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sábado, 17 de janeiro de 2009

E quem gostou da história...

Olá, queridos. Volto hoje com a continuação do assunto que começamos semana passada: contos de fada. Minha intenção para hoje era falar sobre os contos de Grimm de forma geral. No entanto, como é bem sabido de vocês, leitores assíduos, minhas intenções nem sempre são constantes. Por isso digo que ela foi transformada na vontade de contar mais um dos meus contos favoritos e não tão conhecidos.

Este que hoje lhes apresento está entre as publicações dos tão conhecidos irmãos Grimm, mas não foi agraciado por nenhuma empresa de animação dominada por um rato com um longa metragem. Por isso, vim a conhecê-lo, ainda bem pequena, através da garota propaganda da Monange. Ela diga-se de passagem, anda forçando demais a coisa naqueles comerciais, e eu não ria tanto durante um intervalo comercial havia muito tempo quando vi a campanha do novo desodorante da referida marca. Juro que passei a coisa toda imaginando que aquilo era pesticida. Isso além do fato de que a música Lança-Perfume não poderia ter sido mais mal usada. Não vou nem começar a comentar o texto dos comerciais do hidradante. Sem falar no sotaque carioca descabido da referida garota propaganda.

Mas voltando ao que interessa, quando eu era pequena, Xuxa lançou uma coleção de livrinhos de história acompanhados de fitas K7 com a história narrada por ela, cheias de efeitos e interpretações. Muito estimulante para a imaginação. A Coleção Conte Outra Vez não trazia somente as histórias mais conhecidas. A que eu mais gostava era exatamente a história então chamada de Os Cisnes Selvagens, mas que é registrada pelos Grimm com The Six Swans, ou Os Seis Cisnes, em português.



A princesa acompanhada de um dos cisnes



Lembro bem que o livro era azul e as ilustrações eram lindas. Uma das grandes decepções da minha vida foi o dia em que meu irmão jogou cola entre as páginas EXATAMENTE desse volume, e deixou-o inutilizado.






Andando por aí descobri que a coleção foi gravada em 1987, mas só foi lançada em 1991. Estranhei, porque nasci em 1989. Não lembro que idade eu tinha quando ouvia essas historinhas (como nossos pais adoram chamar, mesmo que de pequenez não tenham nada), mas não lembrava de ser tão pequena. Mesmo porque meu irmão nasceu em 1991 e o pequeno terrorista não poderia acabar com meu livrinho ainda pequenino.



Capa da K7 do primeiro volume



Andando por aí achei algo melhor ainda! Um site com todos os volumes, acredito eu, da coleção Conte Outra Vez. Disponibilizo aqui o arquivo com Os Cisnes Selvagens, que pode ser ouvido diretamente no blog. Basta clicar no play. Para quem gosta de contos de fada, essa coleção é um prato cheio. Vale a pena conferir o resto.



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Se hoje essa coleção fosse relançada eu certamente eu a compraria. Não só para mim, mas para guardar para os meus filhos. Já não se acham contos de fada registrados por aí como antigamente e acho uma pena que as crianças cresçam achando que só os contos da Disney existem, além dessa mania de chamar animações nada infantis de 'contos de fada modernos'. Shrek não é para criancinhas (Não me venham com a discussão de 'contos de fadas também não eram para criancinhas e os Grimm os suavizaram'. Falarei disso mais adiante e, além disso, todos sabemos do que eu estou falando).

Mas voltando à coleção, ela traz histórias que eu garanto, algumas das quais você nem conhece (ou ao menos nas quais nunca pensou muito). Veja os contos dos volumes disponíveis para download:





Eu sempre gosto das histórias com heroínas fortes, como a já comentada Vasilissa, a Bela e a Fera, Alice no País da Maravilhas... Assim é, também, a protagonista de Os Cisnes Selvagens (ou como queiram chamar). Passar seis anos sem falar nem rir, e tecer seis camisas feitas de urtiga colhida em cemitérios para salvar os irmãos não é para qualquer um... ou uma. Ela aguentou as acusações que lhe foram feitas e permaneceu calada, de forma a não quebrar sua promessa aos irmãos. Quase virou mártir nas chamas da fogueira sob a acusação de matar seus próprios filhos, porque não podia falar para se defender.




A princesa, já na fogueira, é salva por seus irmãos



Aqui você encontra o conto com comentários, em inglês.

A magia e a fantasia, como eu já disse anteriormente, foram grande parte da minha infância. Por isso endosso a tal 'Rainha dos Baixinhos' (como raramente faria de outra forma) que sempre dizia no fim da histórias: Quem gostou da história, que conte outra vez!
Quem se lembra dela e da referida coleção, comente nos posts!

Semana que vem eu volto, com aquilo que me der na veneta. Mas acredito que seja mais um post da nossa série. ;) Até lá. Beijinhos.

P.S.: Eu ia escrever uma tradução breve da história, mas achei que o áudio a contaria melhor. Além disso, vocês podem ouvi-la como eu a ouvi pela primeira vez.

P.S.2: Eu estou sem áudio no meu computador. Espero que esteja tudo funcionando direitinho.

P.S.3: Eu digo que a Xuxa fala isso no fim das histórias porque eu me lembro. Se não foi verdade eu peço desculpas. Como já dito, estou sem áudio e não posso ouvir o arquivo.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Quem tem medo de Baba Yaga?

Olá, queridinhos. Espero que todos tenham tido uma ótima virada de ano e que continuem conosco em 2009, pois temos grandes posts pra vocês. Como podem ter notado, estamos um pouco diferentes do que éramos no começo. Agora estamos livres e podemos escrever sobre o que quisermos. Além disso, a Balonista não estará entre nós por um tempo. Acreditamos que uma forte corrente de ar tenha passada e a levado; ou isso ou ela fugiu com o padre. Esperamos que, além de aérea, ela não vire uma mula sem cabeça... isso caso a hipótese do padre esteja correta.

Mas falando em mula sem cabeça, posso introduzir (pausa para ambiguidade) o assunto de hoje! Eu gosto muito de fantasia e algo que me fascinava quando eu era pequena era os contos de fada. Ó, mas que Poodle gracinha, lendo a Branca de Neve! - pensaram eles, inocentes. Não, o meu conto de fadas (se é que assim se pode chamar) preferido era A Pequena Vasilissa.


"O Conto de Fadas" de James Sant (por volta de 1845). A expressão no rosto do pequeno traduz a minha própria fascinação por histórias fantásticas.


A Pequena Vasilissa (ou Vasilissa, The Beautiful, ou Vasilissa, The Brave) é um conto de origem russa e foi transformado no filme Vasilissa The Beautiful em 1939. Eu não encontrei uma versão em português na web, então fiz uma tradução livre de um dos resumos que eu encontrei. A versão completa, em inglês e com anotações, você encontra aqui.



Vasilissa em frente à cabana de Baba Yaga.



Um mercador teve, com sua primeira mulher, uma única filha, que era conhecida como Vasilissa, a bela. Quando ela tinha oito anos de idade, sua mãe morreu. Em seu leito de morte, ela deu a Vasilissa uma pequena boneca de madeira e instruções para que desse à boneca o que beber e comer se estivesse em necessidade, e então a boneca a ajudaria. Assim que a mãe morreu, Vasilissa deu o que comer e beber à boneca e ela lhe confortou.

Depois de um tempo o pai casou-se novamente, com uma mulher que tinha duas filhas. A madraste era muito cruel com Vasilissa, mas com a ajuda da boneca ela conseguia acabar todas as tarefas que lhe eram atribuídas. Quando os jovens vinham cortejá-la, a madrasta os rejeitava, porque não era apropriado que a filha mais jovem se casasse antes das mais velhas, e nenhum dos pretendentes queria se casar com as irmãs de Vasilissa.

Um dia, o mercador teve que embarcar em uma viagem. A mulher vendeu a casa e mudou-se com as meninas para uma cabana escura na floresta. Um dia, ela deu a cada uma das garotas uma tarefa e apagou todo o fogo da casa, a não ser por uma vela. A filha mais velha, então, apagou a vela, e elas mandaram Vasilissa buscar fogo na cabana de Baba Yaga. A boneca lhe aconselhou que fosse, e ela foi.

Enquanto ela caminhava, um homem misterioso passou por ela na hora do crepúsculo, vestido de branco, em um cavalo branco cujo equipamento era todo branco; então passou um cavaleiro parecido, vestido de vermelho. Ela chegou a uma casa que se apoiava em patas de galinha e era delimitada por uma cerca feita de ossos humanos. Um cavaleiro negro, como o cavaleiro branco e o vermelho, passou por ela. Então a noite caiu e as órbitas oculares dos crânios tornaram-se luminosas. Vasilissa estava muito apavorada para fugir, e Baba Yaga a encontrou quando chegou montada no seu pilão.


Baba Yaga disse que ela deveria realizar tarefas para ganhar o fogo, ou então ela seria morta. Para a primeira tarefa Vasilissa deveria limpar a casa e o jardim, cozinhar a ceia e catar grãos negros e ervilhas selvagens em um saco cheio de trigo. Baba Yaga foi embora e Vasilissa cozinhou enquanto a boneca fez todo o resto. Ao amanhecer, o cavaleiro branco passava; ao meio-dia, ou antes, passava o vermelho. Quando o cavaleiro negro passou Baba Yaga voltou, e não podia reclamar de nada.

Ela conjurou três pares de mãos sem corpos para pegarem os grãos e moê-los, e deu a Vasilissa as mesmas tarefas para o dia seguinte, com a adição de limpar sementes de papoula que tinham sido misturadas com sujeira.
Novamente,a boneca fez tudo, menos cozinhar a refeição. Baba Yaga mandou os três pares de mãos expremer o óleo das sementes de papoula.



Baba Yaga e Vasilissa



Vasilissa perguntou sobre as identidades do cavaleiros e recebeu a resposta de que o branco era o Dia, o vermelho era o Sol, e o negro era a Noite. Outros detalhes não foram explicados, pois Baba Yaga gostava de manter segredo. Em retorno, Baba yaga perguntou sobre a causa do sucesso de Vasilissa nas tarefas. Ao ouvir as palavras "pela benção de minha mãe", Baba Yaga mandou Vasilissa para casa. Com ela foi enviado um dos crânios com olhos luminosos, para prover luz à sua família. A luz do crânio queimou a madrasta e as filhas até sobrarem apenas cinzas.

Mais tarde, Vasilissa tornou-se um assitente para confeccionar tecidos na capital da Rússia, onde ela mostrou-se tão habilidosa que o próprio Czar notou. Ele, mais tarde, casou-se com ela.

A versão completa é muito mais legal, obviamente. E a parte mais intrigante e emocionante da história, Baba Yaga, não é tão forte no resumo que eu apresentei para vocês. Certamente a minha bruxa favorita de contos de fada, Baba Yaga é presente no folclore de muitos povos eslavos. Ela é mais do que uma bruxa, no sentido tradicional que a palavra tem nos contos de fada. Elas às vezes é vista como uma velha terrível e às vezes como mãe acolhedora. Ela é a mãe da terra e a destruidora. Faz-me lembrar dos aspectos da deusa tríplice - que dá a vida e a toma - , presente no paganimo moderno. Baba Yaga mora numa cabana que se apóia sobre patas de galinha dançantes, com uma cerca de ossos humanos; ela voa não numa vassoura, mas num pilão; ela é uma criatura de hábitos curiosos e seus três cavaleiros prenunciam os momentos do dia.

Aqui vocês tem uma versão moderna de um conto de Baba Yaga, em animação. Infelizmente não é possível incorporar o vídeo ao blog por solicitação dos criadores, acredito, mas Emily and the Baba Yaga é um curta de 10 minutos que vale uma viagem ao YouTube.




Emily, de Emily and The Baba Yaga - uma versão moderna e estranha dos contos da velha anciã.




Baba Yaga não está presente apenas em obras russas. Nos quadrinhos de Mike Mignola, Hellboy, Baba Yaga aparece em um dos números. Você pode ver Baba Yaga com Hellboy em inglês aqui, com direito a pequenas animações. Se você prefere em espanhol, clique aqui, e veja a versão digitalizada dos quadrinhos.



A Baba Yaga de Hellboy.



A história dos contos de fada ainda vai longe. Eu mesma não tinha noção de quanta coisa tinha para escrever. Acredito que me renda mais uns dois posts, para que não fique tão maçante para vocês. Nas próximas edições: contos de Grimm e os contos de fada na arte. E um pouco mais de Baba Yaga.

Baba Yaga é mara... e a pequena Vasilissa também.

Beijos, queridos... e não deixem que Baba Yaga venha contar seus dedos à noite ;)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O elefante e o rinoceronte

Pelo título você deve ter presumido que a titia Ornie contaria aqui uma linda fábula ao estilo de “A lebre e a tartaruga” não é mesmo? Um final feliz onde os frascos e comprimidos (ahaha nunca esqueci esse trocadalho dito certa vez pelo sábio Cascão) dão a volta por cima e vencem no fim.

“Era uma vez, um belo e pomposo elefante cor-de-rosa que vivia alegre e sorridente nas selvas da África. Todo dia, na hora de se refrescar no lago, lá estava o elefante com sua tromba e toda a grandiosidade que lhe é atribuída. Do outro lado, o rinoceronte verde esboçava sua simpatia em suas inúmeras tentativas de fazer amigos, as quais não surtiam efeito. Todos os animais riam do seu jeitão desengonçado. Até que um dia...”

Ah, palhaçada esse post. Eu realmente não vou escrever uma fábula (mas quem sabe a história continue num post futuro...).

Para situar nossos queridos leitores, vou apenas comentar que a partir de hoje, nosso blog, que era inicialmente vinculado a uma disciplina acadêmica de jornalismo, está liberado. Mas não se desespere! A Gangue continua no seu ritmo cangurístico especialmente pra vocês.

No último fim de semana resolvi me presentear com uma coisa que eu não via há algum tempo: diversão. Primeiro, no sábado, eu, Limbo, Poodle e meu respectivo fomos ao cinema assistir ao (pasmem) recém-chegado por aqui, Ensaio sobre a cegueira. Ainda estou digerindo a cegueira branca e não vou fazer grandes comentários sobre o filme, só posso dizer que ele conseguiu perturbar – ponto pro Meirelles.

Depois do cinema, eu e meu respectivo fomos ao show de uma banda da qual ouvi falar muito bem, mas que eu até então não havia tido oportunidade de assistir. Entra aqui o elefante lá do título, alias, a pata dele. Cá está o blog da pata:


A Pata de Elefante é formada por Daniel Mossmann (guitarra e baixo), Gabriel Guedes (guitarra e baixo) e Gustavo “Prego” Telles (bateria).

O trio é instrumental, característica que não foi assimilada por alguns bois-cornetas durante o show que pareciam esperar o momento em que alguém da banda colocaria seu microfone de Sandy&Júnior e começaria a cantar. Esqueçam. A voz é dispensada. A melodia da guitarra supre a falta da voz. Justamente por não haver voz, a interação dos integrantes com o baixo, guitarra e bateria é uma espécie de introspecção coletiva que leva o público a alguns momentos de delírio musical.

É impossível ouvir a faixa Gigante, do álbum Um olho no fósforo, outro na fagulha (2008) sem perceber a nítida influência da surf music do The Ventures. Mas não é só através da música surfista que o elefante anda em suas próprias patas! A banda têm influências desde as clássicas trilhas do cinema de Ennio Morricone às músicas do bardo norte-americano.

Antes do elefante entrar triunfal com sua pata, não posso esquecer de mencionar o Rinoceronte. Ao contrário da espécime desengonçada da pseudo-fábula do início deste post, o Rinoceronte sabe fazer um bom e velho rock’n’roll. A banda é formada por Alemão Luiz Henrique (bateria), Cesar Marqueri (baixo) e Paulo Noronha (voz e guitarra). A influência de Led Zeppelin, The Who, Black Sabbath entre outros colossos do classic rock é perceptível nos primeiros acordes. Aqui está o blog da banda:

Nem preciso dizer que a Pata de Elefante e o Rinoceronte foram analisados pelo Ornitorrinco e aprovados pelo canguru!

Rápido: quantos mamíferos da classe mammalia você acabou de ler?

Beijos do saltitante ornitorrinco.