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domingo, 3 de maio de 2009

Sangue

Olá! Volto hoje, depois de todo esse tempo, com um post que interessa principalmente às mulheres, mas que de certa forma afeta a todos nós. Esse post já está na minha cabeça há meses, mas acabei deixando ele mais para a frente. Bem, nojentinhos e nojentinhas, abram suas cabeças, relaxem no sofá e preparem-se para ler, pois qui apresento-lhes o Menstrual Cup, ou como é chamado no Brasil, Copo Menstrual ou Coletor Menstrual (daqui para a frente, só chamado de "cup").

Para comerçar: o que me fez lembrar deste post não escrito foi um texto publicado em um blog da Revista Época, que falava do Cup. O texto foi mal apurado. Desculpe-me, colega jornalista, mas é verdade. Fala de forma parcial e simples demais de algo que não foi testado pela autora. Ela se explica nos comentários; aquela não foi a intenção. Mas mais cuidado da próxima vez.

Além da falta de apuração, o que mais me impressionou foram os comentários: nunca vi tanta gente fechada em um só lugar. E, como se não fosse o suficiente, mal-educada.

Mas pois bem, vamos ao que interessa. Eu uso o cup há mais ou menos 8 meses. Eu o descobri na comunidade DIY For Vixens do Orkut e logo de cara achei uma boa idéia. Hoje, não troco por absorventes nunca mais. Agora, você se pergunta: "Mas o que diabos é isso, Poodle? Copo? Que loucura!". O cup é uma alternativa aos absorventes descartáveis que usamos hoje e apresenta uma infinidade de vantagens. Ele é um copinho feito de silicone reutilizável que é inserido no canal vaginal e coleta o sangue no lugar de absorvê-lo. O sangue é derramado no vaso sanitário, o copo é sanitizado e reinserido.

Ei-lo. O Menstrual Cup.



Muita gente tem nojinho. Nojinho totalmente sem razão! (esse é meu blog e não depende de nenhuma empresa jornalística; posso ser o quão parcial eu quiser.). As pessoas que falam mal dele sem nem pesquisar têm muitos argumentos! Vamos a eles (na sua maioria retirados dos comentários do texto citado no começo do post e de posts em comunidades do orkut):


- É anti-higiênico! Imagina lavar isso na pia???: O cup é muito higiênico. Você não PRECISA lavar na pia. Pode lavar em qualquer lugar. Caso esteja em um banheiro público, pode usar uma garrafinha de água enquanto está no vaso e lavá-lo alí mesmo. Entre um ciclo e outro ele é fervido com a intenção de ser esterelizado, além de poder ser lavado todos os dias com água quente, no banho, por exemplo. Além disso, é difícil ter que lavar ele em um banheiro público, já que ele pode ser usado por até 12h.

- Deve ser desconfortável! Se OB já é desconfortável e é pequenininho, imagina esse copo aí?: Bem, para começar, o OB é feito de material absorvente, que suga a umidade do canal vaginal, causando uma sensação de rasgo quando é inserido ou retirado. Além disso, ele fica bem pra cima no canal. O cup fica na entrada do canal, com apenas um pequeno cabinho para fora. Ele é feito de silicone, o que garante que a umidade natural da vagina não será perdida. O mesmo fator garante que ele se moldará às suas curvas internas, garantindo o conforto. Não se sente o cup quando colocado corretamente.

- Mas é nojento reutilizar; será que não causa a proliferação de bactérias?: absorventes externos são colônias horrendas de bactérias. A proliferação acontece quando o sangue entra em contato com o ar e oxida. A mesma coisa com os internos: são colônias; mesmo estando dentro de você o sangue oxida. Com o cup, um selamento é formado na hora da colocação e o sangue permanece sem entrar em contato com o ar, o que, além de impedir as bactérias de se proliferarem tanto, mantém o sangue sem cheiro. É, alguns também dizem que o sangue menstrual fede. Sangue que fica em contato com o ar fede. O coletado com o cup não!

- Mas e na hora de tirar? Eu vou me sujar toda!: Não vai, não. Depois que se pega a prática, a inserção e retirada ficam muito fáceis.

- Mas é muito grande! Eu não vou enfiar isso na minha b****a! Vai me alargar toda! (sim, com essa linguagem mesmo): Olha, querida, se você nunca teve nada da largura do cup enfiado no seu canal vaginal, ou você é virgem ou... bem... eu tenho muita pena de você.

- Que idiota isso! Só pode ser idéia de um homem sem noção!: Bem, na verdade ele foi patenteado por uma americana, mulher, chamda Leona Chalmers... o que nos leva ao nosso próximo argumento.

- Essas novidades "verdes" nojentas vão nos levar de volta à idade da pedra; que voltemos aos paninhos da vovó então, já que temos que lavar essa coisa: o cup não é novidade, ele foi patenteado nos anos 1930. Ele só não decolou porque era feito de látex e muita gente tinha alergia a látex. Além disso, havia um certo tabu quanto a enfiar coisas... hehehe hipocrisia é pouco, non?

- Mas que nojo! Sangue menstrual é sujo! Vai pegar em mim! Eca!: sangue menstrual não é sujo! É apenas sangue como qualquer outro. Incrível como as pessoas tomam porres homéricos, vomitam, caem de cara no vômito e depois riem da coisa. Ou como a gente coloca os papéis usados numa latinha do lado do vaso que fica lá um dia inteiro. Ou como a gente limpa a bunda dos bebês. Ou como a gente faz SEXO! Como a gente faz sexo oral! Como a gente beija na boca, entrando em contato mais do que direto com secreções dos outros! Mas sangue? Sangue, não! Sangue é nojento! Ainda mais o meu próprio! Imagina isso!

- Mas não é nada prático! Imagina ter que lavar essa coisa o tempo todo!: como eu disse antes ele pode ser usado por até 12h e nunca foi relacionado à Síndrome do Choque Tóxico, doença rara, mas que pode ser fatal, relacionada ao uso de absorventes internos por tempo prolongado. Então é só lavar 2 vezes por dia.

- Mas meu fluxo é imenso! Vai transbordar!: colocado corretamente, o cup não vaza. Mesmo. Além disso, os absorventes dão a idéia de que temos um fluxo muito maior do que realmente é; eles têm pouca capacidade de absorção e por isso têm de ser trocados com frequência. Ao usar o cup você vai ver que o nível do seu fluxo, em 12h, não poderia transbordar o cup. Dito isto, acredito que os absorventes são menos práticos.



"One Girl, Two Cups": Vídeo que fala quase tudo sobre o Cup. O título é uma bem-pensada brincadeirinha com o conhecido "Two Girls, One Cup", já citado por mim aqui no blog.


Ufa! Bem, além de todas essas coisas, o cup é ambientalmente amigável. O silicone, material de que ele é feito, dura até 10 anos se bem cuidado. Você tem idéia de quantos absorventes descartáveis você usa em 10 anos? E de quanto tempo eles levam para se decompor? Quanto à decomposição eu não sei, mas vamos aos cálculos!

Imaginemos que arredondando para menos, você use uma caixinha de OB ou pacote de absorventes externos por ciclo. Isso são 10 absorventes por ciclo. São 12 ciclos por ano: 12 ciclos x 10 anos = 120 ciclos; 120 ciclos x 10 absorventes = 1200 absorventes! Agora, vejamos financeiramente. Imagine que você gaste 4 reais por ciclo (o que é uma estimativa bastante amigável; sabemos que é BEM mais). 4 reais x 12 ciclos = 48 reais. Em 10 anos, 480 reais.

O cup custa 70 reais no Brasil, vendido pelo site Guia Vegano e ás vezes até menos em sites gringos. Mais de 400 reais economizados! E isso que aquele precinho alí que usamos para os cálculos está bem caramarada.

Além de tudo, uma questão crucial: nada de substâncias químicas em contato com o seu corpo. Alvejantes e muitos outros são encontrados em absorventes. Eles garantem que eles sejam branquinhos, que mantenham o sangue e que sejam perfumadinhos. Só que isso não parece tão saudável quando se pensa nisso, não?

Ele é mais prático, mais limpo, mais barato, mais ecológico. Eu posso dar meu relato e dizer que eu nunca me senti desconfortável. Depois de 2 ciclos ele nunca mais vazou. Além disso, os OBs que me sobraram de ciclos anteriores nunca mais saíram da gaveta.

Existem muitas questões mais a serem abordadas sobre o cup. Existem inúmeras marcas e uma delas deve se adptar a você. Caso muitas pessoas perguntem nos comentários, me disponho a escrever novo post respondendo a tudo.


Vídeo que mostra como dobrar o Cup para inserir.

Agora, peço mente aberta. Eu me decepciono com mulheres que não param para prestar atenção em algo que diz respeito justamente a elas. Já li muitos comentários ignorantes por aí sobre o cup. Eu entendo que algumas pessoas não se adaptem, mas nem por isso se deve achar que é algo de fora do planeta.


Esperteza, queridinhos, perspicácia! Informação só tende a melhorar nossas vidas. Por isso, explorem os links, vejam o vídeo, (re)leiam o post, perguntem nos comentários! Meninos: indiquem para as mães e namoradas. Eu não troco meu cup por nada!

Mais links sobre o assunto:

Beijos da Poodle, queridinhos! E até meu próximo (e imprevisível) post!

P.S.: Amanhã, dia 4 de Maio, é meu aniversário! Vintinho, hein! Dêem parabéns para a Poodle nos comentários. ;)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Amor de plástico

Olá, queridos. Volto nesta sexta-feira com mais um assunto que deve agradá-los. Meu cronograma de escrita não vem sendo cumprido. Todos os temas que eu pretendia abordar nas últimas semanas acabaram deixados para mais adiante. O motivo? Além de uma certa falta de tempo, muitas coisas vêm chamando minha atenção nestes últimos tempos. Matérias jornalísticas que valeram a pena ler e que trouxeram à tona alguns aspectos da vida humana hoje. Apreciaremos durante o post trechos de uma música que se adequa ao ponto onde quero chegar.


Her green plastic watering can*
For her fake Chinese rubber plant
In the fake plastic earth.
That she bought from a rubber man
In a town full of rubber plans
To get rid of itself.
It wears her out, it wears her out



Meu tema de hoje é, pois, a substituição. Não, não a substituição de ovo por linhaça em receita de bolo, mas a substituição de alguma forma de afeição humana por algo que se assemelha - assustadoramente, às vezes - e que possa suprir o que falta a muita gente.

Este tema tem duas facetas. Contraditórias - ou nem tanto. Coincidentemente (ou não), vim a conhecer nossos ilustres convidados de hoje por meio de matérias da Revista Marie Claire.

Mas chega de enrolar e vamos logo ao que vim tratar. Vamos começar pelo soft core.





Owwwwwwwwn... Que linda a pequena Sonia dormindo na calma de sua não existência. O que você não sabia até agora é que ela não é de verdade. Ela é um Reborn Baby, criado por uma artista plástica. Incrivelmente real, não? Mas Sonia não é uma peça artística de museu. Ela pertence a alguém, que a trata como filha.

Os artistas que constróem estas verdadeiras obras recebem cada vez mais pedidos. E que pedidos - cada Reborn pode custar entre R$ 1.000 e R$ 5.000, tudo pelo minucioso trabalho de recriar pequenos bebês que não crescem. Muitas mulheres ao redor do mundo "adotam" Reborns - mais de um, até 20 - e os tratam como se fossem seus filhos.

Andar na rua com um Reborn não é algo incomum. A maior parte das pessoas ao redor não nota que não é um bebê de verdade. O famoso episódio em que um policial quebrou o vidro de um carro acreditando estar salvando um bebê desacordado no banco de trás foi causado por um Reborn.


* She lives with a broken man
A cracked polystyrene man

Who just crumbles and burns.

He used to do surgery

For girls in the eighties

But gravity always wins.

And it wears him out, it wears him out.




Agora, a razão que leva tantas mulheres a terem estas criaturinhas, às vezes tçao bizarras, em casa e tratá-las como reais é desconhecida. Alguns alegam ser apenas uma forma lúdica de enfrentar a velhice e o fato de os filhos já estarem crescidos. Não existem conclusões e as opiniões especializadas dividem-se entre os benefícios da fantasia e a regressão emocional causada por falta de afeto.



Reborns me assustam.



Eu realmente acho os Reborn obras de arte magníficas e, a título de coleção eu os considero incríveis, mas acharia muito bizarro se a minha mãe, no lugar de um Poodle (owwwn) tivesse comprado um Reborn.

Para segunda veia do assunto de hoje, temos algo mais delicado, mais mal visto e muito mais caro. A evolução da boneca inflável - as Real Dolls. Também feitas a mão, como os Reborns, mas com atrativos e funcionalidades bastante diferentes, elas foram inventadas por McMullen e produzidas em sua empresa Abyss Creations na California, Estados Unidos.



Modelo de Real Doll.



Elas são a coisa mais avançada que se pode pensar. Incluem os "3 orifícios padrão", removíveis, laváveis e ... esquentáveis, para o prazer de seus donos - além de um corpo feito com silicone que imita o mais próximo possível a sensação de pele. Cada uma pode custar mais de US$6.000. Até aí, tudo que podemos dizer é que é apenas mais uma invenção da indústria do sexo. A coisa que me intriga é o fato de muitos homens tratarem-nas não apenas como bonecas, mas como suas mulheres, a ponto de deixarem totalmente de lado qualquer tentativa de relacionamento com mulheres "orgânicas", como eles se referem.



She looks like the real thing*
She tastes like the real thing
My fake plastic love.

But I can't help the feeling

I could blow through the ceiling

If I just turn and run.

And it wears me out, it wears me out.



Começando do começo, a atração por seres imóveis que imitam a figura humana não é novidade de nossos tempos. Aliás, isso tem um nome: agalmatofilia. Desde a tragédia grega a atração por estátuas vem sendo contada e recontada. Em 1877 o caso de um jardineiro que tentou transar com a Vênus de Milo foi registrado pelo psiquiatra Autro-Húngaro Richard von Krafft-Ebbing.

Como eu disse, até aí tudo bem. A atração sexual por coisas aleatórias é bem conhecida por aí. Fetiches ou parafilias, como a dos Looners (fetiche por balões. Sim, balões), ou a maieusofilia (excitação com a visualização de partos) têm cada vez mais variações.

Por tudo que me compete, nada que não machuque os outros é um problema e eu não estou em posição de julgar os possuidores de Real Dolls ou Reborn Babies. O que me chama a atenção é todo o afeto e carinho dispensado em algo que simplesmente não corresponde. Não que a indiferença não esteja presente entre nós, corpinhos providos de vida e calor próprio, mas estas substituições me levam a pensar que talvez todo o distanciamento que vivemos hoje seja a causa de uma procura tão ávida por seres que não podem nos rejeitar.

As interações tornam-se cada vez mais efêmeras, as relações de confiança se partem em pedacinhos, como um pirulito de caramelo que cai no chão. Tornamo-nos cada vez mais incapacitados emocionalmente, não é mesmo? A precisão do nosso mundo regulado não existe no campo humano e isso nos deixa impotentes. Não podemos suportar uma ação não esperada.

Talvez por isso, uma das relações que a repórter
Meghan Laslocky aponta em sua matéria vencedora do Clay Felker Award, "Real Dolls: Love in the Age of Silicone", entre outras, seja com o autismo. O autista não suporta não saber o que vem pela frente. Seu mundo é calculado e a menor mudança pode deixá-lo em pânico.

Reborns não morrem, não adoecem, não nascem feios (a menos que você queira), não te deixam acordado a noite. Com eles você não tem que correr pro médico, não tem que lavar a roupa. Não precisa ficar ouvindo a sua mãe te dizendo como criar seu próprio Reborn. Você não precisa ser uma mãe perfeita. E o mais importante, eles não crescem. Eles nunca vão entrar na puberdade e te dizer que te odeiam. Eles não te abandonam.

Real Dolls, por sua vez, não reclamam dos seus hábitos irritantes, da toalha molhada em cima da cama, dos amigos, do futebol na tevê. Elas sempre te escutam, sempre querem sexo - e sempre do jeito que você gosta. Com elas não há perigo de se fazer algo errado, não há a necessidade de cumprir o papel que se espera de você. E elas não te trocam por um cara mais rico, mais bonito e mais novo. Elas não te abandonam.

Na internet, 'mamães' de Reborns exibem seus bebês em poses montadas e roupas variadas. 'Namorados' de Real dolls exibem suas amadas em fóruns e se caracterizam como um movimento organizado. A revista Coverdoll tem sua versão online e é totalmente voltada para amantes de Real Dolls. "Perfis" de Real Dolls são publicados lá. Os donos criam um personagem e agem como se ele fosse real. Zara tem seu próprio perfil, publicado na edição de Novembro deste ano.


Zara é a garota da capa da Coverdoll de Novembro.


Além de achar este tema muito interessante e simplesmente querer ler mais e mais (e escrever, porque tinha muito mais o que dizer), proponho as seguintes questões: até onde vai o limite da nossa noção de realidade? Quando começamos a perder a conexão com o mundo? Afinal, não são os outros humanos quenos tornam humanos? Quanto tempo vai demorar até que vejamos famílias falsas inteiras - mãe Reall Doll, baby Reborn / pai Real Doll (sim, existem as versões masculina e até she male), baby Reborn)? Por que procuramos afeto em objetos sintéticos? Se tantos procuram afeto, porque não se consolam uns aos outros? Que medo é este que temos de nós mesmos? E, por fim, a que isto nos leva?

Não acredito que o ato de ter uma Real Doll ou um Reborn em si seja nocivo. Aliás, vejo mais com um sintoma. Não de falha emocional e social individual, mas algo que vem chegando como uma onda a todos nós. Perder a capacidade humana de se relacionar e de lidar com os sentimentos talvez comprometa todas as áreas de nossas vidas. A coisificação do ser humano, que se obriga a ficar fechado dentro de si.

Talvez estejamos no caminho de nos tornarmos cada vez mais parecidos com RealDolls e Reborns. Cada vez mais sintéticos e fechados. Passivos e submissos.


*And if I could be who you wanted
If I could be who you wanted

All the time, all the time.




Bem, chego ao fim deste post. Desculpem pelo texto atravancado, algo não anda bem nas minhas sinapses. Deve ser o calor.

Fantasia é aprovada pelo canguru. Um mundo de plástico é temido por ele.

Fiquem com mais uma música que ilustra muito bem o nosso assunto de hoje. Procurem a letra, ela é medonha e poderia ser cantada por uma Real Doll (se elas cantassem).








Beijos e até a próxima (prometo que melhoro a escrita)! Não se esqueçam de comentar! :D


* Trechos da música Fake Plastic Trees do Radiohead.
Tristeza reflexiva só pra você.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Nudez Suicida

Há quem diga que a nudez é bela, e eu concordo. O erótico também, por que não? A menos que seja uma pornografia escancarada (vide two girls one cup - me recuso a por o link disso aqui. Procurem no google.), muitas vezes a coisa (fotos, vídeos e não a 'coisa' que vocês estão pensando) pode ser muito bem feita.Há aqueles que dizem, também, que a exposição do corpo feminino ajuda a rebaixar a mulher à condição de objeto e que, certamente, as moças que o fazem não têm respeito próprio. Há também a velha questão dos padrões de beleza "impostos pela mídia"

Pois bem, a discussão vai longe, e há os que dizem de tudo. Sobretudo, há os que falam sem pensar. Para mim, o nu nada mais é que uma das formas mais bonitas de arte. Eu já fiz desenho de modelo nu e, acreditem, é a coisa mais fascinante de se retratar. Seja em desenho ou em fotografia, o corpo nu me agrada e me atrai muito.

Uma das questões mais recorrentes sobre esse assunto é a de que o que separa arte de pornografia é a finalidade de sua publicação. No entanto, a finalidade da publicação nem sempre fica clara. Bem sabemos que nem sempre a nossa mensagem chega intacta ao receptor e que pode ser interpretada de várias formas, ao gosto de quem olha.



O site americano Suicide Girls pode ser um dos que está sobre a fina linha entre arte e pornografia. Para mim, tem mais de arte, mas não posso negar que algumas das garotas fazem seus ensaios com a sacanagem em mente. E isso é bem visível.





O SG tem uma proposta diferente. A intenção é trazer meninas (e só meninas) com uma beleza diferente. Nada de loiras esculturais, altas e magérrimas com cabelos ao vento. Que tal uma bela punk e a companhia de seu piercing genital? Ou uma gótica em meio a lápides de cemitério, vestindo apenas suas meinhas rendadas?




Do gótico ao emo, do adocicado ao zombie, o SG tem de tudo. Desde que não seja convencional. As meninas que um dia foram rejeitadas no colégio (lembranças, lembranças...) agora são símbolos sexuais e, por que não, musas de lentes que produzem arte. Nerds (lol), punks, góticas, emos, outsiders, underdogs, gordinhas, magrelas, tattooadas, furadas (com piercing), modificadas, de cabelo colorido, sem peitos, sem bunda, com estrias, cicatrizes. Todas elas agora são vistas e apreciadas no mundo todo, do jeito que são (Sem photoshop! Regra primordial do SG).




Mas ser uma SG não fica só nas fotos. Uma das escolhidas assume seu pseudônimo e cria um perfil e um blog na página do Suicide, onde interage com os assinantes. Sim, o SG é um site pago. A mensalidade é de US$4,00 por mês. Uma Suicide Girl ganha US$500,00 por ensaio aceito. Se eu pago os US$4,00? Até pagaria, se minha preguiça não me acometesse e os brasileiros já não tivessem dado um jeitinho. Aliás, no futuro, pretendo ser uma das assinantes. Por que não também, uma das modelos? (chorem de horror! hahaha) Só já não tentei me inscrever por medo do que isso pode acarretar para minha carreira de "respeitável jornalista".


As meninas vêm de todo o mundo. Aliás, o SG é conhecido em todo o mundo. Muitas vêm do Brasil. Aqui não é possível, mas nos EUA, uma SG participa de todo tipo de evento. O show do SG já abriu para o Guns n' Roses (que aliás, deve lançar o Chinese Democracy dia 23 de Novembro próximo... esperemos) e muitas das gurias já foram capas de revista e participaram de programas de TV, como CSI: NY. Entre os mais chegados a esse tipo de estilo, ser SG chega a realmente ter um status.
Mas indo ao que interessa (as fotos), digo que há muitos ensaios lindos.

No entanto, tem muita coisa, com o perdão da palavra, escrota. Isso na minha opinião. Sou bem aberta (minha mente) a novas coisas, mas certas imagens não me agradam. Prefiro os ensaios mais poéticos e aqueles que têm historinhas. Os temáticos e que revelam a personalidade da SG são os melhores. Adoro olhar os ensaios que contam uma narrativa.




Eu acho que as garotas que enviam seus ensaios para o SG têm atitude e não se preocupam com o que o mundo pensa delas. Para as feministas de plantão, que condenam esse tipo de incitiva, aí vai minha opinião: é uma conquista muito maior do que proibir a exibição da figura nua da mulher, o fato de podermos fazer isso sem pedir permissão a homem nenhum. O fato de podermos fazer isso e sairmos na rua sem sermos apedrejadas. O fato de podermos nos sentir bem com nosso próprio corpo e o fato de podermos ganhar dinheiro com isso sem nos sentirmos culpadas ou sujas por tê-lo feito.

Modelos que posam nuas para obras de arte ou aulas de desenho são menos condenadas e eu não vejo o porquê. O que fazemos só deve ser medido por até que ponto isso afeta aos outros e até onde nos agrada. Se quer tirar a roupa, tire e have fun!


Bem, não estou dizendo que toda forma de nudez é bela, nem justificada. Só acho que antes de lutar contra ensaios de moças maiores de idade, feitos consensualmente, deveríamos estar lutando contra a exploração e o abuso sexual, não só de mulheres. De homens também, e principalmente de crianças. Pense nisso da próxima vez que estiver pronto para falar mal de revistas como a Playboy e sites como o SG, só para parecer intelectual e crítico.

O SG já é tão grande que já conta com sua própria versão impressa, filmes e vídeos, grife de roupas (inclusive as íntimas, of course) e todo tipo de parafernália, como buttons e faixas.
Até mesmo os famosos baralhos com moças nuas ganharam sua versão Suicide. Até mesmo roupas masculinas. Mas, e aí? É arte ou não é? Qual é a finalidade? Depende da garota, depende do ensaio, do fotógrafo e, principalmente, dos olhos de quem vê.



O Suicide Girl é aprovado pelo Canguru!


Amanhã teremos o resultado da promoção! Fiquem atentos! Semana que vem teremos uma conversa com o feliz ganhador!


Beijinhos! ;)

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Fodas Frustradas

Olá, meus queridinhos leitores! Volto nesta sexta-feira (meu dia de direito, que ninguém me tira) para trazer para vocês um endereço que eu considero extremamente engraçado. Não sei se para todos... Talvez para mulheres e para os homens com o senso de humor mais relax, que não tenham tanta neura consigo mesmos.

Sendo sinceros, sinceramente: sabem quando a coisa vai ir mas acaba não indo? Hohoho. "Seja mais específica, amada Poodle", dizem eles. Pois bem, falo de peripécias sexuais frustradas. Quando a coisa parecia que ia, que ia ser bom, que ia gozar e... é... não foi.É disso que fala o Morfologia da Pica. O próprio título do Blog já denuncia o assunto. A intenção é 'desvendar a pica'. E, bem, pois a coisa é bem explícita mesmo. Não entrem vocês, puritanos, que não gostam de ouvir (ler, whatever) nomes alternativos para o orgão sexual masculino, pois este é mencionado um tanto de vezes.

Deixando de enrolar, o Morfologia da Pica é redigido por Doralice Lombardi, ou simplesmente Dora Lomba. Ela personifica todas as mulheres de 20 e poucos anos do mundo que sofreram com a incompetência (e/ou impotência) sexual dos garotinhos que passaram por suas vidas. O nome creio ser fictício, mas Dora se apresenta no primeiro post como uma arquiteta de 27 anos, de São Paulo e, pelas minhas andanças pelo blog cheguei à brilhante conclusão de que Dora é não uma, mas duas pessoas! Pasmem! Mas é só uma conclusão minha.


Como eu sou muito sortuda não consegui falar com as autoras do blog. Ele passou um mês sem atualização e somente dia 7 de Outubro veio a ter novo post, justamente com o título de "Explicações aos leitores".Elas compilam as suas histórias e peripécias com as que recebem das leitoras, tornando Dora a personagem principal. Chega até a dar pena da Dora, de tantas noites ruins e cães chupando manga que ela encarou quando alcoolizada (ou até mesmo sóbria).

O blog existe desde maio desse ano e já é bem popular. Eu conheci o Morfologia na comunidade do Orkut DIY for Vixens, da qual sou assídua freqüentadora, e sei que a maior parte das meninas que lá estão adoram as histórias da Dora e podem muito bem ser as verdadeiras protagonistas das mesmas. Até eu, talvez, quem sabe? XD Essa é a vantagem da Dora assinar as postagens! Vocês nunca saberão! Mhuahuahua! (Apenas, talvez, o possível antagonista). Para resumir o blog, palavras da própria Dora:
Então queridos leitores, sejam bem vindos ao fabuloso mundo da Morfologia da Pica, onde tabus são quebrados e aquelas noites péssimas e broxantes se tornam fonte de risos. Porque algo de bom (ou engraçado, que seja) há de sair de tanto homem ruim! Sentem-se, tirem os sapatos, peguem a cervejinha e boa leitura!
O layout é muito bom, apesar de simples. É todo em branco (como o nosso) e tem uma imagem de uma moça atrapalhada carregando um tantão de potes sozinha (leia-se sem um homem que a ajude) e outra da adorável Lucille Ball como Lucy, do seriado I Love Lucy. Sinceramente, por mais medonho que isso possa parecer, a Dora não se dissocia mais da Lucy na minha cabeça. Tentem imaginar a Lucy tendo tara por um japinha pra você ver... Realmente algo bizarro.

Que xoxo esse meus post (Chocho? sei lá). Estou frustrada (não sexualmente). Queria muito uma entrevista com as mocinhas do MdP, mas eu não devo ter sido uma boa menina. Ou simplesmente não há criatura imaginária que traga presentes ou conceda pedidos nessa época do ano.


Mas enfim, vou recomendar um blog que tem algo de parecido com o MdP, para alargar seus conhecimentos picais. É o Homem é Tudo Palhaço, que traz também histórias de mulheres que se depararam com a falta de senso, tato, circulação sangüínea nos corpos cavernosos penianos, enfim... como elas mesmas colocam: palhaços. Diferentemente do MdP, o HTP (silgas, siglas, e mais siglas) não é anônimo. E é bem mais ofensivo que o MdP, que só tem como intenção dar boas gargalhadas. O HTP humilha mesmo! São quatro moças que se cansaram das frustrações.

Eu, particularmente, prefiro o MdP. Não acho que todo homem seja palhaço, e não nego que muita mulher (incluindo eu) já tenha dado suas voltas de triciclo no picadeiro, ou entrado em 10 num fusca. Estamos todos fadados a fazer a lona cair um dia. Queiramos ou não. Ainda assim, o HTP traz histórias hilárias, não fosse pela frustração realmente venenosa das autoras, expressa muito veementemente (O.O) nos posts. Mas vale a pena dar uma lida!


Vamos às classificações!


O Morfologia da Pica é MARA! Pela simplicidade, pela Lucy, pelo bom-humor e tudo mais! Só deveriam checar os e-mails mais frequentemente!
Já o HTP, não foi analisado, mas deixo uma nota PECULIAR pelo site em si e um SO LAST MINUTE pela atitude babaca!

PS.: A exemplo de minha colega de Blog e amiga nas horas vagas, Balonista, lanço uma promoção supimpa. Ela prometeu um balão; não sei até que ponto isso é verdade! Mas a minha é serinha!

Saibam aqui como participar da incrível promoção Pênis Biscoito!

Um beijo, um queijo e um desejo de fodas felizes nesse fim de semana!

Créditos das imagens linkadas: Balão, Goza, Pica, Impotência, Garotinho, Lucy, Japinha, Boa Menina, Criatura Imaginária, Palhaço

Promoção Pênis Biscoito

Durante a escrivinhança de meu último post, resolvi lançar uma promoção para nossos leitores!

A promoção vai durar duas semanas e terá duas fases. Na primeira, serão feitas as inscrições e uma triagem. Na segunda, os leitores votarão no vencedor. Para participar é simples! Diga-nos seu nome alternativo para órgãos genitais masculinos preferido. Os mais engraçado, escolhido por nós, passa para a votação. Aquele que cair nas graças de nossos leitores ganha um lindo chaveiro biscoito! E ainda tem dois sabores para escolher!

Sabor bolachinha com geléia:


Sabor 'dois sabores' (ou negresco de camelô):


Deixe seu nome alternativo nos comentários deste post ou na nossa comunidade do Orkut, na qual há um tópico especial para isso*. Não se esqueça de colocar seu nome e e-mail no comentário para que possamos contata-lo caso ganhe (por razões óbvias, isso não é necessário no orkut). Depois disso é só esperar e forçar seus amigos a votarem na segunda fase! Aí é só sair molhando o biscoito por aí! Ou fazer o que quiser com ele!

Espero que Thomás e as gurias curtam a promoção, porque eu achei legal de montão! :D

*No caso de nomes repetidos, concorrerá com o dito cujo apenas o participante que postou primeiro.

*Infelizmente, apenas moradores de Santa Maria, Rosário do Sul, Cachoeira do Sul, Rio Grande, Candelária, Constantina e arredores (de todas) poderão receber o prêmio. Ainda não podemos escanear os prêmios e enviá-los por e-mail, como queria fazer essa mocinha aqui.