confessava não ter lido nenhum livro ou assistido nenhum filme com a temática. Como fã do gênero eu julguei que seria muito difícil eu gostar de Crepúsculo, pois as comparações seriam inevitáveis.

Infelizmente eu não costumo escutar meus próprios conselhos. Eu não só fui assistir ao filme como fiz uma fracassada tentativa de ler o livro – eu juro que tentei ler Crepúsculo, mas para o bem da minha sanidade física e mental eu fui obrigada a abandoná-lo pouco antes da sua metade.

Não vou nem comentar em muitos detalhes a escrita da Stephenie Meyer, que na minha modesta opinião é muito fraquinha. Na verdade nem sei dizer exatamente o que me fez desgostar do texto de Meyers logo de cara. A impressão que eu tive lendo o livro é que algo estava faltando. É como se o texto dela não tivesse personalidade. Faltam adjetivos - que até existem, mas são mal explorados, sempre usados para descrever a “beleza” do Edward, bla bla bla - faltam articuladores, faltam diálogos interessantes e menos óbvios. Não fariam mal também personagens mais profundas e melhor desenvolvidas.

Mas, como eu não terminei de ler o livro é melhor deixá-lo de lado e me concentrar no filme. Vou confessar pra vocês que não existe nada em Crepúsculo que eu tenha gostado, mas não vou ficar aqui listando defeitos. Vou citar apenas dois:

Eu entendo que a Stephenie Meyers quisesse criar a uma mitologia própria para os seus vampiros, entretanto, ignorar (praticamente) tudo que se escreveu anteriormente sobre vampiros e manter apenas o fato deles se alimentarem de sangue, é no mínimo irritante. Todo autor adapta o mito dos vampiros a sua obra, incorporando características novas a criatura e talvez até eliminando algumas, mas se você tirar todas as características do que se entende por vampiro, ele passa a ser apenas um ser pálido e imortal que bebe sangue. De todas essas características que Meyers ignorou e daquelas que ela acrescentou eu só tenho uma coisa a dizer:

SPARKLING VAMPIRES!!!!????!!!!!?????????????!!!!!!

Nada, e eu repito NADA no mundo é capaz de me fazer enxergar qualquer lógica em vampiros que brilham como um disco globe quando expostos ao sol. O sol é uma das fraquezas dos vampiros você não pode ter uma criatura sobrenatural (super-herói, monstros, vilões, whatever!) sem um ponto fraco.

Meu segundo grande problema com Crepúsculo (de muitos que não vou citar aqui) é a falta de química entre o casal principal. É sério, não existe química alguma entre eles. A tensão que deveria surgir do relacionamento platônico deles simplesmente não existe. Quem não está entendendo, assista o vídeo abaixo e veja o que é a química da qual eu estou falando. A cena é da série de TV True Blood e a situação é semelhante: mocinha mortal e vampiro, mas a interação entre os dois... E antes que alguém venha argumentar que o relacionamento de Bill e Sookie (de True Blood) não tem nada de platônico, eu esclareço que me refiro aos primeiros episódios da série, quando a relação dos dois era tão inocente quanto a de Bella e Edward (Crepúsculo):



Pra quem quiser comparar eis aqui Bella e Edward:



Enfim, por hoje era só. Vamos agora aos PSs do dia:

PS1: Eu, Limbo Dancer, agora também posto minhas idéias insanas no Prime Time, a única diferença é que lá essas idéias são relacionadas a séries de TV. Assim eu incomodo menos vocês com o meu vício por série. Ahhh lá eu escrevo sobre o 'pseudônimo' Paula Potter (nenhuma ligação com o Harry).

PS2: A Poka manda avisar que o post dela de amanhã provavelmente será adiado para a quarta-feira devido a conturbada vida de estudante de jornalismo no 5º semestre.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Noites em claro

O relógio aponta meia-noite. É hora de descansar o corpo das idas e vindas do dia e de esvaziar a cabeça da correria mental das últimas 24 horas. Com um clique apago o interruptor de luz, após ler algumas páginas das crônicas do bardo folk. Fecho os olhos. Num estado de quase sono, quase vigília, tento me desprender da realidade. Ah se fosse tão fácil desligar os pensamentos que passam velozes do mesmo modo que desligo a luz.

Por um momento fugaz o sono se apodera de mim, e vai embora tão logo quanto chegou, num espasmo de uma perna inquieta. Lá fora, um assovio toma conta da rua: é o lixeiro cujo sibilo poderia muito bem ter saído de um desenho animado da Disney. Tento identificar a música, mas o caminhão já vai longe...
Espio o relógio: já são duas horas. Levanto até a cozinha e tomo um gole de água como se tivesse sido o último boêmio a deixar o bar. Outra olhada nas horas e o ponteiro marca cinco horas. É incrível como a noite pode passar tão rápida para os insones. Uma tentativa de leitura enquanto o sono não vem é ineficaz – lá se vão cinqüenta páginas e o estado de alerta é total.

Ligo o televisor na vã expectativa de encontrar algo que me deixe sonolenta. Após passar por todos os canais, desligo o aparelho e tomo mais um gole de água. O corpo começa a pedir repouso, mas a mente está em outro ritmo, e ignora a trégua. Em meio à escuridão, os pensamentos escapam num turbilhão de imagens e vozes impossíveis de serem controlados.

A sexta hora da manhã é anunciada pelo canto do galo que mora ao lado – o desespero do dia que chega sem que o outro tenha terminado é o prelúdio da exaustão diária. Quando todas as tentativas de adormecer já foram gastas e não resta uma ínfima probabilidade de escapar do estado de vigília, adormeço.

Embora o sono tenha chegado, o descanso não é suficiente para suprir a falta de forças e a sensação é de eterno cansaço. É como se, na aurora do dia seguinte, todos os movimentos e todos os diálogos das pessoas fizessem parte de um filme cujo roteiro foi feito para confundir seus personagens: levá-los a lugar nenhum, com ações despropositadas, num mundo que oscila entre a realidade e o devaneio. A insônia é assim, esta vil companheira que, com seus artifícios, chega sorrateira para ficar horas a fio, nas minhas noites em claro.

"Nas grandes horas em que a insónia avulta
Como um novo universo doloroso,
E a mente é clara com um ser que insulta
O uso confuso com que o dia é ocioso,
Cismo, embebido em sombras de repouso
Onde habitam fantasmas e a alma é oculta,
Em quanto errei e quanto ou dor ou gozo
Me farão nada, como frase estulta(...)"


(Fernando Pessoa)

terça-feira, 10 de março de 2009

Pare aí mesmo, sua mulherzinha!

Tá bom, confesso que esse péssimo título foi apenas uma forma de chamar atenção.

Póka está de volta às postagens (ao menos é o que aparenta). E o Okapi aqui queria discorrer um pouco sobre a mulher (não sobre a convenção Dia Internacional da Mulher, embora o 8 de março tenha sido bem especial para mim).

Como eu estava morrendo e capotei (o meu estado era tal que estava passando na tv o episódio no Pica Pau nas Cataratas do Niágara e, mesmo assim, eu dormi), acordei com uma p### dor de cabeça. E, como disse o Tio Ada, também conhecido como Zolinho pelos veteranos já formados da Facos, na aula de Semiótica, "os significados existem antes das palavras, que são 'vazias'", eu não estou nem um pouco a fim de preencher palavras com significados. Simplesmente a parte semiótica-produtiva do meu cérebro está em falha.

Contudo, acabei achando dois textos, como diria a balonista, Maras! para apresentar à vocês. Como uma mensagem é tudo aquilo que responde a relização do ser, eu espero que estes textos estejam no seus rols de significância e necessidades.

Aqui vão:
Todas as mulheres são belas do blog Papai Noel de Cueca Azul
A hipocrisia do Dia Internacional da Mulher do heDONIsmos

Abraços cansados e felizes do Okapi!

sexta-feira, 6 de março de 2009

Rock em 7 tempos

Depois de tantas velharias na TV, eis que surge algo interessantíssimo para os aficionados pelo gênero que fez e ainda faz multidões chacoalharem o esqueleto. Não é novidade, mas na TV fechada brasileira é a primeira vez que está sendo transmitido o documentário produzido pela BBC de Londres em 2007, intitulado Seven Ages of Rock.


Dividido em sete episódios, cada um traz uma era do rock com depoimentos de personalidades de peso no referido contexto. Das origens no blues, passando pela beatlemania, ao indie rock, o documentário explora as principais características de cada uma das fases do gênero. E são pinceladas focadas em poucos nomes de cada vertente. Afinal, seria impossível relatar em 7 episódios de apenas 50 minutos toda a vastidão do maior fenômeno da cultura pop.


(o rock na linha do tempo)

Aqui estão os nomes dos capítulos com os respectivos dias em que são transmitidos:

1. The Birth of rock (07/02)

2. White light, White heat (14/02)

3. Blank Generation (21/02)

4. Never Say die (28/02)

5. We are the champions (07/03)

6. Left of the Dial (14/03)

7. What the world is waiting for (21/03)

Infelizmente não consegui acompanhar desde o início, e até agora assisti apenas dois capítulos: o White light, White heat que trouxe o Art rock,momento em que a música se funde com a arte para criar espetáculos nos quais os artistas não cantam apenas, mas também interpretam personagens num cenário grandioso. Vide David Bowie e seu alter-ego Ziggy Stardust. Mas a cereja do bolo fica para as imagens de Syd Barret, a veia criativa dos primórdios do Pink Floyd.



O outro capítulo que assisti foi o quarto, intitulado Never Say die, dedicado inteiramente ao heavy metal, o único subgênero do rock que sobrevive até hoje. Um ponto positivo é a narração feita pelo veterano da MTV, Mark Goodman. Alguns nomes conhecidos como Jack Bruce (Cream), Bryan Ferry (Roxy Music) e Johnny Rotten (Sex Pistols) deixam seus depoimentos sobre o assunto.

Vale a pena assistir, quem estiver a fim de sair da mediocridade contemporânea e descobrir (um pouco) sobre a história e evolução do rock. Longe de ser um relato completo sobre todas as nuances do estilo, Seven Ages of rock discorre com leveza, mas também com conhecimento, sobre o gênero mais controverso de todos os (sete) tempos.

O documentário está sendo transmitido pela VH1 todo sábado às 22h, com reprise na quarta-feira às 23h.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O gato fedido da internet

Volta o ornitorrinco arrependido com toda a sua cara de pau sem explicar a ausência da semana passada. Últimos suspiros de minhas quase-férias, venho num post não muito extenso.
Retomando o velho hábito de comentar blogs e sites, vou falar sobre um site muito legal que encontrei. Mas antes, já que tem um gato fedido na história, tenho que citar meu vício das férias.

Meu nome é Ornie, e eu sou viciada em Friends há oito anos. Não adianta, se eu estou passando pelos canais e está dando Friends na Warner eu tenho que ver. Mesmo que seja um episódio repetido. Aliás, como todos são para mim, porque devo ter assistido numa média de três vezes cada episódio. Sei que durante as férias revi o último – que eu tinha assistido só uma vez – e admito, rolou uma lágrima singela.

a triste cena das chaves

Entre outros, assisti ao episódio em que a Pheebs grava o clip da música mais famosa da série, e é claro que estou falando de Smelly Cat. Muito engraçado quando ela não reconhece a sua voz no clip por achar muito afinada, quando na verdade é outra pessoa que canta. Ah, e vi também o que a Chrissy Hynde canta Smelly Cat com a Pheebs, muito bom. Ai que saudade dos tempos em que os episódios de Friends eram inéditos...

Voltando ao outro gato fedido, o da internet, eu preciso falar sobre o layout do blog: é um simpático gatinho preto com moscas ao redor. E o fundo é xadrez com roxo: ma-ra!


O blog de Bruna Calheiros e Carlos Merigo fala sobre desenhos animados e tudo o mais que for correlato a este tema. Nas categorias tem humor-negro, terror, nostalgia, séries e outras cositas más.

É uma pena que eu tenha encontrado o blog só agora, quando eu estava numa busca e parei no post com o concurso sobre as Animações dos anos 90, em que o vencedor levava um Almanaque dos anos 90 (cheguei a pensar no meu comentário sobre os Cavaleiros do Zodíaco, meu vício anterior ao de Friends), mas a promoção é do ano passado.

A dica foi dada. Pra quem tem ainda um resquício de férias e de tempo, vale a pena acessar o site e conferir as animações indicadas por quem entende do assunto.

Deixo aqui o vídeo do clássico The Skeleton Dance e aqui, o post do Smelly Cat sobre o vídeo.


Beijinhos do Ornie.

Ah, deixe seu comentário. :)

sábado, 21 de fevereiro de 2009

A verdade está lá fora

Olá! Tenho um aviso a fazer: acredito que antes das minhas aulas voltarem não terei nenhum post decente! Meus assuntos se vão durante as férias e não consigo escrever. No entanto, estou aqui hoje para relembrar e recomendar.

Nesta última quinta-feira fui visitar Limbo Dancer na cidade universo paralelo de Cachoeira do Sul e, como não poderia deixar de ser, envolvidas pela atmosfera misteriosa da cidade portal, fizemos uma maratona de episódios de uma das séries que marcaram a minha infãncia.

Arquivo X, que passava em não sei qual canal da TV averta brasileira, acredito ter sido meu primeiro contato com os temas sobrenaturais. E eu não gostava tanto dos episódios ETsísticos, mas os casos bizarros envolvendo assassinatos me chamavam muito a atenção. Isso além de eu, mesmo quando pequena, achar o David Duchovny bastante apetitoso.






Então, para não ser inútil demais, vim aqui lembrá-los de assistir The X Files. De longe, uma das melhores produções com esse tema. Tudo que veio depois fica bem óbvio depois que acompanhamos os agentes especiais Mulder e Scully em suas empreitadas obscuras.

Beijos e até a volta da minha capacidade de postar.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Limbo Dancer 3D

Eu ainda lembro de ler na SET em meados de 2008 sobre a nova tecnologia 3D que surgia em algumas telas do país, com Viagem ao Centro da Terra. O novo formato seria uma das grandes apostas da indústria cinematográfica na luta contra DVDs, TV a cabo, pirataria etc. Na época eu pensei que passariam anos para que eu finalmente pudesse experimentar a nova tecnologia – até porque a matéria dizia haver apenas 6 salas com suporte para o formato no país. A espera acabou não sendo tanta, no último sábado eu aproveitei o passeio a capital para conferir o tal novo 3D. Nem me importava o filme, eu estava disposta a assistir qualquer coisa em nome da curiosidade (ok, se o filme em questão fosse Hannah Montana e Miley Cyrus show: O melhor de dois mundos eu teria mudado de idéia, but anyaway...)

Qual foi a minha surpresa ao descobrir que o filme em questão era Coraline e o Mundo Secreto. A animação dirigida por Henry Selick (O Estranho Mundo de Jack – único filme que pode ser usado como especial de Natal e de Holloween) e baseado no romance de Neil Gaiman (Sandman), sobre uma menina que encontra na sua nova casa uma porta para um mundo paralelo habitado por versões “melhoradas” da sua família e vizinhos, estava na minha lista de filmes a assistir desde que eu vi o primeiro pôster dela a sei lá eu quantos meses atrás.

"Tenha cuidado com o que desejas"

No sábado então lá estava eu, 18 reais mais pobre (com o desconto de estudante) e tão animada quanto qualquer uma das criançinhas que invadiam a sala felizes com seus óculos 3D – que não são mais de papelão e nem tem lentes azul e vermelha. Era possível perceber que grande parte do público que enchia (mas não lotava) a sessão também era marinheiro de primeira viagem nesse negocio de 3D. Quando o filme estava finalmente começando e a mensagem na tela mandava que colocássemos os “nossos” óculos deu para sentir (e ouvir) a ansiedade de todos. A empolgação só aumentou quando a primeira imagem “saltou” da tela (mesmo que fosse apenas o logo da Dolby Digital) e durante os trailers todos de filmes em 3D que devem ser lançados no futuro próximo.


Confira o trailer de Coraline

Coraline começou com uma agulha deixando a tela e indo em nossa direção, porém, não foram muitos os objetos ou personagens que “saltaram” da tela durante os cerca de 100 min de filme. A animação usa o 3D para imergir o público no mundo (ou melhor, nos dois mundos) da personagem título, e evita o óbvio e fácil recurso de “atirar” objetos e personagens nos espectadores. As poucas vezes em que tal cena aconteceu, entretanto, foram recebidas com grande entusiasmo do público justamente porque o recurso não foi banalizado.

Eu deixei o cinema com uma boa impressão do novo formato de três dimensões. O 3D deu um charme a mais ao já fantástico visual de Coraline. A tecnologia estava a serviço do filme e não o contrário. O restante do público também pareceu simpatizar com o formato, principalmente as crianças que pareciam completamente imersas no universo de Coraline. Quase no final do filme uma das criancinhas até gritou um “eu sei” animado indicando que sabia o que aconteceria a seguir, eu suponho. A única coisa triste foi ter que devolver os óculos no final, eles seriam uma ótima lembrança, mesmo não tendo utilidade alguma fora das salas de cinema.

Coraline e seus "outros país"

PS. Será que eu to ficando megalomaníaca? Esse é o 3º post com o meu “nome” no título...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

With a Little Joy from my friends

Lend me your ears and I'll sing you a song
And I'll try not to sing out of key


Quando as pessoas pensam “ah, chegou o verão”, a primeira coisa que ocorre à maioria é torrar no sol igual a uma cenoura, pegar uma praia, e “curtir os hits da estação”. Ah, os hits da estação, que costumam ser essas coisas que tocam aos montes e latejam involuntariamente na sua cabeça, mesmo que você não queira. Eu, que não fui agraciada pelos deuses com uma melanina que me deixasse bronzeada, resolvi passar uma semana das minhas férias longe do litoral, mais especificamente, no meio dos prédios da capital.

Por indicação de uma amiga, ouvi o cd do Little Joy, gostei do som e fui parar no show da banda no último 27 de janeiro. Era uma terça-feira de muito calor na capital, e o show começava às 22h. Lá fomos nós em direção à Cidade-Baixa, pois a apresentação seria no Bar Opinião, onde a cerveja custa a bagatela (sinta a ironia) de 7 mangos. Mas a salvação estava ao lado. O bar do Élio (assim mesmo sem o H do gás balonístico) que tinha Polar a 3 pratas foi a fonte da qual bebemos antes do início do show.

Em toda a minha vida eu nunca tinha visto uma concentração tão grande de camisetas listradas e óculos de aro grosso como eu vi naquela fila para o show. Já lá dentro, fui sutilmente passando pelas pessoas até conseguir ficar num local estratégico, quase na frente do palco, com uma boa visão. Foi uma junção de fãs dos Los Hermanos, de fãs dos Strokes, e de mim, que sou a única pessoa que conheço até agora que não ama nem odeia o Los Hermanos. Gosto de algumas músicas deles, não ao ponto de me assumir fã nem ao ponto de dizer que são Loosermanos.

A primeira coisa que senti quando Rodrigo Amarante, Fabrizio Moretti e Binki Shapiro subiram ao palco é que são um bando de amigos que estavam ali para se divertir e fazer um som descompromissado. Uma banda de verão, surgida durante o hiato dos Strokes e do Los Hermanos, que não tem a pretensão de ser sonoramente perfeita. Aquela coisa: eu tenho uma letra você tem uma melodia, vamos juntar e ver no que é que dá. E deu certo. Claro, lembrando que a proposta é ser justamente leve.


O que me surpreendeu durante o show, foi que, na primeira música, já dava para ouvir o público cantando toda a letra. Lembrando que o seu primeiro cd o foi lançado relativamente há pouco tempo, em meados de novembro, não imaginei que uma banda tão recente teria tanta repercussão.

Algumas músicas, como a ótima Brand new start têm uma batida de surf music, nada a ver com o insosso do Jack Johnson, me refiro ao surf music dos anos 50, lembrando aquela paisagem das praias da Califórnia com um pé no Havaí. Outras como Keep me in mind, No one’s better sake e How to hang a warhol tem uma nítida pitada de Strokes. Já Play the part é o banquinho e o violão brasileiros enrustidos no inglês. Aliás, todas as músicas são cantadas em inglês, com exceção de Evaporar, tocada numa performance emocionada de Amarante no palco. O Hermano declarou, inclusive, que fez questão de começar a turnê pela capital gaúcha.

O elemento que dá originalidade ao grupo é a namorada de Moretti, Binki Shapiro, que tem um ar nórdico meio Nina Person e uma voz suave que combinou muito bem com as melodias. Em alguns momentos, como na excelente Don’t watch me dancing, o trio lembra um quê de Velvet Underground e Nico.
Agora que a turnê pelo Brasil terminou, Moretti e Amarante retomam a agenda com as suas respectivas bandas. Apesar disso, o Little Joy continua, e com uma pequena alegria dos amigos, o segundo cd já está garantido.

PS: O post saiu antes da hora, porque amanhã estou indo acampar na Serra do Caverá, longe de qualquer resquício de civilização.
PS2: Deixa de preguiça e comenta aí.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O gato de botas da internet

Podem até achar estranho, mas eu sou mais uma que somente se deu conta do apagão do Google (no último sábado pela manhã) quando vi uma reportagem na Revista da Semana (edição 74) esta semana (que trocadilho pééééssimo). Tudo bem, apagão seria mais uma forma de aumentar o número de pseudo-jornalistas que fazem sensacionalismo, contudo, o fato é que, por intermináveis 58 minutos, o Google acusava que praticamente qualquer site que você encontrava no seu buscador faria algum mal ao seu precioso computador. A falha, embora muitos certamente tenham tido medo de que fosse alguma invasão, ou até uma brincadeira da própria empresa (que costuma aprontar para os seus clientes de vez em quando), foi humana.

Sim, alguém dono de um altíssimo QI, que fala várias línguas e que é quadragesimamente graduado em alguma universidade, cometeu o erro de “dizer” para o programa que protege o Google de malwares (atualizado semanalmente) que todos os sites que possuíssem o seguinte símbolo “/” deveriam ser enquadrados como ameça.

Vamos ver, ham... o nosso blog, se fosse digitado diretamente na caixa de endereço de um navegador, até poderia se salvar. Olhem só:
ganguedohipertexto.blogspot.com. Agora, se alguém estivesse procurando algo específico no blog pelo chefão-mor da internet já se sentiria prejudicado, afinal, qualquer outra linkagem que pode ocorrer leva o magnífico “/” em seu endereço e o nosso blog entraria facilmente na lista negra do Google.

O problema foi resolvido e agora o buscador não está mais neurótico, achando que quase todos os sites querem fazer malzinho ao seu computador. Só que esses poucos momentos de loucura do Google geraram discussões sobre o seu monopólio na intenet.

Vamos combinar, você pode até não usar o Gmail, ou o GoogleReader, mas certamente você tem Orkut. Ou acessa o Youtube. Ou já usou o GoogleEarth. Embora nem todos estes aplicativos tenham sido desenvolvidos por Sergey Brin e Larry Page, foi a empresa deles que comprou por uma bagatela (foram caros, mas acredito que não devam chegar perto do valor atual) os sites mas acessados atualmente, principalmente no Brasil.

A revista chega a citar que se trate de um fenômeno recente, chamado de monocultura (“quando um produto ou uma tecnologia se torna dominante”), porém, eu ainda não fui convencida de que este é o termo mais adequado. Para mim, embora o Google ofereça a grande maioria de seus serviços gratuitamente, não se pode negar que se trata de uma empresa, que visa a "satisfifação" de seus clientes, que veem e algum dia hão de clicar em uma das propagandas hospedadas em algum dos sites de propriedade da organização e dar um dinheiro pro “papai”. Só que, como muita gente se utiliza de sites do Google, muita gente vê as propagandas, e o interesse da publicidade é justamente este. Então é batata. A maioria dos anúncios não custa muito, o Google quer apenas uma parcela do que você lucra. E, me desculpem o lugar-comum, a galinha vai enchendo o papo e acaba chocando ovos de ouro.

E todo esse parágrafo foi pra explicar o quanto, para mim, o termo monocultura é restrito e abragente (sim, ambas as definições) demais para definir o que o fenômeno que se dá dentro de uma organização econômica. Monopólio seria um termo, creio, mas claro, pois engloba a característica de empresa.

E esta empresa, que oferece serviços muito úteis gratuitamente, nunca bloqueou o seu PC para que você somente usufruísse de seus próprios produtos (como acontece, ainda, com as operadoras de celulares). Você está livre para (tentar) escapar das garras do Google. Um felino, que ao invés de te dar o bote, de olhará com os olhos do gato de botas do Shrek e te convencerá do quanto ele pode ser bom pra você.





Beijos da Póka.


PS1: Prometi que não atrasaria mais post, e juro que não foi o caso. É que eu tenho um rim direito querido que, de vez em quando, inventa de pegar umas infecções. E como estou presa a ele (bom, aos 40% ou 60% que sobraram dele depois que fiz uma cirurgia aos quatro anos) acabo tendo algumas limitações. O pc de casa e o do Petit também não quiseram colaborar neste "momento difícil".

PS2: Graças ao meu magnífico teclado, que veio na bagagem, posso digitar a letra "ç" (vocês não têm ideia de como ela faz falta).