Eu lembro de estar brincando dentro da minha barraca da turma da Mônica que estava montada em algum canto da sala de TV. Isso nos tempos em que eu Limbo Dancer era apenas um projeto de gente, pequena o suficiente para caber em uma barraca da turma da Mônica (alguém mais tinha uma dessas?). A minha mãe estava vendo TV, mais precisamente o Jornal Nacional. Eu que era nova demais para entender a tal notícia tenho apenas a vaga lembrança da imagem de um homem saindo de um prédio cercado de jornalistas e da minha mãe dando graças a Deus que o tal homem não era mais presidente do Brasil. Acho que mais que qualquer outra coisa foram as palavras dela que fizeram com que esse momento ficasse gravado na minha memória. Lembro de ela dizer que ele (o tal homem que deixava o prédio) acabaria com o país.
Essa é uma daquelas memórias de infância tão remotas que a gente até se questiona se realmente aconteceram. Mas eu tenho 99% de certeza que ela é real e outros 99% de certeza que ela se refere ao dia em que Fernando Collor de Mello renunciou. Por mais que os meus pouquíssimos 4 anos de vida me impedissem de entender o que diabos estava acontecendo naquele momento, as palavras que eu ouvi naquele dia ficaram na minha cabeça. “Acabar com o país” na cabeça de uma criança significa literalmente acabar com tudo, destruir sem deixar qualquer resquício, nessa idade não existe metáfora ou qualquer outra figura de linguagem.
A nossa memória é no mínimo engraçada – pelo menos a minha é. Porque ela escolhe guardar determinados momentos e esquecer outros? E não me venham com explicações científicas, psicológicas ou whatever, esse post não tem a menor intenção de encontrar repostas. Ele é apenas para relembrar e no máximo levantar uma pergunta ou outra.
Do meu primeiro dia de aula eu só lembro de chorar compulsivamente no colo da minha professora, ou melhor, “tia” depois de ser atingida por um balanço desgovernado. Ironicamente, quem “pilotava” esse balanço era a Priscila que viria a se tornar a primeira e mais antiga das minhas melhores amigas. Se você perguntar para ela sobre essa história ela com certeza dirá que fui eu quem atravessou imprudentemente em frente ao balanço dela. Não acreditem...
Lógica de criança é outra coisa engraçada. Eu lembro perfeitamente de discutir ferrenhamente com a Pri (não consigo usar Priscila muito tempo) sobre qual dos nossos novíssimos cachorros tornar-se-ia (aha, usei até uma mesóclise!) maior. Detalhe: a Pri tinha uma Boxer e eu um Cocker. Outra discussão recorrente era qual de nós duas tinha mais Coca-Cola no seu copo ou coisas do gênero (tenho certeza que depois desse comentário vai aparecer alguém da gangue para me acusar de ser viciada em Coca-Cola desde pequenininha).
Dos desenhos animados que eu assistia (aí já um pouco maior) eu lembro de 3 em especial: Carmen San Diego que eu nunca mais vi passar em lugar algum e até hoje a única pessoa que eu conheci que também assistia é a Poodle; As novas aventuras de Jonny Quest, que eu consegui rever “depois de grande” graças ao magnífico You Tube; e Tintin que eu mal posso esperar pra ver no cinema depois que o Spielberg e o Peter Jackson terminarem de adaptar.
Até os meus 11 anos de idade eu fui uma criança extremamente medrosa. Hoje eu não vejo problema algum em ver filme de terror no meio da madrugada, sozinha em casa numa sexta feira 13 chuvosa. Eu lembro de ter muito medo de um jogo de computador que meu tio costumava jogar. Alguma coisa relacionada a uma casa mal assombrada cheia de passagens secretas e afins, porém, por mais que eu tivesse medo do jogo eu queria saber o que aconteceria na fase seguinte. Talvez tenha sido a minha curiosidade que eventualmente superou o meu medo. O fato é que o último filme que me fez tapar os olhos com as duas mãos foi O Sexto Sentido. Lembro que anos depois quando revi o filme descobri que as memórias que eu tinha dele eram muito mais assustadoras que as cenas reais.

Mas a memória da gente é assim mesmo. E às vezes elas nem precisam estar 100% corretas ou, até mesmo, existirem de verdade para serem importantes. Às vezes a gente ouve histórias e/ou vê fotos tantas vezes que cria memórias inexistentes, ao mesmo tempo em que esquece algumas das memórias que realmente existiram... Que dia é hoje mesmo?
Essa é uma daquelas memórias de infância tão remotas que a gente até se questiona se realmente aconteceram. Mas eu tenho 99% de certeza que ela é real e outros 99% de certeza que ela se refere ao dia em que Fernando Collor de Mello renunciou. Por mais que os meus pouquíssimos 4 anos de vida me impedissem de entender o que diabos estava acontecendo naquele momento, as palavras que eu ouvi naquele dia ficaram na minha cabeça. “Acabar com o país” na cabeça de uma criança significa literalmente acabar com tudo, destruir sem deixar qualquer resquício, nessa idade não existe metáfora ou qualquer outra figura de linguagem.
A nossa memória é no mínimo engraçada – pelo menos a minha é. Porque ela escolhe guardar determinados momentos e esquecer outros? E não me venham com explicações científicas, psicológicas ou whatever, esse post não tem a menor intenção de encontrar repostas. Ele é apenas para relembrar e no máximo levantar uma pergunta ou outra.
Do meu primeiro dia de aula eu só lembro de chorar compulsivamente no colo da minha professora, ou melhor, “tia” depois de ser atingida por um balanço desgovernado. Ironicamente, quem “pilotava” esse balanço era a Priscila que viria a se tornar a primeira e mais antiga das minhas melhores amigas. Se você perguntar para ela sobre essa história ela com certeza dirá que fui eu quem atravessou imprudentemente em frente ao balanço dela. Não acreditem...
Lógica de criança é outra coisa engraçada. Eu lembro perfeitamente de discutir ferrenhamente com a Pri (não consigo usar Priscila muito tempo) sobre qual dos nossos novíssimos cachorros tornar-se-ia (aha, usei até uma mesóclise!) maior. Detalhe: a Pri tinha uma Boxer e eu um Cocker. Outra discussão recorrente era qual de nós duas tinha mais Coca-Cola no seu copo ou coisas do gênero (tenho certeza que depois desse comentário vai aparecer alguém da gangue para me acusar de ser viciada em Coca-Cola desde pequenininha).
Dos desenhos animados que eu assistia (aí já um pouco maior) eu lembro de 3 em especial: Carmen San Diego que eu nunca mais vi passar em lugar algum e até hoje a única pessoa que eu conheci que também assistia é a Poodle; As novas aventuras de Jonny Quest, que eu consegui rever “depois de grande” graças ao magnífico You Tube; e Tintin que eu mal posso esperar pra ver no cinema depois que o Spielberg e o Peter Jackson terminarem de adaptar.
Abertura de Jonny Quest
Até os meus 11 anos de idade eu fui uma criança extremamente medrosa. Hoje eu não vejo problema algum em ver filme de terror no meio da madrugada, sozinha em casa numa sexta feira 13 chuvosa. Eu lembro de ter muito medo de um jogo de computador que meu tio costumava jogar. Alguma coisa relacionada a uma casa mal assombrada cheia de passagens secretas e afins, porém, por mais que eu tivesse medo do jogo eu queria saber o que aconteceria na fase seguinte. Talvez tenha sido a minha curiosidade que eventualmente superou o meu medo. O fato é que o último filme que me fez tapar os olhos com as duas mãos foi O Sexto Sentido. Lembro que anos depois quando revi o filme descobri que as memórias que eu tinha dele eram muito mais assustadoras que as cenas reais.

"I see dead people"
Mas a memória da gente é assim mesmo. E às vezes elas nem precisam estar 100% corretas ou, até mesmo, existirem de verdade para serem importantes. Às vezes a gente ouve histórias e/ou vê fotos tantas vezes que cria memórias inexistentes, ao mesmo tempo em que esquece algumas das memórias que realmente existiram... Que dia é hoje mesmo?