Mostrando postagens com marcador humanidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador humanidade. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 25 de março de 2009

god gave Rock 'n' Roll to you



Atenção: se você tem uma internet lentium, assim como o Okapi que vos fala, deixe o vídeo baixar para só depois iniciar sua leitura ao som do Kiss. Obrigada!

O Okapi Parceiro e Leiteiro, depois de muitas discussões com a Limbo Dancer, chegou a conlusão de que a Poodle fez uma macumba para nos passar um pouquinho da sua intolerância. O fato é que, uma das coisas que eu não tolero, principalmente nesses dias, são as posições religiosas.

Tudo bem, calmem, eu não estou indo contra a todas as posições de qualquer religião, mas sim, de algumas pessoas que usaram da dita "palavra de Deus" para defender posições sem argumentos válidos para baseá-las, apenas dizendo: essa é a minha fé, respeite.

Posso até dizer que tudo começou, sim, por causa do menina de nove anos que abortou os gêmeos que esperava de seu padastro, que vinha abusando-a sistematicamente desde os seis anos. Não vou entrar na discussão sobre o fato em si e que fique óbvio que esse padastro imundo (pra não deizer coisa pior) é o que mais me irrita e, se minha filha fosse estuprada, quem viu o filme Tempo de Matar sabe exatamente o que eu faria com ele...

Toda a discussão sobre o caso levou a mim e meus colegas tornar o assunto tema de debate de um pragrama radiofônico. Erro nosso não perguntar a religião de todos os presentes, acabamos com uma freira, seus dois "seguidores" e um pobre teólogo tentando chamar os convidados à terra de vez em quando.

Cada frase que eu ouvia, cada vez, me decepcionava mais. Poxa, eles são pessoas estudadas, não podem pensar realmente isso. Poxa vida, uma médica pediátrica não pode ser tão machista e não ter a mínima noção dos direitos femininos. Poxa vida, um médico obstetra, obstetra, não pode dizer que falará como técnico e acabar defendendo os ideais da Igreja Católica. Poxa vida, ahhh, é a freira, é normal que ela pense assim. Poxa vida, pobre teólogo... pobre mediadora.

Enquanto bobagens eram ditas, as risadas eram inseguráveis, mas creio que era apenas uma forma da gente se acalmar e tolerar um pouco mais a situação, enquanto impedíamos o próprio deus (leia-se colega querido) de deixar algumas camisinhas cairem, sem querer, sobre os pés da freira.

Alguns dias depois, paro pra assistir um desses canais religiosos. Tinha uma mulher desesperada, eu disse desesperada, por não poder pagar o dízimo. Detalhe que ela passou um tempo desempragada e também não podia pagar outras contas, mas o que são elas perto do dízimo? Então ela contou que, depois que ela conseguiu outro emprego, teve que pagar o dízimo escondida, poiso marido havia dito que o resto do dinheiro deveria ser destinado à poupança para a faculdade do filho deles. Ela estava orgulhosa por mentir para o marido e por deixar de depositar dinheiro para o próprio filho, dizendo que sabia que Deus recompensaria ela e seu filho.

Pelo que eu saiba, Deus ainda não distribui dinheiro ou vagas em universidades públicas, e se distribui, algúem me conta em qual religião! Eu me pergunto se ela nunca ouviu esta famosa piada: (que eu tirei daqui)

A barragem, próxima de uma pequena cidade, foi rompida por uma forte chuva e o nível do riacho foi subindo gradativamente.
No alto do morro, na parte mais alta da cidade, ficava a igreja. Quando a água atingiu as primeiras calçadas da cidade os policiais foram avisar o padre para que esse deixasse a igreja. Ele fincou pé e disse: "Deus não há de me faltar."
Quando a água chegou às portas da igreja, os bombeiros, já usando um barco, foram buscar o padre. Ele se recusou a abandonar a igreja e disse: "Deus não há de me faltar."

Quando a água atingiu a torre mais alta, e o prefeito veio de helicóptero tentar convencer o padre a abandonar a igreja, o padre respondeu: "Deus não há de me faltar !!!"


Obviamente o padre morreu afogado.

Ao chegar no céu, ele foi ter com Deus, e já chegou cobrando: "Mas meu Senhor... Como pudestes fazer isso comigo. Me faltastes quando eu mais te precisava." E Deus, visivelmente irritado, respondeu: "Mas meu filho... Te mandei policial, barco, bombeiro, helicóptero e prefeito, e mesmo assim você não seu salvou ?!?"

E eu pensando que o Deus dela tinha dado uma ajudinha pra ela conseguir um emprego bom e poder pagar tudo que seu filho precisa, ela vai e dar dinheiro pra Igreja...

Contudo, não me venham com preconceitos, o catolicismo não é a única religião com argumentos fáceis. Houve um tempo em que o espiritismo me chamou atenção, pois conheci pessoas muito boas e espíritas. E foi só procurar um pouquinho de informações para desistir da idéia. Olha como é fácil, tudo o que vives agora é o que mereces por tua atuação na vida passada: se você tem problemas, é castigo por ter sido ruim, e assim por diante.

Entretanto, como a esperança é a última que morre (um dos pouco ditados que tem um pouco de lógica), organizações como a Católicas pelo Direito de Decidir me dão um pouco de alento ao ver de que religião não signica, necessariamente, alienação ou retrocesso.

Afinal, eu não tenho religiões (sou laica, como diria deus Luiz) mas acredito que exista um Deus, ainda que eu seja da opinião que ele é muito mais parecido com o Deus escrito por Eduardo Galeano no Livro dos Abraços:

Errata: onde o Antigo Testamento diz o que diz, deve dizer aquilo que provavelmente seu principal protagonista me confessou:
Pena que Adão fosse tão burro. Pena que Eva fosse tão surda. E pena que eu não soube me fazer entender. Adão e Eva eram os primeiros seres humanos que nasciam da minha mão, e reconheço que tinham certos defeitos de estrutura, construção e acabamento. Eles não estavam preparados para escutar, nem para pensar. E eu... bem, eu talvez não estivesse preparado para falar. Antes de Adão e Eva, nunca tinha falado com ninguém. Eu tinha pronunciado belas frases, como “Faça-se a luz”, mas sempre na solidão. E foi assim que, naquela tarde, quando encontrei Adão e Eva na hora da brisa, não fui muito eloqüente. Não tinha prática.
A primeira coisa que senti foi assombro. Eles acabavam de roubar a fruta da árvore proibida, no centro do Paraíso. Adão tinha posto cara de general que acaba de entregar a espada e Eva olhava para o chão, como se contasse formigas. Mas os dois estavam incrivelmente jovens e belos e radiantes. Me surpreenderam. Eu os tinha feito; mas não sabia que o barro podia ser tão luminoso.
Depois, reconheço, senti inveja. Como ninguém pode me dar ordens, ignoro a dignidade da desobediência. Tampouco posso conhecer a ousadia do amor, que exige dois. Em em homenagem ao princípio de autoridade, contive a vontade de cumprimentá-los por terem-se feito subitamente sábios em paixões humanas.
Então, vieram os equívocos. Eles entenderam queda onde falei vôo. Acharam que um pecado merece castigo se for original. Eu disse que quem desama peca: entenderam que quem ama peca. Onde anunciei pradaria em festa, entenderam vale de lágrimas. Eu disse que a dor era o sal que dava gosto à aventura humana: entenderam que eu os estava condenando, ao outorgar-lhes a glória de serem mortais e loucos. Entenderam tudo ao contrário. E acreditaram.
Ultimamente ando com problemas de insônia. Há alguns milênios custo a dormir. E gosto de dormir, gosto muito, porque quando durmo, sonho. Então me transformo em amante ou amanta, me queimo no fogo fugaz dos amores de passagem, sou palhaço, pescador de alto mar ou cigana adivinhadora da sorte; da árvore proibida devoro até as folhas e bebo e danço até rodar pelo chão...
Quando acordo, estou sozinho. Não tenho com quem brincar, porque os anjos me levam tão a sério, nem tenho a quem desejar. Estou condenado a me desejar. De estrela em estrela ando vagando, aborrecendo-me no universo vazio. Sinto-me muito cansado, me sinto muito sozinho. Eu estou sozinho, eu sou sozinho, sozinho pelo resto da eternidade.

Ah, e eu não postei antes porque o Santo da Piedade dos Blogueiros Preguiçosos e Cheios de Coisas Pra Fazer me avisou que não seria uma boa ideís postar lá pelo meio de março. Não discutam comigo, é a minha fé!

Beijos amados de um Okapi mais leve depois do desabafo way of life.

PS: Post pro Ornie e pro Petit, que são um pouco do pouco de Kiss que há em mim.

terça-feira, 10 de março de 2009

Pare aí mesmo, sua mulherzinha!

Tá bom, confesso que esse péssimo título foi apenas uma forma de chamar atenção.

Póka está de volta às postagens (ao menos é o que aparenta). E o Okapi aqui queria discorrer um pouco sobre a mulher (não sobre a convenção Dia Internacional da Mulher, embora o 8 de março tenha sido bem especial para mim).

Como eu estava morrendo e capotei (o meu estado era tal que estava passando na tv o episódio no Pica Pau nas Cataratas do Niágara e, mesmo assim, eu dormi), acordei com uma p### dor de cabeça. E, como disse o Tio Ada, também conhecido como Zolinho pelos veteranos já formados da Facos, na aula de Semiótica, "os significados existem antes das palavras, que são 'vazias'", eu não estou nem um pouco a fim de preencher palavras com significados. Simplesmente a parte semiótica-produtiva do meu cérebro está em falha.

Contudo, acabei achando dois textos, como diria a balonista, Maras! para apresentar à vocês. Como uma mensagem é tudo aquilo que responde a relização do ser, eu espero que estes textos estejam no seus rols de significância e necessidades.

Aqui vão:
Todas as mulheres são belas do blog Papai Noel de Cueca Azul
A hipocrisia do Dia Internacional da Mulher do heDONIsmos

Abraços cansados e felizes do Okapi!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O gato de botas da internet

Podem até achar estranho, mas eu sou mais uma que somente se deu conta do apagão do Google (no último sábado pela manhã) quando vi uma reportagem na Revista da Semana (edição 74) esta semana (que trocadilho pééééssimo). Tudo bem, apagão seria mais uma forma de aumentar o número de pseudo-jornalistas que fazem sensacionalismo, contudo, o fato é que, por intermináveis 58 minutos, o Google acusava que praticamente qualquer site que você encontrava no seu buscador faria algum mal ao seu precioso computador. A falha, embora muitos certamente tenham tido medo de que fosse alguma invasão, ou até uma brincadeira da própria empresa (que costuma aprontar para os seus clientes de vez em quando), foi humana.

Sim, alguém dono de um altíssimo QI, que fala várias línguas e que é quadragesimamente graduado em alguma universidade, cometeu o erro de “dizer” para o programa que protege o Google de malwares (atualizado semanalmente) que todos os sites que possuíssem o seguinte símbolo “/” deveriam ser enquadrados como ameça.

Vamos ver, ham... o nosso blog, se fosse digitado diretamente na caixa de endereço de um navegador, até poderia se salvar. Olhem só:
ganguedohipertexto.blogspot.com. Agora, se alguém estivesse procurando algo específico no blog pelo chefão-mor da internet já se sentiria prejudicado, afinal, qualquer outra linkagem que pode ocorrer leva o magnífico “/” em seu endereço e o nosso blog entraria facilmente na lista negra do Google.

O problema foi resolvido e agora o buscador não está mais neurótico, achando que quase todos os sites querem fazer malzinho ao seu computador. Só que esses poucos momentos de loucura do Google geraram discussões sobre o seu monopólio na intenet.

Vamos combinar, você pode até não usar o Gmail, ou o GoogleReader, mas certamente você tem Orkut. Ou acessa o Youtube. Ou já usou o GoogleEarth. Embora nem todos estes aplicativos tenham sido desenvolvidos por Sergey Brin e Larry Page, foi a empresa deles que comprou por uma bagatela (foram caros, mas acredito que não devam chegar perto do valor atual) os sites mas acessados atualmente, principalmente no Brasil.

A revista chega a citar que se trate de um fenômeno recente, chamado de monocultura (“quando um produto ou uma tecnologia se torna dominante”), porém, eu ainda não fui convencida de que este é o termo mais adequado. Para mim, embora o Google ofereça a grande maioria de seus serviços gratuitamente, não se pode negar que se trata de uma empresa, que visa a "satisfifação" de seus clientes, que veem e algum dia hão de clicar em uma das propagandas hospedadas em algum dos sites de propriedade da organização e dar um dinheiro pro “papai”. Só que, como muita gente se utiliza de sites do Google, muita gente vê as propagandas, e o interesse da publicidade é justamente este. Então é batata. A maioria dos anúncios não custa muito, o Google quer apenas uma parcela do que você lucra. E, me desculpem o lugar-comum, a galinha vai enchendo o papo e acaba chocando ovos de ouro.

E todo esse parágrafo foi pra explicar o quanto, para mim, o termo monocultura é restrito e abragente (sim, ambas as definições) demais para definir o que o fenômeno que se dá dentro de uma organização econômica. Monopólio seria um termo, creio, mas claro, pois engloba a característica de empresa.

E esta empresa, que oferece serviços muito úteis gratuitamente, nunca bloqueou o seu PC para que você somente usufruísse de seus próprios produtos (como acontece, ainda, com as operadoras de celulares). Você está livre para (tentar) escapar das garras do Google. Um felino, que ao invés de te dar o bote, de olhará com os olhos do gato de botas do Shrek e te convencerá do quanto ele pode ser bom pra você.





Beijos da Póka.


PS1: Prometi que não atrasaria mais post, e juro que não foi o caso. É que eu tenho um rim direito querido que, de vez em quando, inventa de pegar umas infecções. E como estou presa a ele (bom, aos 40% ou 60% que sobraram dele depois que fiz uma cirurgia aos quatro anos) acabo tendo algumas limitações. O pc de casa e o do Petit também não quiseram colaborar neste "momento difícil".

PS2: Graças ao meu magnífico teclado, que veio na bagagem, posso digitar a letra "ç" (vocês não têm ideia de como ela faz falta).

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A cura do câncer ou um charlatão de carteirinha?

Estava eu a vagar pelos blogs que costumo visitar, quando me deparei com um assunto que, num primeiro momento, pareceu-me um absurdo. No entanto, encontrei o texto no blog de Marcos Rocha, a quem atribuo a minha credibilidade. A parte peculiar dessa história é que até hoje eu nunca vi, li ou ouvi nada a respeito disso na mídia tradicional. Mas louvada seja a internet e abençoado seja o Google, que cumpre seu papel em democratizar a informação. E nós, cordeirinhas que somos dessa blogosfera (linguagem bíblica, não se engane, não me converti) temos o mínimo de competência para passar adiante a notícia e deixar a cargo do nosso leitor fazer seu comentário, criticar, discordar, enfim, saber do que se trata.

Os fatos são esses:

Há aproximadamente 26 anos, um médico oncologista italiano, o Dr. Tullio Simoncini, afirma ter descoberto a principal causa de todos os tipos de câncer. O agente seria, segundo ele, as candidíases, doenças manifestadas em forma de bolhas e aftas causadas pelo fungo Candida albicans. Nadando contra a maré da cancerologia tradicional, o Dr. Tullio Simoncini verificou em suas análises que todos os tipos de câncer estavam associados à candidíase. A hipótese a que o médico chegou é a seguinte: se os variados tipos de tumores apresentavam uma característica em comum – o aparecimento de aftas no paciente – o processo poderia ser o inverso : a causa do câncer pode ser o fungo Candida albicans.

Fungo meramente ilustrativo

Durante a sua pesquisa na área, o médico descobriu que os órgãos e tecidos atacados por tumores apresentam colônias do fungo Candida albicans. A sua explicação é a de que o organismo multiplica desenfreadamente as células cancerígenas como defesa ao ataque dos fungos, surgindo, desse modo, os tumores.

A cura para o câncer?

O Dr. Simoncini encontrou o remédio: o sal de frutas. Aliás, o seu princípio ativo, o bicarbonato de sódio, que elimina a acidez favorável à proliferação dos fungos. O tratamento é composto por doses orais e na forma de injeções do medicamento sobre os tumores.

O famoso sal de frutas
Pacientes diagnosticados com tumores nos pulmões, próstata e intestino tiveram seu quadro revertido, apresentando resultados positivos através do tratamento simples. No site do Dr. Simoncini está o relato de 15 pessoas que foram curadas pelo tratamento com bicarbonato de sódio. Assista ao vídeo abaixo que traz uma explicação do próprio Dr. Simoncini sobre suas descobertas. O idioma do vídeo é italiano, mas tem legenda em português (de Portugal).

http://www.cancer-fungus.com/sub-v1pt/sub-pt2.html

Em 2007, a estimativa de novos casos de câncer no Brasil em 2008 acompanharam a tendência mundial de aumento da doença, de acordo com o diretor do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Luiz Santini. A previsão era de 470 mil novos casos.

Apesar da alternativa de cura tão simples que é a descoberta do Dr. Simoncini, os pacientes continuam passando pelos tratamentos convencionais. A intransigência dos métodos tradicionais é um empecilho que custou ao Dr. Tullio o seu banimento da comunidade médica italiana no princípio de suas descobertas. Entretanto, na 36ª Convenção Anual Sobre Câncer que ocorreu em setembro de 2008 em Los Angeles, o médico italiano foi aplaudido em pé por suas constatações e terapia revolucionárias.

Mais do que revolucionárias, as descobertas do Dr. Simoncini são geniais. Porém, ainda existem alguns entraves como a utilização do método científico para posterior publicação na base de dados confiável da medicina (a PubMed-Medline). Não nos esqueçamos, ainda, do interesse da indústria farmacêutica na manutenção da terapia tradicional que é, coincidentemente, mais dispendiosa.
De qualquer maneira a notícia é extraordinária e creio que, com tantos depoimentos e testemunhos, seria difícil essa história toda ser obra de um charlatão. Mas como o mundo está cheio de picaretas, e charlatões de carteirinha é o que não falta por aí, devemos ficar atentos ao rumo que o caso Simoncini vai ter.

No entanto, se a terapia do Dr. Simoncini for realmente verdadeira, imagine quantas vidas serão salvas com esse tratamento. Acredito que é válido investigar sobre o assunto. Afinal, pior do que perder alguém para uma doença sem cura, é perder uma pessoa para uma doença cuja cura existe, mas é desconhecida pela sociedade.

sábado, 17 de janeiro de 2009

E quem gostou da história...

Olá, queridos. Volto hoje com a continuação do assunto que começamos semana passada: contos de fada. Minha intenção para hoje era falar sobre os contos de Grimm de forma geral. No entanto, como é bem sabido de vocês, leitores assíduos, minhas intenções nem sempre são constantes. Por isso digo que ela foi transformada na vontade de contar mais um dos meus contos favoritos e não tão conhecidos.

Este que hoje lhes apresento está entre as publicações dos tão conhecidos irmãos Grimm, mas não foi agraciado por nenhuma empresa de animação dominada por um rato com um longa metragem. Por isso, vim a conhecê-lo, ainda bem pequena, através da garota propaganda da Monange. Ela diga-se de passagem, anda forçando demais a coisa naqueles comerciais, e eu não ria tanto durante um intervalo comercial havia muito tempo quando vi a campanha do novo desodorante da referida marca. Juro que passei a coisa toda imaginando que aquilo era pesticida. Isso além do fato de que a música Lança-Perfume não poderia ter sido mais mal usada. Não vou nem começar a comentar o texto dos comerciais do hidradante. Sem falar no sotaque carioca descabido da referida garota propaganda.

Mas voltando ao que interessa, quando eu era pequena, Xuxa lançou uma coleção de livrinhos de história acompanhados de fitas K7 com a história narrada por ela, cheias de efeitos e interpretações. Muito estimulante para a imaginação. A Coleção Conte Outra Vez não trazia somente as histórias mais conhecidas. A que eu mais gostava era exatamente a história então chamada de Os Cisnes Selvagens, mas que é registrada pelos Grimm com The Six Swans, ou Os Seis Cisnes, em português.



A princesa acompanhada de um dos cisnes



Lembro bem que o livro era azul e as ilustrações eram lindas. Uma das grandes decepções da minha vida foi o dia em que meu irmão jogou cola entre as páginas EXATAMENTE desse volume, e deixou-o inutilizado.






Andando por aí descobri que a coleção foi gravada em 1987, mas só foi lançada em 1991. Estranhei, porque nasci em 1989. Não lembro que idade eu tinha quando ouvia essas historinhas (como nossos pais adoram chamar, mesmo que de pequenez não tenham nada), mas não lembrava de ser tão pequena. Mesmo porque meu irmão nasceu em 1991 e o pequeno terrorista não poderia acabar com meu livrinho ainda pequenino.



Capa da K7 do primeiro volume



Andando por aí achei algo melhor ainda! Um site com todos os volumes, acredito eu, da coleção Conte Outra Vez. Disponibilizo aqui o arquivo com Os Cisnes Selvagens, que pode ser ouvido diretamente no blog. Basta clicar no play. Para quem gosta de contos de fada, essa coleção é um prato cheio. Vale a pena conferir o resto.



Powered by beta.joggle.com


Se hoje essa coleção fosse relançada eu certamente eu a compraria. Não só para mim, mas para guardar para os meus filhos. Já não se acham contos de fada registrados por aí como antigamente e acho uma pena que as crianças cresçam achando que só os contos da Disney existem, além dessa mania de chamar animações nada infantis de 'contos de fada modernos'. Shrek não é para criancinhas (Não me venham com a discussão de 'contos de fadas também não eram para criancinhas e os Grimm os suavizaram'. Falarei disso mais adiante e, além disso, todos sabemos do que eu estou falando).

Mas voltando à coleção, ela traz histórias que eu garanto, algumas das quais você nem conhece (ou ao menos nas quais nunca pensou muito). Veja os contos dos volumes disponíveis para download:





Eu sempre gosto das histórias com heroínas fortes, como a já comentada Vasilissa, a Bela e a Fera, Alice no País da Maravilhas... Assim é, também, a protagonista de Os Cisnes Selvagens (ou como queiram chamar). Passar seis anos sem falar nem rir, e tecer seis camisas feitas de urtiga colhida em cemitérios para salvar os irmãos não é para qualquer um... ou uma. Ela aguentou as acusações que lhe foram feitas e permaneceu calada, de forma a não quebrar sua promessa aos irmãos. Quase virou mártir nas chamas da fogueira sob a acusação de matar seus próprios filhos, porque não podia falar para se defender.




A princesa, já na fogueira, é salva por seus irmãos



Aqui você encontra o conto com comentários, em inglês.

A magia e a fantasia, como eu já disse anteriormente, foram grande parte da minha infância. Por isso endosso a tal 'Rainha dos Baixinhos' (como raramente faria de outra forma) que sempre dizia no fim da histórias: Quem gostou da história, que conte outra vez!
Quem se lembra dela e da referida coleção, comente nos posts!

Semana que vem eu volto, com aquilo que me der na veneta. Mas acredito que seja mais um post da nossa série. ;) Até lá. Beijinhos.

P.S.: Eu ia escrever uma tradução breve da história, mas achei que o áudio a contaria melhor. Além disso, vocês podem ouvi-la como eu a ouvi pela primeira vez.

P.S.2: Eu estou sem áudio no meu computador. Espero que esteja tudo funcionando direitinho.

P.S.3: Eu digo que a Xuxa fala isso no fim das histórias porque eu me lembro. Se não foi verdade eu peço desculpas. Como já dito, estou sem áudio e não posso ouvir o arquivo.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Impotência


and i

i hoped that things would turn out my way

O meu desejo ontem, além de não atrasar mais um post, era falar sobre uma matéria que li na revista Superinteressante e discorrer sobre as coisas que a gente (não) aprende na escola e que acabam por não ser verdade, ou por mudar de verdade. Só que um fato e um sentimento apareceram no caminho e eu acabei mudando os planos, mudando o sono, mudando os pensamentos... deixa eu explicar.

Trouble is her only friend

And he's back again.

Makes her body older

Than it really is.


Quase no momento em que me sentei na frente do computador, minha mãe veio me avisar que estava saindo para dar uma volta. Ela fechou a porta e eu comecei a digitar. Não cheguei a terminar o primeiro parágrafo, pois ouvi ela dizendo: “Tem um gato agonizando aqui na frente de casa.” Logo perguntei: “O quê?”, e ela “Um gato. Acho que foi envenenado”. No momento em que eu pensava Peraí! Nós temos uma gata linda, que se chama Bibi e que está na rua..., a minha mãe falou “Não é a Bibi”. Deixei o alívio de lado e fui ver, afinal, o que estava acontecendo.

Perto do portão de casa, um gato macho, preto, de patas brancas, estava deitado de lado, arfando forte, tentando colocar mais pra fora da gosma branca que saia de sua boca. Era lindo, mas sua dor me aterrorizava.

O que podemos fazer? Fomos nos vizinhos da rua, não era de ninguém. Ligamos para pessoas por perto, que sabíamos possuir este tipo de animal de estimação. Nada.
Minha mãe disse: “Não há nada que possamos fazer”. Impotência. Como não? Não há um veterinário nesta merda de cidade? Lembrei-me que o responsável de fazer a castração da minha gata por um preço módico cuidava de animais de grande porte, não de pequeno. “Vou sair pra caminhar. Não vou sofrer por um gato que nem é meu.” Disse a mãe, e saiu.

Is it a warning? Is it an evil sign?
Is it a people who have lost their mind?
Is it the Darkness?
Is it a man resigned?
Is it a best friend leaving you behind?

Is it ever gonna stop?
Will they ever let you go?

You're in a rush, they don't care enough 'cause they're lives are very slow

Time is ticking on, you don't get a second shot


Votei pro computador. Uma das melhores amigas estava no messenger. Veio falar comigo, lhe contei a história. Ela me disse que a cachorrinha dela (que, aliás, tem o mesmo nome da minha gata) havia tentado comer sapos e a situação era parecida. “Lava a boca dele com água, que, se for isso, vai passar”.


Peguei um pano velho, fui pra frente de casa. Ele ali, agonizando. Enrolei-o no pano e fui até o tanque. Com uma sacola protegendo as mãos lavei toda a sua cara assustada, com carinho. Ele tinha convulsões fortes e era difícil segurá-lo. Mais difícil ainda era segurar o choro, o que se tornou impossível com o passar dos minutos e nenhum sinal de melhora. Impotência. Liguei pro veterinário, quase meia-noite. “Certamente deve ser envenenamento. O ideal é dar um antitóxico, só que eu não tenho e você não conseguirá em outro lugar a essa hora da noite. Não há nada mais a ser feito.”. Impotência.


And you've seen a thousand times

There's not much justice in the world


Levei o animal até o chão, onde havia um desnível, e fiquei dando água a ele, tentando ajudá-lo a vomitar. Nisso, meu namorado liga. Eu já tinha ligado umas três vezes para ele sem obter resposta. Agora entendia o porquê. Sua voz e a risada eram o representante claro da felicidade. Eu havia esquecido que o mundo continuava a girar enquanto eu estava ali. “Estávamos no teatro, eu e uns amigos, vendo o show daquela banda!”. Ah, aquela. Aquela que havíamos combinado de assistir juntos. Impotência. Não consegui segurar o choro e tive que explicar a situação. Combinamos dele me ligar mais tarde, pois não estava telefonando de seu próprio celular. “Você me liga quando chegar em casa?” “Ligo, mas tenta se acalmar”. Só que ele não ligou, apenas mandou uma mensagem dizendo que ia dormir na casa de um amigo.

And I'm standing all alone
I'm not that bad

In my

In my heart


I am guilty

And of that I confess


Foi quase na mesma hora que a minha mãe chegou. A mesma frase: “Não há nada que você possa fazer”. Só que ela tinha mais a dizer. “Vamos levá-lo até o campo abandonado, do outro lado da rua. Se ele ficar aqui, você vai ficar sofrendo com ele o resto da noite.” Como será que ela sabia?! “E, além do mais, você que é alérgica tinha que estar se cuidando mais.”

Coloquei um par de luvas e agarrei o animal, que ainda agonizava, os olhos desesperados. Levei-o até o outro lado da rua e tive o cuidado inútil e estúpido de colocá-lo em lugar que parecia mais confortável.


He knows the price that he's paid.

He admits that it's too late to admit that he's afraid.

Tomorrow comes. Sorrow becomes his soul mate.
The damage is done.


Impotência
. E agora culpa. Voltei pra casa, sã e salva. Minha mãe disse que eu deveria tomar um banho. Depois me trouxe álcool. Fui tomar banho. Tive o cuidado de lavar cada pedacinho do corpo. Peguei a toalha, me sequei. Coloquei um pouco de álcool em um algodão e comecei a esfregar pelo corpo. Mas não era a pele que eu queria limpar, era algo como a mente ou alma. Queria me livrar da culpa, me livrar da raiva, da tristeza, e, principalmente, me livrar do pior sentimento, a impotência.


And I see no bravery,

No bravery in your eyes anymore.

Only sadness.

Não é a primeira vez que lido com esse sentimento, mas é a primeira vez que tenho consciência suficiente para analisá-lo. E é a primeira vez que não tenho ninguém para me abraçar, é a primeira vez que estou sozinha. Quando eu era pequena ganhei um sorvete, desses de máquina (que, na época, eram uma novidade). Acho que não dei duas lambidas e deixei-o cair no chão. É a primeira vez, que eu me lembre, que lidei com o sentimento de impotência. Não havia o que fazer. E eu chorei. Não porque minha mãe me xingára o que não aconteceu, ou porque eu não poderia ganhar outro, e eu poderia, mas não quis. Fiquei pensando nas outras crianças que queriam um sorvete também, mas não podiam comprá-lo. Foi sem querer, mas mesmo assim me sentia culpada. Minha mãe me acalmava e me dizia que não era nada, enquanto eu aproveitava, pela primeira vez, o sabor de um dos meus defeitos, a culpa constante.

Só que, naquela época, eu tinha com quem dividi-la. Hoje não mais. Pensei em ligar pro namorado, mas resolvi deixá-lo em paz. Queria que todos, como eu, abrissem mão de certas coisas pelo bem de outras, só que, se nem eu sou capaz de levar esse lema as últimas conseqüências, como posso exigir que os outros façam o mesmo?


Sometimes it's hard to believe you remember me.

Will you be my shoulder when I'm grey and older?
Promise me tomorrow starts with you


A segunda vez que me lembro de identificar a impotência foi quando li O Caçador de Pipas. Khaled Hosseini, pra mim, soube descrevê-la verdadeira (provavelmente, por ser, antes de escritor, médico), como é este sentimento, mas eu ainda não tinha tido a oportunidade de experimentar o seu sabor assim, tão puro. Impotência.


I'm so tired of never fixing the pain

Valium said to me: I'll take you seriously,

And we'll come back as someone else,

Who's better than yourself?

Provavelmente, seja esse o pior sentimento, o que não há cura, o qual nenhum psiquiatra tem um remédio para receitar. Eles podem controlar sua raiva, sua obsessão, sua ansiedade e até sua tristeza, mas ninguém pode fazer nada contra a impotência. Ninguém, mas o pior é descobrir-se sem nada poder fazer. Eu não tenho mais o que fazer. Assim como não tenho o que fazer contra as armas que matam tantos, o que fazer para amenizar tanta destruição, tanto terror.


I guess it's time I run far, far away; find comfort in pain,
All pleasure's the same: it just keeps me from trouble.

Hides my true shape, like Dorian Gray.

I've heard what they say, but I'm not here for trouble.

It's more than just words: it's just tears and rain.

E assim eu fiquei, me sentido culpada, sozinha e impotente. E, como quando eu era pequena, uma hora vai passar.

its not often that im sick of life
but its alright
its alright



PS1: Letras de James Blunt, retiradas do Letras.Mus. Nessa ordem, das seguintes músicas: Allright Tonight, Carry You Home, I Can't Hear The Music, If There's Any Justice, Here We Go Again, Billy, No Bravery, Beautiful Down, Give Me Some Love, Tears And Rain e Allright Tonight.
PS2: Prometo fazer o possível para postar em dia a partir de agora.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Quem tem medo de Baba Yaga?

Olá, queridinhos. Espero que todos tenham tido uma ótima virada de ano e que continuem conosco em 2009, pois temos grandes posts pra vocês. Como podem ter notado, estamos um pouco diferentes do que éramos no começo. Agora estamos livres e podemos escrever sobre o que quisermos. Além disso, a Balonista não estará entre nós por um tempo. Acreditamos que uma forte corrente de ar tenha passada e a levado; ou isso ou ela fugiu com o padre. Esperamos que, além de aérea, ela não vire uma mula sem cabeça... isso caso a hipótese do padre esteja correta.

Mas falando em mula sem cabeça, posso introduzir (pausa para ambiguidade) o assunto de hoje! Eu gosto muito de fantasia e algo que me fascinava quando eu era pequena era os contos de fada. Ó, mas que Poodle gracinha, lendo a Branca de Neve! - pensaram eles, inocentes. Não, o meu conto de fadas (se é que assim se pode chamar) preferido era A Pequena Vasilissa.


"O Conto de Fadas" de James Sant (por volta de 1845). A expressão no rosto do pequeno traduz a minha própria fascinação por histórias fantásticas.


A Pequena Vasilissa (ou Vasilissa, The Beautiful, ou Vasilissa, The Brave) é um conto de origem russa e foi transformado no filme Vasilissa The Beautiful em 1939. Eu não encontrei uma versão em português na web, então fiz uma tradução livre de um dos resumos que eu encontrei. A versão completa, em inglês e com anotações, você encontra aqui.



Vasilissa em frente à cabana de Baba Yaga.



Um mercador teve, com sua primeira mulher, uma única filha, que era conhecida como Vasilissa, a bela. Quando ela tinha oito anos de idade, sua mãe morreu. Em seu leito de morte, ela deu a Vasilissa uma pequena boneca de madeira e instruções para que desse à boneca o que beber e comer se estivesse em necessidade, e então a boneca a ajudaria. Assim que a mãe morreu, Vasilissa deu o que comer e beber à boneca e ela lhe confortou.

Depois de um tempo o pai casou-se novamente, com uma mulher que tinha duas filhas. A madraste era muito cruel com Vasilissa, mas com a ajuda da boneca ela conseguia acabar todas as tarefas que lhe eram atribuídas. Quando os jovens vinham cortejá-la, a madrasta os rejeitava, porque não era apropriado que a filha mais jovem se casasse antes das mais velhas, e nenhum dos pretendentes queria se casar com as irmãs de Vasilissa.

Um dia, o mercador teve que embarcar em uma viagem. A mulher vendeu a casa e mudou-se com as meninas para uma cabana escura na floresta. Um dia, ela deu a cada uma das garotas uma tarefa e apagou todo o fogo da casa, a não ser por uma vela. A filha mais velha, então, apagou a vela, e elas mandaram Vasilissa buscar fogo na cabana de Baba Yaga. A boneca lhe aconselhou que fosse, e ela foi.

Enquanto ela caminhava, um homem misterioso passou por ela na hora do crepúsculo, vestido de branco, em um cavalo branco cujo equipamento era todo branco; então passou um cavaleiro parecido, vestido de vermelho. Ela chegou a uma casa que se apoiava em patas de galinha e era delimitada por uma cerca feita de ossos humanos. Um cavaleiro negro, como o cavaleiro branco e o vermelho, passou por ela. Então a noite caiu e as órbitas oculares dos crânios tornaram-se luminosas. Vasilissa estava muito apavorada para fugir, e Baba Yaga a encontrou quando chegou montada no seu pilão.


Baba Yaga disse que ela deveria realizar tarefas para ganhar o fogo, ou então ela seria morta. Para a primeira tarefa Vasilissa deveria limpar a casa e o jardim, cozinhar a ceia e catar grãos negros e ervilhas selvagens em um saco cheio de trigo. Baba Yaga foi embora e Vasilissa cozinhou enquanto a boneca fez todo o resto. Ao amanhecer, o cavaleiro branco passava; ao meio-dia, ou antes, passava o vermelho. Quando o cavaleiro negro passou Baba Yaga voltou, e não podia reclamar de nada.

Ela conjurou três pares de mãos sem corpos para pegarem os grãos e moê-los, e deu a Vasilissa as mesmas tarefas para o dia seguinte, com a adição de limpar sementes de papoula que tinham sido misturadas com sujeira.
Novamente,a boneca fez tudo, menos cozinhar a refeição. Baba Yaga mandou os três pares de mãos expremer o óleo das sementes de papoula.



Baba Yaga e Vasilissa



Vasilissa perguntou sobre as identidades do cavaleiros e recebeu a resposta de que o branco era o Dia, o vermelho era o Sol, e o negro era a Noite. Outros detalhes não foram explicados, pois Baba Yaga gostava de manter segredo. Em retorno, Baba yaga perguntou sobre a causa do sucesso de Vasilissa nas tarefas. Ao ouvir as palavras "pela benção de minha mãe", Baba Yaga mandou Vasilissa para casa. Com ela foi enviado um dos crânios com olhos luminosos, para prover luz à sua família. A luz do crânio queimou a madrasta e as filhas até sobrarem apenas cinzas.

Mais tarde, Vasilissa tornou-se um assitente para confeccionar tecidos na capital da Rússia, onde ela mostrou-se tão habilidosa que o próprio Czar notou. Ele, mais tarde, casou-se com ela.

A versão completa é muito mais legal, obviamente. E a parte mais intrigante e emocionante da história, Baba Yaga, não é tão forte no resumo que eu apresentei para vocês. Certamente a minha bruxa favorita de contos de fada, Baba Yaga é presente no folclore de muitos povos eslavos. Ela é mais do que uma bruxa, no sentido tradicional que a palavra tem nos contos de fada. Elas às vezes é vista como uma velha terrível e às vezes como mãe acolhedora. Ela é a mãe da terra e a destruidora. Faz-me lembrar dos aspectos da deusa tríplice - que dá a vida e a toma - , presente no paganimo moderno. Baba Yaga mora numa cabana que se apóia sobre patas de galinha dançantes, com uma cerca de ossos humanos; ela voa não numa vassoura, mas num pilão; ela é uma criatura de hábitos curiosos e seus três cavaleiros prenunciam os momentos do dia.

Aqui vocês tem uma versão moderna de um conto de Baba Yaga, em animação. Infelizmente não é possível incorporar o vídeo ao blog por solicitação dos criadores, acredito, mas Emily and the Baba Yaga é um curta de 10 minutos que vale uma viagem ao YouTube.




Emily, de Emily and The Baba Yaga - uma versão moderna e estranha dos contos da velha anciã.




Baba Yaga não está presente apenas em obras russas. Nos quadrinhos de Mike Mignola, Hellboy, Baba Yaga aparece em um dos números. Você pode ver Baba Yaga com Hellboy em inglês aqui, com direito a pequenas animações. Se você prefere em espanhol, clique aqui, e veja a versão digitalizada dos quadrinhos.



A Baba Yaga de Hellboy.



A história dos contos de fada ainda vai longe. Eu mesma não tinha noção de quanta coisa tinha para escrever. Acredito que me renda mais uns dois posts, para que não fique tão maçante para vocês. Nas próximas edições: contos de Grimm e os contos de fada na arte. E um pouco mais de Baba Yaga.

Baba Yaga é mara... e a pequena Vasilissa também.

Beijos, queridos... e não deixem que Baba Yaga venha contar seus dedos à noite ;)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Guerra é paz?

É impossível não ficar estarrecido com os últimos acontecimentos na Faixa de Gaza. Embora algumas pessoas fiquem mais chocadas com crimes hediondos como o caso Nardoni ou o da menina Eloá, o conflito no Oriente é, ou deveria ser, de interesse mundial.

Claro, eles estão lá, a milhas de distância de nós não é mesmo? Não há previsão de nenhuma bomba cair em terras tupiniquins, então por que dar atenção a isso? Vamos falar sobre o BB9. (ironia, ok?).

Os números são assombrosos: ao longo desses 13 dias de ataques, mais de 750 palestinos morreram e mais de 3.000 ficaram feridos. Retaliação é a palavra de ordem. A Operação Chumbo Fundido que começou no dia 27 de dezembro de 2008 foi justificada como resposta aos ataques do Hamas.

Bombardeios no Oriente Médio deixaram de ser novidade nos telejornais há tempos. Já não nos espantamos com a quantidade de vítimas que são mortas nos conflitos. Dessa vez, a situação é crítica no que tange à violação dos Direitos Humanos, pois os palestinos civis estão reclusos na região do conflito sem a possibilidade do refúgio, como é de praxe, nessas circunstâncias.
Longe de mim tentar apontar quem tem ou não a razão no conflito. Mas uma coisa é fato: a grnade perda acaba sendo sempre a dos civis. Os moradores da Faixa de Gaza perdem a família, a casa, a segurança. Perdem a paz. Não estou querendo acusar os israelenses de culpados, afinal a população civil também tenta há séculos conquistar a sua paz. E cuidado com a aversão ao povo de Israel: pois a linha que separa o anti-semitismo do nazismo é tênue.



Em 1948 o Estado de Israel foi criado na área correspondente a 75% da Palestina histórica. Com isso, em torno de 3 milhões de palestinos buscaram refúgio nos países vizinhos. Para quem não lembra as aulas de história, a tia Wiki refresca a sua memória.

De 1948 pra 1984 temos um trocadilho que leva de um ano conflituoso no Oriente para o título de uma excelente obra literária de George Orwell. Aliás, o livro foi escrito em 1948, e retrata, dentre outros aspectos inerentes a uma distopia, a guerra sem fim. O autor afirma no texto que "Guerra é paz", pois discorre sua teoria sobre a guerra afirmando que o objetivo da guerra não é vencer o inimigo nem lutar por uma causa. O objetivo da guerra é manter o poder das classes altas, limitando o acesso à educação, à cultura e aos bens materiais das classes baixas. A guerra serve para destruir os bens materiais produzidos pelos pobres e para impedir que eles acumulem cultura e riqueza e se tornem uma ameaça aos poderosos.


No caso do conflito de Gaza, a destruição prevista por Orwell já faz parte do cotidiano dos cidadãos palestinos. No entanto, o conflito atual não é paz. É guerra.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Amor de plástico

Olá, queridos. Volto nesta sexta-feira com mais um assunto que deve agradá-los. Meu cronograma de escrita não vem sendo cumprido. Todos os temas que eu pretendia abordar nas últimas semanas acabaram deixados para mais adiante. O motivo? Além de uma certa falta de tempo, muitas coisas vêm chamando minha atenção nestes últimos tempos. Matérias jornalísticas que valeram a pena ler e que trouxeram à tona alguns aspectos da vida humana hoje. Apreciaremos durante o post trechos de uma música que se adequa ao ponto onde quero chegar.


Her green plastic watering can*
For her fake Chinese rubber plant
In the fake plastic earth.
That she bought from a rubber man
In a town full of rubber plans
To get rid of itself.
It wears her out, it wears her out



Meu tema de hoje é, pois, a substituição. Não, não a substituição de ovo por linhaça em receita de bolo, mas a substituição de alguma forma de afeição humana por algo que se assemelha - assustadoramente, às vezes - e que possa suprir o que falta a muita gente.

Este tema tem duas facetas. Contraditórias - ou nem tanto. Coincidentemente (ou não), vim a conhecer nossos ilustres convidados de hoje por meio de matérias da Revista Marie Claire.

Mas chega de enrolar e vamos logo ao que vim tratar. Vamos começar pelo soft core.





Owwwwwwwwn... Que linda a pequena Sonia dormindo na calma de sua não existência. O que você não sabia até agora é que ela não é de verdade. Ela é um Reborn Baby, criado por uma artista plástica. Incrivelmente real, não? Mas Sonia não é uma peça artística de museu. Ela pertence a alguém, que a trata como filha.

Os artistas que constróem estas verdadeiras obras recebem cada vez mais pedidos. E que pedidos - cada Reborn pode custar entre R$ 1.000 e R$ 5.000, tudo pelo minucioso trabalho de recriar pequenos bebês que não crescem. Muitas mulheres ao redor do mundo "adotam" Reborns - mais de um, até 20 - e os tratam como se fossem seus filhos.

Andar na rua com um Reborn não é algo incomum. A maior parte das pessoas ao redor não nota que não é um bebê de verdade. O famoso episódio em que um policial quebrou o vidro de um carro acreditando estar salvando um bebê desacordado no banco de trás foi causado por um Reborn.


* She lives with a broken man
A cracked polystyrene man

Who just crumbles and burns.

He used to do surgery

For girls in the eighties

But gravity always wins.

And it wears him out, it wears him out.




Agora, a razão que leva tantas mulheres a terem estas criaturinhas, às vezes tçao bizarras, em casa e tratá-las como reais é desconhecida. Alguns alegam ser apenas uma forma lúdica de enfrentar a velhice e o fato de os filhos já estarem crescidos. Não existem conclusões e as opiniões especializadas dividem-se entre os benefícios da fantasia e a regressão emocional causada por falta de afeto.



Reborns me assustam.



Eu realmente acho os Reborn obras de arte magníficas e, a título de coleção eu os considero incríveis, mas acharia muito bizarro se a minha mãe, no lugar de um Poodle (owwwn) tivesse comprado um Reborn.

Para segunda veia do assunto de hoje, temos algo mais delicado, mais mal visto e muito mais caro. A evolução da boneca inflável - as Real Dolls. Também feitas a mão, como os Reborns, mas com atrativos e funcionalidades bastante diferentes, elas foram inventadas por McMullen e produzidas em sua empresa Abyss Creations na California, Estados Unidos.



Modelo de Real Doll.



Elas são a coisa mais avançada que se pode pensar. Incluem os "3 orifícios padrão", removíveis, laváveis e ... esquentáveis, para o prazer de seus donos - além de um corpo feito com silicone que imita o mais próximo possível a sensação de pele. Cada uma pode custar mais de US$6.000. Até aí, tudo que podemos dizer é que é apenas mais uma invenção da indústria do sexo. A coisa que me intriga é o fato de muitos homens tratarem-nas não apenas como bonecas, mas como suas mulheres, a ponto de deixarem totalmente de lado qualquer tentativa de relacionamento com mulheres "orgânicas", como eles se referem.



She looks like the real thing*
She tastes like the real thing
My fake plastic love.

But I can't help the feeling

I could blow through the ceiling

If I just turn and run.

And it wears me out, it wears me out.



Começando do começo, a atração por seres imóveis que imitam a figura humana não é novidade de nossos tempos. Aliás, isso tem um nome: agalmatofilia. Desde a tragédia grega a atração por estátuas vem sendo contada e recontada. Em 1877 o caso de um jardineiro que tentou transar com a Vênus de Milo foi registrado pelo psiquiatra Autro-Húngaro Richard von Krafft-Ebbing.

Como eu disse, até aí tudo bem. A atração sexual por coisas aleatórias é bem conhecida por aí. Fetiches ou parafilias, como a dos Looners (fetiche por balões. Sim, balões), ou a maieusofilia (excitação com a visualização de partos) têm cada vez mais variações.

Por tudo que me compete, nada que não machuque os outros é um problema e eu não estou em posição de julgar os possuidores de Real Dolls ou Reborn Babies. O que me chama a atenção é todo o afeto e carinho dispensado em algo que simplesmente não corresponde. Não que a indiferença não esteja presente entre nós, corpinhos providos de vida e calor próprio, mas estas substituições me levam a pensar que talvez todo o distanciamento que vivemos hoje seja a causa de uma procura tão ávida por seres que não podem nos rejeitar.

As interações tornam-se cada vez mais efêmeras, as relações de confiança se partem em pedacinhos, como um pirulito de caramelo que cai no chão. Tornamo-nos cada vez mais incapacitados emocionalmente, não é mesmo? A precisão do nosso mundo regulado não existe no campo humano e isso nos deixa impotentes. Não podemos suportar uma ação não esperada.

Talvez por isso, uma das relações que a repórter
Meghan Laslocky aponta em sua matéria vencedora do Clay Felker Award, "Real Dolls: Love in the Age of Silicone", entre outras, seja com o autismo. O autista não suporta não saber o que vem pela frente. Seu mundo é calculado e a menor mudança pode deixá-lo em pânico.

Reborns não morrem, não adoecem, não nascem feios (a menos que você queira), não te deixam acordado a noite. Com eles você não tem que correr pro médico, não tem que lavar a roupa. Não precisa ficar ouvindo a sua mãe te dizendo como criar seu próprio Reborn. Você não precisa ser uma mãe perfeita. E o mais importante, eles não crescem. Eles nunca vão entrar na puberdade e te dizer que te odeiam. Eles não te abandonam.

Real Dolls, por sua vez, não reclamam dos seus hábitos irritantes, da toalha molhada em cima da cama, dos amigos, do futebol na tevê. Elas sempre te escutam, sempre querem sexo - e sempre do jeito que você gosta. Com elas não há perigo de se fazer algo errado, não há a necessidade de cumprir o papel que se espera de você. E elas não te trocam por um cara mais rico, mais bonito e mais novo. Elas não te abandonam.

Na internet, 'mamães' de Reborns exibem seus bebês em poses montadas e roupas variadas. 'Namorados' de Real dolls exibem suas amadas em fóruns e se caracterizam como um movimento organizado. A revista Coverdoll tem sua versão online e é totalmente voltada para amantes de Real Dolls. "Perfis" de Real Dolls são publicados lá. Os donos criam um personagem e agem como se ele fosse real. Zara tem seu próprio perfil, publicado na edição de Novembro deste ano.


Zara é a garota da capa da Coverdoll de Novembro.


Além de achar este tema muito interessante e simplesmente querer ler mais e mais (e escrever, porque tinha muito mais o que dizer), proponho as seguintes questões: até onde vai o limite da nossa noção de realidade? Quando começamos a perder a conexão com o mundo? Afinal, não são os outros humanos quenos tornam humanos? Quanto tempo vai demorar até que vejamos famílias falsas inteiras - mãe Reall Doll, baby Reborn / pai Real Doll (sim, existem as versões masculina e até she male), baby Reborn)? Por que procuramos afeto em objetos sintéticos? Se tantos procuram afeto, porque não se consolam uns aos outros? Que medo é este que temos de nós mesmos? E, por fim, a que isto nos leva?

Não acredito que o ato de ter uma Real Doll ou um Reborn em si seja nocivo. Aliás, vejo mais com um sintoma. Não de falha emocional e social individual, mas algo que vem chegando como uma onda a todos nós. Perder a capacidade humana de se relacionar e de lidar com os sentimentos talvez comprometa todas as áreas de nossas vidas. A coisificação do ser humano, que se obriga a ficar fechado dentro de si.

Talvez estejamos no caminho de nos tornarmos cada vez mais parecidos com RealDolls e Reborns. Cada vez mais sintéticos e fechados. Passivos e submissos.


*And if I could be who you wanted
If I could be who you wanted

All the time, all the time.




Bem, chego ao fim deste post. Desculpem pelo texto atravancado, algo não anda bem nas minhas sinapses. Deve ser o calor.

Fantasia é aprovada pelo canguru. Um mundo de plástico é temido por ele.

Fiquem com mais uma música que ilustra muito bem o nosso assunto de hoje. Procurem a letra, ela é medonha e poderia ser cantada por uma Real Doll (se elas cantassem).








Beijos e até a próxima (prometo que melhoro a escrita)! Não se esqueçam de comentar! :D


* Trechos da música Fake Plastic Trees do Radiohead.
Tristeza reflexiva só pra você.