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domingo, 19 de abril de 2009

canções, versões e outras criatividades (parte 1)

Tudo começou em uma quente tarde de verão quando, na casa de papai, este genitor contribuiu para o meu crescimento intelectual ao tocar no seu mini system um álbum que ele havia criado ( leia-se baixado músicas no mercado de compartilhamento gratuito e gravado-as em um cd virgem) com várias versões. A que mais ficou gravada na mente foi uma versão de Bob Dylan (infelizmente, ou felizmente, eu não gosto muito dele) cantanto Creep, do Radiohead. Papai, porém, foi bastante simpático na escolha do repertório, incluindo "What a Wonderful World" interpretada por Joey Ramone.

O tempo se passou e, numa bela madrugada (do dia 17/04) , um tanto triste por assuntos pessoais (que, obviamente, não vem ao caso), eu e o Petit vimos a coisa mais horrenda e engraçada que poderia existir naquele momento*. Os convidados da noite no Jô eram Inri Cristo e as Inriquetes. Dá uma olhada nas músicas que estas discípulas do di... ops, digo, do Inri Cristo, versionaram.



"Estava ali vendo a tv, sem enteder o porquê"
Eu também, eu também...

Decidi então, fazer o post de hoje com versões, no mínimo esquisitas de músicas, e a Limbo me agraciou com uma criação do quarteto-capela Moosebutter performada por Corey Vidal. Se você adora Stars Wars (ou o compositors e pianista John Williams) e não viu este vídeo, você não é um nerd/músico que se preze.




No site do Moosebutter você pode curtir (nossa, que Kzuka isso) outras criações do quarteto, incluindo uma versão sobre Harry Potter para Pretty Woman. Já o vídeo acima fez tanto sucesso que dá (ou nem precisa dar, trocadalho péssimo) pra achar vários vídeos bolados a partir do primeiro, como este, o Frog Wars.

Com a quantidade de versões estranhas por aí, tenho certeza que farei um novo post pra você, leitor, rir mais um pouco (ou não).

Beijos do Okapi.

*tá, essa é a minha opinião, o Petit disse que elas são interessantes quando cantam e dançam na palavra assanhar.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Quem chorou quando a mãe do Bambi morreu?

Olá, queridinhos! Volto nesta sexta-feira, displicentemente, para trazer um hiatus na nossa série de contos de fadas. No lugar disto trago hoje um pouco de arte para vocês, sem de forma alguma deixar de lado o tema anterior! Isso mesmo! Hoje falaremos do magnífico híbrido blog/site Who killed Bambi? ou, em bom português, Quem matou o Bambi?

Eles são uma gangue tão legal quanto a nossa, com a adição de serem italianos o que, por si só, já põe muito medo em todo mundo. Adicione a isso o fato de que sua missão é matar o Bambi. suas armas são a fotografia, a pintura e tudo o mais que puderem imaginar.

Matar o Bambi é uma metáfora para acabar com "a banalidade, conformismo, falta de humor e bom senso". Logo vemos que eles estão do nosso lado!

Como todos bem sabem, eu sou uma grande fã de arte e quanto mais bizarra melhor! O Who killed Bambi? é uma das minhas fontes de obras que fazem meu dia.







Visitem o Who Killed Bambi? ... ou não! Já que eles são caras legais eles possuem Feeds RSS, que nem a gente!

Semana que vem eu volto com um post mais decente! ;) Beijinhos.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Impotência


and i

i hoped that things would turn out my way

O meu desejo ontem, além de não atrasar mais um post, era falar sobre uma matéria que li na revista Superinteressante e discorrer sobre as coisas que a gente (não) aprende na escola e que acabam por não ser verdade, ou por mudar de verdade. Só que um fato e um sentimento apareceram no caminho e eu acabei mudando os planos, mudando o sono, mudando os pensamentos... deixa eu explicar.

Trouble is her only friend

And he's back again.

Makes her body older

Than it really is.


Quase no momento em que me sentei na frente do computador, minha mãe veio me avisar que estava saindo para dar uma volta. Ela fechou a porta e eu comecei a digitar. Não cheguei a terminar o primeiro parágrafo, pois ouvi ela dizendo: “Tem um gato agonizando aqui na frente de casa.” Logo perguntei: “O quê?”, e ela “Um gato. Acho que foi envenenado”. No momento em que eu pensava Peraí! Nós temos uma gata linda, que se chama Bibi e que está na rua..., a minha mãe falou “Não é a Bibi”. Deixei o alívio de lado e fui ver, afinal, o que estava acontecendo.

Perto do portão de casa, um gato macho, preto, de patas brancas, estava deitado de lado, arfando forte, tentando colocar mais pra fora da gosma branca que saia de sua boca. Era lindo, mas sua dor me aterrorizava.

O que podemos fazer? Fomos nos vizinhos da rua, não era de ninguém. Ligamos para pessoas por perto, que sabíamos possuir este tipo de animal de estimação. Nada.
Minha mãe disse: “Não há nada que possamos fazer”. Impotência. Como não? Não há um veterinário nesta merda de cidade? Lembrei-me que o responsável de fazer a castração da minha gata por um preço módico cuidava de animais de grande porte, não de pequeno. “Vou sair pra caminhar. Não vou sofrer por um gato que nem é meu.” Disse a mãe, e saiu.

Is it a warning? Is it an evil sign?
Is it a people who have lost their mind?
Is it the Darkness?
Is it a man resigned?
Is it a best friend leaving you behind?

Is it ever gonna stop?
Will they ever let you go?

You're in a rush, they don't care enough 'cause they're lives are very slow

Time is ticking on, you don't get a second shot


Votei pro computador. Uma das melhores amigas estava no messenger. Veio falar comigo, lhe contei a história. Ela me disse que a cachorrinha dela (que, aliás, tem o mesmo nome da minha gata) havia tentado comer sapos e a situação era parecida. “Lava a boca dele com água, que, se for isso, vai passar”.


Peguei um pano velho, fui pra frente de casa. Ele ali, agonizando. Enrolei-o no pano e fui até o tanque. Com uma sacola protegendo as mãos lavei toda a sua cara assustada, com carinho. Ele tinha convulsões fortes e era difícil segurá-lo. Mais difícil ainda era segurar o choro, o que se tornou impossível com o passar dos minutos e nenhum sinal de melhora. Impotência. Liguei pro veterinário, quase meia-noite. “Certamente deve ser envenenamento. O ideal é dar um antitóxico, só que eu não tenho e você não conseguirá em outro lugar a essa hora da noite. Não há nada mais a ser feito.”. Impotência.


And you've seen a thousand times

There's not much justice in the world


Levei o animal até o chão, onde havia um desnível, e fiquei dando água a ele, tentando ajudá-lo a vomitar. Nisso, meu namorado liga. Eu já tinha ligado umas três vezes para ele sem obter resposta. Agora entendia o porquê. Sua voz e a risada eram o representante claro da felicidade. Eu havia esquecido que o mundo continuava a girar enquanto eu estava ali. “Estávamos no teatro, eu e uns amigos, vendo o show daquela banda!”. Ah, aquela. Aquela que havíamos combinado de assistir juntos. Impotência. Não consegui segurar o choro e tive que explicar a situação. Combinamos dele me ligar mais tarde, pois não estava telefonando de seu próprio celular. “Você me liga quando chegar em casa?” “Ligo, mas tenta se acalmar”. Só que ele não ligou, apenas mandou uma mensagem dizendo que ia dormir na casa de um amigo.

And I'm standing all alone
I'm not that bad

In my

In my heart


I am guilty

And of that I confess


Foi quase na mesma hora que a minha mãe chegou. A mesma frase: “Não há nada que você possa fazer”. Só que ela tinha mais a dizer. “Vamos levá-lo até o campo abandonado, do outro lado da rua. Se ele ficar aqui, você vai ficar sofrendo com ele o resto da noite.” Como será que ela sabia?! “E, além do mais, você que é alérgica tinha que estar se cuidando mais.”

Coloquei um par de luvas e agarrei o animal, que ainda agonizava, os olhos desesperados. Levei-o até o outro lado da rua e tive o cuidado inútil e estúpido de colocá-lo em lugar que parecia mais confortável.


He knows the price that he's paid.

He admits that it's too late to admit that he's afraid.

Tomorrow comes. Sorrow becomes his soul mate.
The damage is done.


Impotência
. E agora culpa. Voltei pra casa, sã e salva. Minha mãe disse que eu deveria tomar um banho. Depois me trouxe álcool. Fui tomar banho. Tive o cuidado de lavar cada pedacinho do corpo. Peguei a toalha, me sequei. Coloquei um pouco de álcool em um algodão e comecei a esfregar pelo corpo. Mas não era a pele que eu queria limpar, era algo como a mente ou alma. Queria me livrar da culpa, me livrar da raiva, da tristeza, e, principalmente, me livrar do pior sentimento, a impotência.


And I see no bravery,

No bravery in your eyes anymore.

Only sadness.

Não é a primeira vez que lido com esse sentimento, mas é a primeira vez que tenho consciência suficiente para analisá-lo. E é a primeira vez que não tenho ninguém para me abraçar, é a primeira vez que estou sozinha. Quando eu era pequena ganhei um sorvete, desses de máquina (que, na época, eram uma novidade). Acho que não dei duas lambidas e deixei-o cair no chão. É a primeira vez, que eu me lembre, que lidei com o sentimento de impotência. Não havia o que fazer. E eu chorei. Não porque minha mãe me xingára o que não aconteceu, ou porque eu não poderia ganhar outro, e eu poderia, mas não quis. Fiquei pensando nas outras crianças que queriam um sorvete também, mas não podiam comprá-lo. Foi sem querer, mas mesmo assim me sentia culpada. Minha mãe me acalmava e me dizia que não era nada, enquanto eu aproveitava, pela primeira vez, o sabor de um dos meus defeitos, a culpa constante.

Só que, naquela época, eu tinha com quem dividi-la. Hoje não mais. Pensei em ligar pro namorado, mas resolvi deixá-lo em paz. Queria que todos, como eu, abrissem mão de certas coisas pelo bem de outras, só que, se nem eu sou capaz de levar esse lema as últimas conseqüências, como posso exigir que os outros façam o mesmo?


Sometimes it's hard to believe you remember me.

Will you be my shoulder when I'm grey and older?
Promise me tomorrow starts with you


A segunda vez que me lembro de identificar a impotência foi quando li O Caçador de Pipas. Khaled Hosseini, pra mim, soube descrevê-la verdadeira (provavelmente, por ser, antes de escritor, médico), como é este sentimento, mas eu ainda não tinha tido a oportunidade de experimentar o seu sabor assim, tão puro. Impotência.


I'm so tired of never fixing the pain

Valium said to me: I'll take you seriously,

And we'll come back as someone else,

Who's better than yourself?

Provavelmente, seja esse o pior sentimento, o que não há cura, o qual nenhum psiquiatra tem um remédio para receitar. Eles podem controlar sua raiva, sua obsessão, sua ansiedade e até sua tristeza, mas ninguém pode fazer nada contra a impotência. Ninguém, mas o pior é descobrir-se sem nada poder fazer. Eu não tenho mais o que fazer. Assim como não tenho o que fazer contra as armas que matam tantos, o que fazer para amenizar tanta destruição, tanto terror.


I guess it's time I run far, far away; find comfort in pain,
All pleasure's the same: it just keeps me from trouble.

Hides my true shape, like Dorian Gray.

I've heard what they say, but I'm not here for trouble.

It's more than just words: it's just tears and rain.

E assim eu fiquei, me sentido culpada, sozinha e impotente. E, como quando eu era pequena, uma hora vai passar.

its not often that im sick of life
but its alright
its alright



PS1: Letras de James Blunt, retiradas do Letras.Mus. Nessa ordem, das seguintes músicas: Allright Tonight, Carry You Home, I Can't Hear The Music, If There's Any Justice, Here We Go Again, Billy, No Bravery, Beautiful Down, Give Me Some Love, Tears And Rain e Allright Tonight.
PS2: Prometo fazer o possível para postar em dia a partir de agora.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Quem tem medo de Baba Yaga?

Olá, queridinhos. Espero que todos tenham tido uma ótima virada de ano e que continuem conosco em 2009, pois temos grandes posts pra vocês. Como podem ter notado, estamos um pouco diferentes do que éramos no começo. Agora estamos livres e podemos escrever sobre o que quisermos. Além disso, a Balonista não estará entre nós por um tempo. Acreditamos que uma forte corrente de ar tenha passada e a levado; ou isso ou ela fugiu com o padre. Esperamos que, além de aérea, ela não vire uma mula sem cabeça... isso caso a hipótese do padre esteja correta.

Mas falando em mula sem cabeça, posso introduzir (pausa para ambiguidade) o assunto de hoje! Eu gosto muito de fantasia e algo que me fascinava quando eu era pequena era os contos de fada. Ó, mas que Poodle gracinha, lendo a Branca de Neve! - pensaram eles, inocentes. Não, o meu conto de fadas (se é que assim se pode chamar) preferido era A Pequena Vasilissa.


"O Conto de Fadas" de James Sant (por volta de 1845). A expressão no rosto do pequeno traduz a minha própria fascinação por histórias fantásticas.


A Pequena Vasilissa (ou Vasilissa, The Beautiful, ou Vasilissa, The Brave) é um conto de origem russa e foi transformado no filme Vasilissa The Beautiful em 1939. Eu não encontrei uma versão em português na web, então fiz uma tradução livre de um dos resumos que eu encontrei. A versão completa, em inglês e com anotações, você encontra aqui.



Vasilissa em frente à cabana de Baba Yaga.



Um mercador teve, com sua primeira mulher, uma única filha, que era conhecida como Vasilissa, a bela. Quando ela tinha oito anos de idade, sua mãe morreu. Em seu leito de morte, ela deu a Vasilissa uma pequena boneca de madeira e instruções para que desse à boneca o que beber e comer se estivesse em necessidade, e então a boneca a ajudaria. Assim que a mãe morreu, Vasilissa deu o que comer e beber à boneca e ela lhe confortou.

Depois de um tempo o pai casou-se novamente, com uma mulher que tinha duas filhas. A madraste era muito cruel com Vasilissa, mas com a ajuda da boneca ela conseguia acabar todas as tarefas que lhe eram atribuídas. Quando os jovens vinham cortejá-la, a madrasta os rejeitava, porque não era apropriado que a filha mais jovem se casasse antes das mais velhas, e nenhum dos pretendentes queria se casar com as irmãs de Vasilissa.

Um dia, o mercador teve que embarcar em uma viagem. A mulher vendeu a casa e mudou-se com as meninas para uma cabana escura na floresta. Um dia, ela deu a cada uma das garotas uma tarefa e apagou todo o fogo da casa, a não ser por uma vela. A filha mais velha, então, apagou a vela, e elas mandaram Vasilissa buscar fogo na cabana de Baba Yaga. A boneca lhe aconselhou que fosse, e ela foi.

Enquanto ela caminhava, um homem misterioso passou por ela na hora do crepúsculo, vestido de branco, em um cavalo branco cujo equipamento era todo branco; então passou um cavaleiro parecido, vestido de vermelho. Ela chegou a uma casa que se apoiava em patas de galinha e era delimitada por uma cerca feita de ossos humanos. Um cavaleiro negro, como o cavaleiro branco e o vermelho, passou por ela. Então a noite caiu e as órbitas oculares dos crânios tornaram-se luminosas. Vasilissa estava muito apavorada para fugir, e Baba Yaga a encontrou quando chegou montada no seu pilão.


Baba Yaga disse que ela deveria realizar tarefas para ganhar o fogo, ou então ela seria morta. Para a primeira tarefa Vasilissa deveria limpar a casa e o jardim, cozinhar a ceia e catar grãos negros e ervilhas selvagens em um saco cheio de trigo. Baba Yaga foi embora e Vasilissa cozinhou enquanto a boneca fez todo o resto. Ao amanhecer, o cavaleiro branco passava; ao meio-dia, ou antes, passava o vermelho. Quando o cavaleiro negro passou Baba Yaga voltou, e não podia reclamar de nada.

Ela conjurou três pares de mãos sem corpos para pegarem os grãos e moê-los, e deu a Vasilissa as mesmas tarefas para o dia seguinte, com a adição de limpar sementes de papoula que tinham sido misturadas com sujeira.
Novamente,a boneca fez tudo, menos cozinhar a refeição. Baba Yaga mandou os três pares de mãos expremer o óleo das sementes de papoula.



Baba Yaga e Vasilissa



Vasilissa perguntou sobre as identidades do cavaleiros e recebeu a resposta de que o branco era o Dia, o vermelho era o Sol, e o negro era a Noite. Outros detalhes não foram explicados, pois Baba Yaga gostava de manter segredo. Em retorno, Baba yaga perguntou sobre a causa do sucesso de Vasilissa nas tarefas. Ao ouvir as palavras "pela benção de minha mãe", Baba Yaga mandou Vasilissa para casa. Com ela foi enviado um dos crânios com olhos luminosos, para prover luz à sua família. A luz do crânio queimou a madrasta e as filhas até sobrarem apenas cinzas.

Mais tarde, Vasilissa tornou-se um assitente para confeccionar tecidos na capital da Rússia, onde ela mostrou-se tão habilidosa que o próprio Czar notou. Ele, mais tarde, casou-se com ela.

A versão completa é muito mais legal, obviamente. E a parte mais intrigante e emocionante da história, Baba Yaga, não é tão forte no resumo que eu apresentei para vocês. Certamente a minha bruxa favorita de contos de fada, Baba Yaga é presente no folclore de muitos povos eslavos. Ela é mais do que uma bruxa, no sentido tradicional que a palavra tem nos contos de fada. Elas às vezes é vista como uma velha terrível e às vezes como mãe acolhedora. Ela é a mãe da terra e a destruidora. Faz-me lembrar dos aspectos da deusa tríplice - que dá a vida e a toma - , presente no paganimo moderno. Baba Yaga mora numa cabana que se apóia sobre patas de galinha dançantes, com uma cerca de ossos humanos; ela voa não numa vassoura, mas num pilão; ela é uma criatura de hábitos curiosos e seus três cavaleiros prenunciam os momentos do dia.

Aqui vocês tem uma versão moderna de um conto de Baba Yaga, em animação. Infelizmente não é possível incorporar o vídeo ao blog por solicitação dos criadores, acredito, mas Emily and the Baba Yaga é um curta de 10 minutos que vale uma viagem ao YouTube.




Emily, de Emily and The Baba Yaga - uma versão moderna e estranha dos contos da velha anciã.




Baba Yaga não está presente apenas em obras russas. Nos quadrinhos de Mike Mignola, Hellboy, Baba Yaga aparece em um dos números. Você pode ver Baba Yaga com Hellboy em inglês aqui, com direito a pequenas animações. Se você prefere em espanhol, clique aqui, e veja a versão digitalizada dos quadrinhos.



A Baba Yaga de Hellboy.



A história dos contos de fada ainda vai longe. Eu mesma não tinha noção de quanta coisa tinha para escrever. Acredito que me renda mais uns dois posts, para que não fique tão maçante para vocês. Nas próximas edições: contos de Grimm e os contos de fada na arte. E um pouco mais de Baba Yaga.

Baba Yaga é mara... e a pequena Vasilissa também.

Beijos, queridos... e não deixem que Baba Yaga venha contar seus dedos à noite ;)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Guerra é paz?

É impossível não ficar estarrecido com os últimos acontecimentos na Faixa de Gaza. Embora algumas pessoas fiquem mais chocadas com crimes hediondos como o caso Nardoni ou o da menina Eloá, o conflito no Oriente é, ou deveria ser, de interesse mundial.

Claro, eles estão lá, a milhas de distância de nós não é mesmo? Não há previsão de nenhuma bomba cair em terras tupiniquins, então por que dar atenção a isso? Vamos falar sobre o BB9. (ironia, ok?).

Os números são assombrosos: ao longo desses 13 dias de ataques, mais de 750 palestinos morreram e mais de 3.000 ficaram feridos. Retaliação é a palavra de ordem. A Operação Chumbo Fundido que começou no dia 27 de dezembro de 2008 foi justificada como resposta aos ataques do Hamas.

Bombardeios no Oriente Médio deixaram de ser novidade nos telejornais há tempos. Já não nos espantamos com a quantidade de vítimas que são mortas nos conflitos. Dessa vez, a situação é crítica no que tange à violação dos Direitos Humanos, pois os palestinos civis estão reclusos na região do conflito sem a possibilidade do refúgio, como é de praxe, nessas circunstâncias.
Longe de mim tentar apontar quem tem ou não a razão no conflito. Mas uma coisa é fato: a grnade perda acaba sendo sempre a dos civis. Os moradores da Faixa de Gaza perdem a família, a casa, a segurança. Perdem a paz. Não estou querendo acusar os israelenses de culpados, afinal a população civil também tenta há séculos conquistar a sua paz. E cuidado com a aversão ao povo de Israel: pois a linha que separa o anti-semitismo do nazismo é tênue.



Em 1948 o Estado de Israel foi criado na área correspondente a 75% da Palestina histórica. Com isso, em torno de 3 milhões de palestinos buscaram refúgio nos países vizinhos. Para quem não lembra as aulas de história, a tia Wiki refresca a sua memória.

De 1948 pra 1984 temos um trocadilho que leva de um ano conflituoso no Oriente para o título de uma excelente obra literária de George Orwell. Aliás, o livro foi escrito em 1948, e retrata, dentre outros aspectos inerentes a uma distopia, a guerra sem fim. O autor afirma no texto que "Guerra é paz", pois discorre sua teoria sobre a guerra afirmando que o objetivo da guerra não é vencer o inimigo nem lutar por uma causa. O objetivo da guerra é manter o poder das classes altas, limitando o acesso à educação, à cultura e aos bens materiais das classes baixas. A guerra serve para destruir os bens materiais produzidos pelos pobres e para impedir que eles acumulem cultura e riqueza e se tornem uma ameaça aos poderosos.


No caso do conflito de Gaza, a destruição prevista por Orwell já faz parte do cotidiano dos cidadãos palestinos. No entanto, o conflito atual não é paz. É guerra.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Zombie Walk Santa Maria 2008

Olá, queridos... Eu e a Limbo fomos cobrir a Zombie Walk 2008 de Santa Maria. Infelizmente, devido a minha preguiça eu não fui vestida a caráter. Ano passado esta que vos fala foi vestida de uma adorável enfermeira zumbi. Quem sabe ano que vem eu participe de novo?


Na gare


O evento estava marcado para as 17h, com saída da gare da estação férrea de Santa Maria. Houve atrasos e eu nem sei a que horas els foram sair de lá. Eu e Limbo lá chegamos lá pelas 10 paras as 5 e esperamos até mais de 6h da tarde, quando então começou a ameaçar chuva e resolvemos ir buscar nossos guarda-chuvas e comer alguma coisa.


Limbo sendo atacada por uma zumbi


Conseguimos alcançar a Walk na Rua do Acampamento, entre a Tuiti e a Pinheiro Machado (desculpas a quem não é de Santa Maria, pela especificidade). Continuamos pela Fernando Ferrari e chegamos ao ponto alto da tarde, a chegada ao McDonald's, onde muitas criancinhas foram aterrorizadas, e ao Monet Plaza Shopping, onde os zumbis até ameaçaram dar uma palhinha.


Zumbis clamam por BigMacs


Logo depois, numa manobra inusitada, a turba enraivecida seguiu em direção à Estação Rodoviária, onde deram boas-vindas àqueles que chegavam... Já sem forças por não terem comido nenhum mísero cerebrozinho, os zumbis foram, exaustos, para casa.

Em 2008 havia menos gente que no ano anterior, mas algumas das caracterizações compensaram, como o Alex de Laranja Mecânica, a zumbi dona-de-casa, as muitas noivas, a zumbi Coringa eo homem-privada (como eu o chamo), mas conhecido como 'Moreno do Banheiro'. Int Isso sem falar nos caça-zumbis que garantiram a ordem na multidão não-viva. Ou viva 'novamente', como o Ned diria:



A cidade sobreviveu a mais um ataque! Esperamos que venham muitos mais por aí!






Não sabe o que é Zombie Walk? Clique aqui!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Do you dare?


Olá, queridos leitores. Venho hoje escrever meu post de Halloween. Estou há uma semana ponderando sobre o conteúdo deste post e acabei chegando à conclusão de que ele será enorme. Ele, por si só, não tem a intenção de ser assustador. Apenas indicarei coisas que me assustaram. Creio que meu foco será minha infância. O mundo das crianças é sempre tão mais assustador que o dos adultos. Entrem pela própria vontade.

Acho que devo começar pelo começo. Sempre fui grande fã de horror e do sobrenatural. Desde muito pequena mesmo. Alguém se lembra de Goosebumps de R.L. Stein? Bastante nostálgico. Mas o que veio antes mesmo de Goosebumps para mim estava na internet. A maior fonte de horror que toda criança da minha idade conhecia era o Assustador. Quem não lembra dele levanta a mão!



Na época eu me pelava de medo desse site. Controverso, eu admito. As discussões sobre ele sempre iam longe... "Não é verdade", "É montagem", "Onde eles iam conseguir uma foto do Kurt Cobain morto???" e aí por diante. Fato é que eu li o site completo quando tinha meus 11 anos. E é claro que algumas coisas nunca mais se saíram da cabeça... Como a foto que sempre me deixou mais assustada em todo o site: a menina fantasma no corredor.

Alguma coisa em garotinhas sempre me deixa com medo. Acho que é um dos clichês do horror que sempre funciona.




Não sei desde quando existe o Assustador, mas o Copyright no rodapé indica 2000. Não duvidaria que exista desde antes disso. E até hoje ele é atualizado. Enquanto escrevo este post a última atualização tinha sido 08 de Outubro de 2008. Um pouco desatualizado, mas eu nem acreditava que ele ainda estivesse no ar.

O que não me agrada no Assustador são as fotos de mutilação. Coisa, aliás, que não me agrada muito de forma alguma. Sempre tive muito mais gosto pela sutileza e pelos fantasmas ú.ú. Qualquer coisa sobrenatural pode me fazer sentir medo. Admito que sou cagona. Mutilações apenas me dão ânsia de vômito. Mutilação por mutilação não tem graça.



Já aquelas atadas a casos de serial killers me agradam. Eu devorei Dahlia Negra num piscar de olhos, aos 14 anos de idade, sem contar a pesquisa que acabei fazendo na web pelos fatos do caso real. Só sinto pena da Scarlett Johanson por ter participado daquela tenebrosa (no mau sentido) adaptação para o cinema. Certamente foi um tempo e R$4,50 perdidos na minha vida.

Existem sites mais recentes semelhantes ao Assustador. O IssoÉBizarro é extremamente explicito quanto às mutilações e anomalias, mas traz algumas coisas bem legais no campo do sobrenatural, como o vídeo 'El Sonido de La Muerte' que acabei de conhecer e, admito, me deixou temerosa desde o play.





Acredito que grande parte da minha temerosidade tenha sido devido à expectativa.

Ainda na web, temos o Medo B. Esse é bem mais leve e dá pra olhar sem medo de vomitar quando rolar o scroll. E eu achei bem mais agradável de se ler e, em algumas partes (não todas, obviamente) mais crível. Seus amiguinhos previamente citados gostam mais do explícito e são absolutamente recomendados para aqueles que são fãs.

Particularmente, acredito que o medo venha daquilo que desconhecemos e não muito das visceras de outros seres humanos. A infância é um período de exploração que determina o nosso futuro como seres humanos. Havia também de determinar nossos medos. Os meus, eu sei bem, estão todos relacionados intimamente com a infância e como o sentimento de pequenez e impotência que eu sentia ao menor cheiro de perigo ou de novidade.




Crianças em perigo ou crianças que nos põe em perigo ainda são as coisas mais macabras nas quais posso pensar. Aliás, um das cenas de monstro mais assustadoras do cinema, para mim, é a do monstro sem olhos do Labirinto do Fauno.



Quando eu era pequena tinhamos um sótão em casa. Eu não tinha permissão para ir lá, mas eu brincava muitas vezes perto da porta e jurava ouvir um choro de menina vindo de lá de dentro. Aquilo acabava comigo. Eu não sabia se o meu medo maior era acabar na mesma situação ou do que ela poderia fazer comigo se eu a libertasse.




Eu tinha uma imaginação muito fértil (e há os que digam que ainda tenho)Os parentes distantes que eu só via às vezes; a ciencia de que alguém próximo carregava uma arma; lâminas de faca enquanto eu secava a louça; determinadas bonecas sentadas me olhando no quarto; uivos de cães do lado de fora de casa (quem saberia dizer se não eram lobisomens?). Eu comecei a ler livros como Stephen King muito nova e quem já o leu bem sabe que a loucura a espreita é sempre o maior dos medos. Eu costumava imaginar situações extremas em que as pessoas perdiam a noção da civilidade. Aquela lâmina de faca e aquela arma guardada no fundo do guarda roupa não eram mais tão inofensivas quanto se imaginava. E eu acredito que nunca tenham voltado a ser.




Ao longo do post de hoje você apreciou imagens do fotógrafo americano Joshua Hoffine que retrata como ninguém os medos da infância.

Bom Halloween para todos. Hoje eu e a Gangue vamos nos assustar (e gargalhar) com Banquete no Inferno e A Hora do Pesadelo.


Esse post faz parte da campanha "Aterrorize a Blogosfera". Conosco nessa campanha estão:


Vão no post de Halloween do Zona Nerd e faça o ranking dos melhores da campanha!

P.S.: A Limbo manda dizer que na verdade a segunda parte da série sobre Campanhas Virais será publicada na segunda-feira e não na quarta como anteriormente havia sido dito.