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domingo, 19 de abril de 2009

canções, versões e outras criatividades (parte 1)

Tudo começou em uma quente tarde de verão quando, na casa de papai, este genitor contribuiu para o meu crescimento intelectual ao tocar no seu mini system um álbum que ele havia criado ( leia-se baixado músicas no mercado de compartilhamento gratuito e gravado-as em um cd virgem) com várias versões. A que mais ficou gravada na mente foi uma versão de Bob Dylan (infelizmente, ou felizmente, eu não gosto muito dele) cantanto Creep, do Radiohead. Papai, porém, foi bastante simpático na escolha do repertório, incluindo "What a Wonderful World" interpretada por Joey Ramone.

O tempo se passou e, numa bela madrugada (do dia 17/04) , um tanto triste por assuntos pessoais (que, obviamente, não vem ao caso), eu e o Petit vimos a coisa mais horrenda e engraçada que poderia existir naquele momento*. Os convidados da noite no Jô eram Inri Cristo e as Inriquetes. Dá uma olhada nas músicas que estas discípulas do di... ops, digo, do Inri Cristo, versionaram.



"Estava ali vendo a tv, sem enteder o porquê"
Eu também, eu também...

Decidi então, fazer o post de hoje com versões, no mínimo esquisitas de músicas, e a Limbo me agraciou com uma criação do quarteto-capela Moosebutter performada por Corey Vidal. Se você adora Stars Wars (ou o compositors e pianista John Williams) e não viu este vídeo, você não é um nerd/músico que se preze.




No site do Moosebutter você pode curtir (nossa, que Kzuka isso) outras criações do quarteto, incluindo uma versão sobre Harry Potter para Pretty Woman. Já o vídeo acima fez tanto sucesso que dá (ou nem precisa dar, trocadalho péssimo) pra achar vários vídeos bolados a partir do primeiro, como este, o Frog Wars.

Com a quantidade de versões estranhas por aí, tenho certeza que farei um novo post pra você, leitor, rir mais um pouco (ou não).

Beijos do Okapi.

*tá, essa é a minha opinião, o Petit disse que elas são interessantes quando cantam e dançam na palavra assanhar.

quarta-feira, 25 de março de 2009

god gave Rock 'n' Roll to you



Atenção: se você tem uma internet lentium, assim como o Okapi que vos fala, deixe o vídeo baixar para só depois iniciar sua leitura ao som do Kiss. Obrigada!

O Okapi Parceiro e Leiteiro, depois de muitas discussões com a Limbo Dancer, chegou a conlusão de que a Poodle fez uma macumba para nos passar um pouquinho da sua intolerância. O fato é que, uma das coisas que eu não tolero, principalmente nesses dias, são as posições religiosas.

Tudo bem, calmem, eu não estou indo contra a todas as posições de qualquer religião, mas sim, de algumas pessoas que usaram da dita "palavra de Deus" para defender posições sem argumentos válidos para baseá-las, apenas dizendo: essa é a minha fé, respeite.

Posso até dizer que tudo começou, sim, por causa do menina de nove anos que abortou os gêmeos que esperava de seu padastro, que vinha abusando-a sistematicamente desde os seis anos. Não vou entrar na discussão sobre o fato em si e que fique óbvio que esse padastro imundo (pra não deizer coisa pior) é o que mais me irrita e, se minha filha fosse estuprada, quem viu o filme Tempo de Matar sabe exatamente o que eu faria com ele...

Toda a discussão sobre o caso levou a mim e meus colegas tornar o assunto tema de debate de um pragrama radiofônico. Erro nosso não perguntar a religião de todos os presentes, acabamos com uma freira, seus dois "seguidores" e um pobre teólogo tentando chamar os convidados à terra de vez em quando.

Cada frase que eu ouvia, cada vez, me decepcionava mais. Poxa, eles são pessoas estudadas, não podem pensar realmente isso. Poxa vida, uma médica pediátrica não pode ser tão machista e não ter a mínima noção dos direitos femininos. Poxa vida, um médico obstetra, obstetra, não pode dizer que falará como técnico e acabar defendendo os ideais da Igreja Católica. Poxa vida, ahhh, é a freira, é normal que ela pense assim. Poxa vida, pobre teólogo... pobre mediadora.

Enquanto bobagens eram ditas, as risadas eram inseguráveis, mas creio que era apenas uma forma da gente se acalmar e tolerar um pouco mais a situação, enquanto impedíamos o próprio deus (leia-se colega querido) de deixar algumas camisinhas cairem, sem querer, sobre os pés da freira.

Alguns dias depois, paro pra assistir um desses canais religiosos. Tinha uma mulher desesperada, eu disse desesperada, por não poder pagar o dízimo. Detalhe que ela passou um tempo desempragada e também não podia pagar outras contas, mas o que são elas perto do dízimo? Então ela contou que, depois que ela conseguiu outro emprego, teve que pagar o dízimo escondida, poiso marido havia dito que o resto do dinheiro deveria ser destinado à poupança para a faculdade do filho deles. Ela estava orgulhosa por mentir para o marido e por deixar de depositar dinheiro para o próprio filho, dizendo que sabia que Deus recompensaria ela e seu filho.

Pelo que eu saiba, Deus ainda não distribui dinheiro ou vagas em universidades públicas, e se distribui, algúem me conta em qual religião! Eu me pergunto se ela nunca ouviu esta famosa piada: (que eu tirei daqui)

A barragem, próxima de uma pequena cidade, foi rompida por uma forte chuva e o nível do riacho foi subindo gradativamente.
No alto do morro, na parte mais alta da cidade, ficava a igreja. Quando a água atingiu as primeiras calçadas da cidade os policiais foram avisar o padre para que esse deixasse a igreja. Ele fincou pé e disse: "Deus não há de me faltar."
Quando a água chegou às portas da igreja, os bombeiros, já usando um barco, foram buscar o padre. Ele se recusou a abandonar a igreja e disse: "Deus não há de me faltar."

Quando a água atingiu a torre mais alta, e o prefeito veio de helicóptero tentar convencer o padre a abandonar a igreja, o padre respondeu: "Deus não há de me faltar !!!"


Obviamente o padre morreu afogado.

Ao chegar no céu, ele foi ter com Deus, e já chegou cobrando: "Mas meu Senhor... Como pudestes fazer isso comigo. Me faltastes quando eu mais te precisava." E Deus, visivelmente irritado, respondeu: "Mas meu filho... Te mandei policial, barco, bombeiro, helicóptero e prefeito, e mesmo assim você não seu salvou ?!?"

E eu pensando que o Deus dela tinha dado uma ajudinha pra ela conseguir um emprego bom e poder pagar tudo que seu filho precisa, ela vai e dar dinheiro pra Igreja...

Contudo, não me venham com preconceitos, o catolicismo não é a única religião com argumentos fáceis. Houve um tempo em que o espiritismo me chamou atenção, pois conheci pessoas muito boas e espíritas. E foi só procurar um pouquinho de informações para desistir da idéia. Olha como é fácil, tudo o que vives agora é o que mereces por tua atuação na vida passada: se você tem problemas, é castigo por ter sido ruim, e assim por diante.

Entretanto, como a esperança é a última que morre (um dos pouco ditados que tem um pouco de lógica), organizações como a Católicas pelo Direito de Decidir me dão um pouco de alento ao ver de que religião não signica, necessariamente, alienação ou retrocesso.

Afinal, eu não tenho religiões (sou laica, como diria deus Luiz) mas acredito que exista um Deus, ainda que eu seja da opinião que ele é muito mais parecido com o Deus escrito por Eduardo Galeano no Livro dos Abraços:

Errata: onde o Antigo Testamento diz o que diz, deve dizer aquilo que provavelmente seu principal protagonista me confessou:
Pena que Adão fosse tão burro. Pena que Eva fosse tão surda. E pena que eu não soube me fazer entender. Adão e Eva eram os primeiros seres humanos que nasciam da minha mão, e reconheço que tinham certos defeitos de estrutura, construção e acabamento. Eles não estavam preparados para escutar, nem para pensar. E eu... bem, eu talvez não estivesse preparado para falar. Antes de Adão e Eva, nunca tinha falado com ninguém. Eu tinha pronunciado belas frases, como “Faça-se a luz”, mas sempre na solidão. E foi assim que, naquela tarde, quando encontrei Adão e Eva na hora da brisa, não fui muito eloqüente. Não tinha prática.
A primeira coisa que senti foi assombro. Eles acabavam de roubar a fruta da árvore proibida, no centro do Paraíso. Adão tinha posto cara de general que acaba de entregar a espada e Eva olhava para o chão, como se contasse formigas. Mas os dois estavam incrivelmente jovens e belos e radiantes. Me surpreenderam. Eu os tinha feito; mas não sabia que o barro podia ser tão luminoso.
Depois, reconheço, senti inveja. Como ninguém pode me dar ordens, ignoro a dignidade da desobediência. Tampouco posso conhecer a ousadia do amor, que exige dois. Em em homenagem ao princípio de autoridade, contive a vontade de cumprimentá-los por terem-se feito subitamente sábios em paixões humanas.
Então, vieram os equívocos. Eles entenderam queda onde falei vôo. Acharam que um pecado merece castigo se for original. Eu disse que quem desama peca: entenderam que quem ama peca. Onde anunciei pradaria em festa, entenderam vale de lágrimas. Eu disse que a dor era o sal que dava gosto à aventura humana: entenderam que eu os estava condenando, ao outorgar-lhes a glória de serem mortais e loucos. Entenderam tudo ao contrário. E acreditaram.
Ultimamente ando com problemas de insônia. Há alguns milênios custo a dormir. E gosto de dormir, gosto muito, porque quando durmo, sonho. Então me transformo em amante ou amanta, me queimo no fogo fugaz dos amores de passagem, sou palhaço, pescador de alto mar ou cigana adivinhadora da sorte; da árvore proibida devoro até as folhas e bebo e danço até rodar pelo chão...
Quando acordo, estou sozinho. Não tenho com quem brincar, porque os anjos me levam tão a sério, nem tenho a quem desejar. Estou condenado a me desejar. De estrela em estrela ando vagando, aborrecendo-me no universo vazio. Sinto-me muito cansado, me sinto muito sozinho. Eu estou sozinho, eu sou sozinho, sozinho pelo resto da eternidade.

Ah, e eu não postei antes porque o Santo da Piedade dos Blogueiros Preguiçosos e Cheios de Coisas Pra Fazer me avisou que não seria uma boa ideís postar lá pelo meio de março. Não discutam comigo, é a minha fé!

Beijos amados de um Okapi mais leve depois do desabafo way of life.

PS: Post pro Ornie e pro Petit, que são um pouco do pouco de Kiss que há em mim.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Quem chorou quando a mãe do Bambi morreu?

Olá, queridinhos! Volto nesta sexta-feira, displicentemente, para trazer um hiatus na nossa série de contos de fadas. No lugar disto trago hoje um pouco de arte para vocês, sem de forma alguma deixar de lado o tema anterior! Isso mesmo! Hoje falaremos do magnífico híbrido blog/site Who killed Bambi? ou, em bom português, Quem matou o Bambi?

Eles são uma gangue tão legal quanto a nossa, com a adição de serem italianos o que, por si só, já põe muito medo em todo mundo. Adicione a isso o fato de que sua missão é matar o Bambi. suas armas são a fotografia, a pintura e tudo o mais que puderem imaginar.

Matar o Bambi é uma metáfora para acabar com "a banalidade, conformismo, falta de humor e bom senso". Logo vemos que eles estão do nosso lado!

Como todos bem sabem, eu sou uma grande fã de arte e quanto mais bizarra melhor! O Who killed Bambi? é uma das minhas fontes de obras que fazem meu dia.







Visitem o Who Killed Bambi? ... ou não! Já que eles são caras legais eles possuem Feeds RSS, que nem a gente!

Semana que vem eu volto com um post mais decente! ;) Beijinhos.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Geração Gentileza

"Nós que passamos apressados pelas ruas da cidade merecemos ler as letras e as palavras de Gentileza" (Marisa Monte)

Se você não andou vagando em algum lugar ao Leo da esfera terrestre nesses últimos tempos, muito provavelmente já ouviu ou viu por aí a frase "Gentileza gera gentileza". Seria o princípio da reciprocidade, ou algo do tipo a minha educação depende da sua. Só que na verdade é algo mais.

Em inglês, gentleman significa homem gentil, cavalheiro, suave. Quando ouço falar em gentleman vêm à minha cabeça a imagem de um homem refinado e polido que beija a mão das donezelas e faz uma reverência à elas. Talvez a imagem de um homem que faria loucuras para conquistar o amor de sua amada. Vá lá, isso talvez funcione na literatura infantil e em filmes épicos, pois na vida real é difícil encontrar alguém que seja sempre afável em suas atitudes.

Alguém me disse certa vez que há três expressões capazes de mudar o mundo: com licença, obrigada e por favor. Não que essas palavras tenham alguma utilidade no combate à fome, ao aquecimento global ou às guerras. Mas elas podem ser as palavrinhas mágicas que têm o poder de fazer as relações sociais um pouco menos insuportáveis. Sartre já tinha dito "o inferno são os outros". E, de acordo com um dito homônimo a uma comunidade do Orkut: tá no inferno? Abraça o capeta. Se é assim, então porque não sermos um pouco mais complacentes com aqueles que fazem parte da nossa convivência diária?

Bem diferente dos cavalheiros idealizados por mim, José Datrino é um verdadeiro gentleman cuja vida foi dedicada a espalhar suas mensagens de gentileza e de amor. Seu engajamento começou após a tragédia do Gran Circus Americano em dezembro de 1961. Datrino foi um visionário, um profeta incompreendido durante a sua existência, mas que apesar disso não desistiu de sua causa.


(...)Feito louco
Pelas ruas
Com sua fé
Gentileza
O profeta
E as palavras
Calmamente
Semeando
O amor
À vida
Aos humanos
Bichos
Plantas
Terra
Terra nossa mãe.



O profeta Gentileza, como Datrino foi popularmente conhecido, ficou 35 anos pregando suas palavras e, àqueles que lhe chamavam de louco, respondia: "Sou maluco para te amar e louco para te salvar".

A aparência de Gentileza é a do velhinho barbudo e bondoso que, em meio a uma megalópole do porte do Rio de Janeiro, com toda a violência e caos urbano característicos, conseguiu deixar sua mensagem em letras azuis e em faixas verde-amarelo. Sua obra foi inscrita em 56 pilastras do Viaduto do Caju. As inscrições foram pintadas de cinza e, depois, o projeto Rio com gentileza, recuperou a arte de Datrino.

Não sei pra vocês, mas a sensação que eu tenho é a de que esse início de ano foi meio pesado. Seja com o sentimento de impotência que nos afeta, seja com as fatalidades que nos cercam e algumas coisas que nos indignam, tudo isso corroborou para uma entrada de ano não muito feliz. Acho que talvez por isso resolvi falar sobre algo bom que pudesse ser acrescentado às nossas vidas turbulentas já nesse ano. A gentileza de Datrino e seu legado não devem ser desprezados como mera loucura de um lunático, muito pelo contrário, devem ser aproveitadas na nossa geração, quem sabe uma geração Gentileza?


(...)Sem medo
Insegurança
Medo do futuro
Sem medo
Solidão
Medo da mudança
Sem medo da vida
Sem medo
Das gentileza
Do coração.
(Gonzaguinha)



Beijinhos do gentil ornitorrinco.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Impotência


and i

i hoped that things would turn out my way

O meu desejo ontem, além de não atrasar mais um post, era falar sobre uma matéria que li na revista Superinteressante e discorrer sobre as coisas que a gente (não) aprende na escola e que acabam por não ser verdade, ou por mudar de verdade. Só que um fato e um sentimento apareceram no caminho e eu acabei mudando os planos, mudando o sono, mudando os pensamentos... deixa eu explicar.

Trouble is her only friend

And he's back again.

Makes her body older

Than it really is.


Quase no momento em que me sentei na frente do computador, minha mãe veio me avisar que estava saindo para dar uma volta. Ela fechou a porta e eu comecei a digitar. Não cheguei a terminar o primeiro parágrafo, pois ouvi ela dizendo: “Tem um gato agonizando aqui na frente de casa.” Logo perguntei: “O quê?”, e ela “Um gato. Acho que foi envenenado”. No momento em que eu pensava Peraí! Nós temos uma gata linda, que se chama Bibi e que está na rua..., a minha mãe falou “Não é a Bibi”. Deixei o alívio de lado e fui ver, afinal, o que estava acontecendo.

Perto do portão de casa, um gato macho, preto, de patas brancas, estava deitado de lado, arfando forte, tentando colocar mais pra fora da gosma branca que saia de sua boca. Era lindo, mas sua dor me aterrorizava.

O que podemos fazer? Fomos nos vizinhos da rua, não era de ninguém. Ligamos para pessoas por perto, que sabíamos possuir este tipo de animal de estimação. Nada.
Minha mãe disse: “Não há nada que possamos fazer”. Impotência. Como não? Não há um veterinário nesta merda de cidade? Lembrei-me que o responsável de fazer a castração da minha gata por um preço módico cuidava de animais de grande porte, não de pequeno. “Vou sair pra caminhar. Não vou sofrer por um gato que nem é meu.” Disse a mãe, e saiu.

Is it a warning? Is it an evil sign?
Is it a people who have lost their mind?
Is it the Darkness?
Is it a man resigned?
Is it a best friend leaving you behind?

Is it ever gonna stop?
Will they ever let you go?

You're in a rush, they don't care enough 'cause they're lives are very slow

Time is ticking on, you don't get a second shot


Votei pro computador. Uma das melhores amigas estava no messenger. Veio falar comigo, lhe contei a história. Ela me disse que a cachorrinha dela (que, aliás, tem o mesmo nome da minha gata) havia tentado comer sapos e a situação era parecida. “Lava a boca dele com água, que, se for isso, vai passar”.


Peguei um pano velho, fui pra frente de casa. Ele ali, agonizando. Enrolei-o no pano e fui até o tanque. Com uma sacola protegendo as mãos lavei toda a sua cara assustada, com carinho. Ele tinha convulsões fortes e era difícil segurá-lo. Mais difícil ainda era segurar o choro, o que se tornou impossível com o passar dos minutos e nenhum sinal de melhora. Impotência. Liguei pro veterinário, quase meia-noite. “Certamente deve ser envenenamento. O ideal é dar um antitóxico, só que eu não tenho e você não conseguirá em outro lugar a essa hora da noite. Não há nada mais a ser feito.”. Impotência.


And you've seen a thousand times

There's not much justice in the world


Levei o animal até o chão, onde havia um desnível, e fiquei dando água a ele, tentando ajudá-lo a vomitar. Nisso, meu namorado liga. Eu já tinha ligado umas três vezes para ele sem obter resposta. Agora entendia o porquê. Sua voz e a risada eram o representante claro da felicidade. Eu havia esquecido que o mundo continuava a girar enquanto eu estava ali. “Estávamos no teatro, eu e uns amigos, vendo o show daquela banda!”. Ah, aquela. Aquela que havíamos combinado de assistir juntos. Impotência. Não consegui segurar o choro e tive que explicar a situação. Combinamos dele me ligar mais tarde, pois não estava telefonando de seu próprio celular. “Você me liga quando chegar em casa?” “Ligo, mas tenta se acalmar”. Só que ele não ligou, apenas mandou uma mensagem dizendo que ia dormir na casa de um amigo.

And I'm standing all alone
I'm not that bad

In my

In my heart


I am guilty

And of that I confess


Foi quase na mesma hora que a minha mãe chegou. A mesma frase: “Não há nada que você possa fazer”. Só que ela tinha mais a dizer. “Vamos levá-lo até o campo abandonado, do outro lado da rua. Se ele ficar aqui, você vai ficar sofrendo com ele o resto da noite.” Como será que ela sabia?! “E, além do mais, você que é alérgica tinha que estar se cuidando mais.”

Coloquei um par de luvas e agarrei o animal, que ainda agonizava, os olhos desesperados. Levei-o até o outro lado da rua e tive o cuidado inútil e estúpido de colocá-lo em lugar que parecia mais confortável.


He knows the price that he's paid.

He admits that it's too late to admit that he's afraid.

Tomorrow comes. Sorrow becomes his soul mate.
The damage is done.


Impotência
. E agora culpa. Voltei pra casa, sã e salva. Minha mãe disse que eu deveria tomar um banho. Depois me trouxe álcool. Fui tomar banho. Tive o cuidado de lavar cada pedacinho do corpo. Peguei a toalha, me sequei. Coloquei um pouco de álcool em um algodão e comecei a esfregar pelo corpo. Mas não era a pele que eu queria limpar, era algo como a mente ou alma. Queria me livrar da culpa, me livrar da raiva, da tristeza, e, principalmente, me livrar do pior sentimento, a impotência.


And I see no bravery,

No bravery in your eyes anymore.

Only sadness.

Não é a primeira vez que lido com esse sentimento, mas é a primeira vez que tenho consciência suficiente para analisá-lo. E é a primeira vez que não tenho ninguém para me abraçar, é a primeira vez que estou sozinha. Quando eu era pequena ganhei um sorvete, desses de máquina (que, na época, eram uma novidade). Acho que não dei duas lambidas e deixei-o cair no chão. É a primeira vez, que eu me lembre, que lidei com o sentimento de impotência. Não havia o que fazer. E eu chorei. Não porque minha mãe me xingára o que não aconteceu, ou porque eu não poderia ganhar outro, e eu poderia, mas não quis. Fiquei pensando nas outras crianças que queriam um sorvete também, mas não podiam comprá-lo. Foi sem querer, mas mesmo assim me sentia culpada. Minha mãe me acalmava e me dizia que não era nada, enquanto eu aproveitava, pela primeira vez, o sabor de um dos meus defeitos, a culpa constante.

Só que, naquela época, eu tinha com quem dividi-la. Hoje não mais. Pensei em ligar pro namorado, mas resolvi deixá-lo em paz. Queria que todos, como eu, abrissem mão de certas coisas pelo bem de outras, só que, se nem eu sou capaz de levar esse lema as últimas conseqüências, como posso exigir que os outros façam o mesmo?


Sometimes it's hard to believe you remember me.

Will you be my shoulder when I'm grey and older?
Promise me tomorrow starts with you


A segunda vez que me lembro de identificar a impotência foi quando li O Caçador de Pipas. Khaled Hosseini, pra mim, soube descrevê-la verdadeira (provavelmente, por ser, antes de escritor, médico), como é este sentimento, mas eu ainda não tinha tido a oportunidade de experimentar o seu sabor assim, tão puro. Impotência.


I'm so tired of never fixing the pain

Valium said to me: I'll take you seriously,

And we'll come back as someone else,

Who's better than yourself?

Provavelmente, seja esse o pior sentimento, o que não há cura, o qual nenhum psiquiatra tem um remédio para receitar. Eles podem controlar sua raiva, sua obsessão, sua ansiedade e até sua tristeza, mas ninguém pode fazer nada contra a impotência. Ninguém, mas o pior é descobrir-se sem nada poder fazer. Eu não tenho mais o que fazer. Assim como não tenho o que fazer contra as armas que matam tantos, o que fazer para amenizar tanta destruição, tanto terror.


I guess it's time I run far, far away; find comfort in pain,
All pleasure's the same: it just keeps me from trouble.

Hides my true shape, like Dorian Gray.

I've heard what they say, but I'm not here for trouble.

It's more than just words: it's just tears and rain.

E assim eu fiquei, me sentido culpada, sozinha e impotente. E, como quando eu era pequena, uma hora vai passar.

its not often that im sick of life
but its alright
its alright



PS1: Letras de James Blunt, retiradas do Letras.Mus. Nessa ordem, das seguintes músicas: Allright Tonight, Carry You Home, I Can't Hear The Music, If There's Any Justice, Here We Go Again, Billy, No Bravery, Beautiful Down, Give Me Some Love, Tears And Rain e Allright Tonight.
PS2: Prometo fazer o possível para postar em dia a partir de agora.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O velhinho barbudo é brasileiro

Ah, então é natal! Quando menos se esperava, chegou o natal. Essa frase me acertou em cheio. Na capa da última edição da Piauí, que traz um coelho de cueca de coraçõezinhos enrolado em pisca-piscas, está a frase ali de cima. O choque veio porque, ao contrário dos anos anteriores, ainda não dei meu suspiro de férias (sim, sabe aquele longo suspiro do alívio supremo?) nem me considero em clima de bater o sino pequenino.

A propósito, hoje foi o primeiro dia em que constatei o “adorável” clima natalino em que pessoas andam desenfreadas nesse mundo de meu deus pelo centro dessa cidade com seus pacotes homéricos e, claro, sem o menor senso de direção, atingindo a tudo e a todos que estivesse no caminho.
Mas aí você se pergunta, mon chér e o velhinho barbudo onde entra nessa história?

Bom, segundo fontes okapi-oficiais, ontem ocorreu uma carreata de Papai-Noéis, sim porque um só não basta, era o sindicato inteiro. Aliás, ontem também foi o dia do amigo-secreto da Gangue com direito a montagem da árvore de natal, músicas natalinas, espumante e eu, vestida de ornie-noel.
A figura do velhinho barbudo com olhos azuis, bochechas rosadas, uma grande barriga, barba longa, roupa vermelha, touca e o saco enorme de presentes é a mesma para todos não é?


Não. Pelo menos não o velhinho barbudo ao qual vou me referir aqui. Eu poderia, ou talvez deveria, falar dessa figura mundialmente reconhecida graças à campanha publicitária da Coca-Cola em 1931. Só que eu prefiro falar de um velhinho barbudo muito mais brasileiro, muito mais sonoro que aquele que veste roupas vermelhas. Falo de Hermeto Pascoal.

Não, não é o Gandalf.

O filho da dona Divina e do seu Pascoal começou fazendo pífano (som de um tipo de flauta) a partir do cano de mamona, para os passarinhos ouvirem. Quem diria que, 70 anos depois, o pequeno alagoano se tornaria um dos grandes expoentes da música universal. Creio que três palavras resumem uma definição do genial Hermeto: improviso, talento e idiossincrasia. O improviso é intrínseco ao talento, porque apenas um artista com um dom excepcional é capaz de improvisar um som e transformá-lo em música. A percepção aguçada para sentir os sons da natureza caracteriza a idiossincrasia de Pascoal. Veja o vídeo abaixo e você entenderá do que eu estou falando.



Pelas barbas do profeta (ha) ele tirou som da própria barba!

Admito que, quando eu era um pequeno ornitorrinco, tinha medo do Hermeto Pascoal. Sim, eu nunca esqueci de uma vez em que eu estava brincando sozinha, já era quase noite e a luz ainda não estava acesa. Vinham da sala aqueles ruídos indecifráveis por mim. Sons assustadores ouvidos pelo meu progenitor. Muito medo senti, naquela época, do velhinho barbudo.

Hoje, a música de Hermeto já não é assustadora e nem ruído indecifrável para mim. É uma música que ultrapassa as barreiras do Alagoas, do nordeste, do Brasil. Em entrevista à Gazeta Mercantil, Hermeto afirmou “eu sou musicalmente, um cidadão do mundo”.

Deixo aqui de "presente" de Natal para vocês uma melodia fabulosa desse multi-instrumentista que já foi até toque do meu celular. Hermeto Pascoal, o velhinho barbudo brasileiro, foi aprovado pelo canguru!



Beijinhos do Ornitorrinco-natalino!

Entre no clima da solidariedade do Natal e deixe seu comentário.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Preciso de uma agenda!

Alguém me socorre! Sou um Okapi selvagem e exausto, precisando urgente de uma agenda ou de uma memória nova.

Espero ainda, que algum dia, criem um pen-head-drive, que se acople ao nosso cérebro e nos ajude a lembrar de tudo. Você já imaginou, querido leitor?! Se você esquecer do dia do aniversário de casamento (de novo) poderá dizer para sua mulher "Desculpe querida, o meu pen-head-drive deu pau de novo. Sabia que não devia ter instalado o Windows nele!". Então, dias depois, em vingança, sua dita cuja chegará com o carro vermelho (você tinha deixado bem claro que, se ele não fosse azul, nunca mais iria no fim de semana pra casa da sogra) e ela dirá "Ah querido, eu poderia jurar que você tinha dito vermelho. Só pode ter sido aquele bug no meu pen-head-drive. Darei um jeito nisso, tá legal?".

No dia em que todos possuam uma entrada para pen-head-drive, as piadas do momento serão tão ridículas quanto as atuais "Posso colocar o meu na tua entrada?". No dia em que esta maravilha for inventada, o professor de Comunicação Social dirá "O livro do Barbero está no site da Casa Rosa*" e pronto, você só vai acessar, fazer um download básico pro notebook (é claro, até lá teremos todos um), um upload pro aparelho, e pimba, Barbero na cabeça.

Quando cada um de nós tiver uma entrada USB 5.0, brincaremos de compartilhar a memória que a gente quiser com outras pessoas, só que hackers produzirão vírus para quebrar as proteções e, no momento que você for passar aquela música mara para um amigo ele vai acabar por descobrir o trubufu que você pegou na última festa. Quando todos tivermos uma memória externa, as atendes de banco irão insisir mais uma vez "Não senhora, você não pode guardar sua senha no seu pen-head-drive. Não senhora, nem com um papelzinho na carteira."

Quando você, amado leitor, tiver um pen-head-drive, vai conseguir se lembrar "Ah, hoje é a Póka que deve estar postando na Gangue. Melhor esperar mais um pouco, porque o post dela sempre está atrasado!"

Okapi e seu pen-head-drive
(Montagem tosca feita no Photoshop com ajuda do Petit)

Desculpem pelo post insano. Até a Limbo perguntou se eu estava bem, mas eu nem bebi, apenas tive um lapso de memória, ou o maravilhoso filme Across The Universe me distraiu demais.

Beijos atrasados da Póka.

PS: quem quiser me dar uma agenda, fique à vontade, porque na boca do monte não achei nenhuma mara!.
PS2: * Casa Rosa é um conhecido xerox de Santa Maria. Não vem ao caso explicar que seu nome, na verdade, é Cópias ou Xerox alguma coisa, pois a cor do estabelecimento nomeia-o de forma muito mais exata.