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quarta-feira, 25 de março de 2009

god gave Rock 'n' Roll to you



Atenção: se você tem uma internet lentium, assim como o Okapi que vos fala, deixe o vídeo baixar para só depois iniciar sua leitura ao som do Kiss. Obrigada!

O Okapi Parceiro e Leiteiro, depois de muitas discussões com a Limbo Dancer, chegou a conlusão de que a Poodle fez uma macumba para nos passar um pouquinho da sua intolerância. O fato é que, uma das coisas que eu não tolero, principalmente nesses dias, são as posições religiosas.

Tudo bem, calmem, eu não estou indo contra a todas as posições de qualquer religião, mas sim, de algumas pessoas que usaram da dita "palavra de Deus" para defender posições sem argumentos válidos para baseá-las, apenas dizendo: essa é a minha fé, respeite.

Posso até dizer que tudo começou, sim, por causa do menina de nove anos que abortou os gêmeos que esperava de seu padastro, que vinha abusando-a sistematicamente desde os seis anos. Não vou entrar na discussão sobre o fato em si e que fique óbvio que esse padastro imundo (pra não deizer coisa pior) é o que mais me irrita e, se minha filha fosse estuprada, quem viu o filme Tempo de Matar sabe exatamente o que eu faria com ele...

Toda a discussão sobre o caso levou a mim e meus colegas tornar o assunto tema de debate de um pragrama radiofônico. Erro nosso não perguntar a religião de todos os presentes, acabamos com uma freira, seus dois "seguidores" e um pobre teólogo tentando chamar os convidados à terra de vez em quando.

Cada frase que eu ouvia, cada vez, me decepcionava mais. Poxa, eles são pessoas estudadas, não podem pensar realmente isso. Poxa vida, uma médica pediátrica não pode ser tão machista e não ter a mínima noção dos direitos femininos. Poxa vida, um médico obstetra, obstetra, não pode dizer que falará como técnico e acabar defendendo os ideais da Igreja Católica. Poxa vida, ahhh, é a freira, é normal que ela pense assim. Poxa vida, pobre teólogo... pobre mediadora.

Enquanto bobagens eram ditas, as risadas eram inseguráveis, mas creio que era apenas uma forma da gente se acalmar e tolerar um pouco mais a situação, enquanto impedíamos o próprio deus (leia-se colega querido) de deixar algumas camisinhas cairem, sem querer, sobre os pés da freira.

Alguns dias depois, paro pra assistir um desses canais religiosos. Tinha uma mulher desesperada, eu disse desesperada, por não poder pagar o dízimo. Detalhe que ela passou um tempo desempragada e também não podia pagar outras contas, mas o que são elas perto do dízimo? Então ela contou que, depois que ela conseguiu outro emprego, teve que pagar o dízimo escondida, poiso marido havia dito que o resto do dinheiro deveria ser destinado à poupança para a faculdade do filho deles. Ela estava orgulhosa por mentir para o marido e por deixar de depositar dinheiro para o próprio filho, dizendo que sabia que Deus recompensaria ela e seu filho.

Pelo que eu saiba, Deus ainda não distribui dinheiro ou vagas em universidades públicas, e se distribui, algúem me conta em qual religião! Eu me pergunto se ela nunca ouviu esta famosa piada: (que eu tirei daqui)

A barragem, próxima de uma pequena cidade, foi rompida por uma forte chuva e o nível do riacho foi subindo gradativamente.
No alto do morro, na parte mais alta da cidade, ficava a igreja. Quando a água atingiu as primeiras calçadas da cidade os policiais foram avisar o padre para que esse deixasse a igreja. Ele fincou pé e disse: "Deus não há de me faltar."
Quando a água chegou às portas da igreja, os bombeiros, já usando um barco, foram buscar o padre. Ele se recusou a abandonar a igreja e disse: "Deus não há de me faltar."

Quando a água atingiu a torre mais alta, e o prefeito veio de helicóptero tentar convencer o padre a abandonar a igreja, o padre respondeu: "Deus não há de me faltar !!!"


Obviamente o padre morreu afogado.

Ao chegar no céu, ele foi ter com Deus, e já chegou cobrando: "Mas meu Senhor... Como pudestes fazer isso comigo. Me faltastes quando eu mais te precisava." E Deus, visivelmente irritado, respondeu: "Mas meu filho... Te mandei policial, barco, bombeiro, helicóptero e prefeito, e mesmo assim você não seu salvou ?!?"

E eu pensando que o Deus dela tinha dado uma ajudinha pra ela conseguir um emprego bom e poder pagar tudo que seu filho precisa, ela vai e dar dinheiro pra Igreja...

Contudo, não me venham com preconceitos, o catolicismo não é a única religião com argumentos fáceis. Houve um tempo em que o espiritismo me chamou atenção, pois conheci pessoas muito boas e espíritas. E foi só procurar um pouquinho de informações para desistir da idéia. Olha como é fácil, tudo o que vives agora é o que mereces por tua atuação na vida passada: se você tem problemas, é castigo por ter sido ruim, e assim por diante.

Entretanto, como a esperança é a última que morre (um dos pouco ditados que tem um pouco de lógica), organizações como a Católicas pelo Direito de Decidir me dão um pouco de alento ao ver de que religião não signica, necessariamente, alienação ou retrocesso.

Afinal, eu não tenho religiões (sou laica, como diria deus Luiz) mas acredito que exista um Deus, ainda que eu seja da opinião que ele é muito mais parecido com o Deus escrito por Eduardo Galeano no Livro dos Abraços:

Errata: onde o Antigo Testamento diz o que diz, deve dizer aquilo que provavelmente seu principal protagonista me confessou:
Pena que Adão fosse tão burro. Pena que Eva fosse tão surda. E pena que eu não soube me fazer entender. Adão e Eva eram os primeiros seres humanos que nasciam da minha mão, e reconheço que tinham certos defeitos de estrutura, construção e acabamento. Eles não estavam preparados para escutar, nem para pensar. E eu... bem, eu talvez não estivesse preparado para falar. Antes de Adão e Eva, nunca tinha falado com ninguém. Eu tinha pronunciado belas frases, como “Faça-se a luz”, mas sempre na solidão. E foi assim que, naquela tarde, quando encontrei Adão e Eva na hora da brisa, não fui muito eloqüente. Não tinha prática.
A primeira coisa que senti foi assombro. Eles acabavam de roubar a fruta da árvore proibida, no centro do Paraíso. Adão tinha posto cara de general que acaba de entregar a espada e Eva olhava para o chão, como se contasse formigas. Mas os dois estavam incrivelmente jovens e belos e radiantes. Me surpreenderam. Eu os tinha feito; mas não sabia que o barro podia ser tão luminoso.
Depois, reconheço, senti inveja. Como ninguém pode me dar ordens, ignoro a dignidade da desobediência. Tampouco posso conhecer a ousadia do amor, que exige dois. Em em homenagem ao princípio de autoridade, contive a vontade de cumprimentá-los por terem-se feito subitamente sábios em paixões humanas.
Então, vieram os equívocos. Eles entenderam queda onde falei vôo. Acharam que um pecado merece castigo se for original. Eu disse que quem desama peca: entenderam que quem ama peca. Onde anunciei pradaria em festa, entenderam vale de lágrimas. Eu disse que a dor era o sal que dava gosto à aventura humana: entenderam que eu os estava condenando, ao outorgar-lhes a glória de serem mortais e loucos. Entenderam tudo ao contrário. E acreditaram.
Ultimamente ando com problemas de insônia. Há alguns milênios custo a dormir. E gosto de dormir, gosto muito, porque quando durmo, sonho. Então me transformo em amante ou amanta, me queimo no fogo fugaz dos amores de passagem, sou palhaço, pescador de alto mar ou cigana adivinhadora da sorte; da árvore proibida devoro até as folhas e bebo e danço até rodar pelo chão...
Quando acordo, estou sozinho. Não tenho com quem brincar, porque os anjos me levam tão a sério, nem tenho a quem desejar. Estou condenado a me desejar. De estrela em estrela ando vagando, aborrecendo-me no universo vazio. Sinto-me muito cansado, me sinto muito sozinho. Eu estou sozinho, eu sou sozinho, sozinho pelo resto da eternidade.

Ah, e eu não postei antes porque o Santo da Piedade dos Blogueiros Preguiçosos e Cheios de Coisas Pra Fazer me avisou que não seria uma boa ideís postar lá pelo meio de março. Não discutam comigo, é a minha fé!

Beijos amados de um Okapi mais leve depois do desabafo way of life.

PS: Post pro Ornie e pro Petit, que são um pouco do pouco de Kiss que há em mim.

terça-feira, 10 de março de 2009

Pare aí mesmo, sua mulherzinha!

Tá bom, confesso que esse péssimo título foi apenas uma forma de chamar atenção.

Póka está de volta às postagens (ao menos é o que aparenta). E o Okapi aqui queria discorrer um pouco sobre a mulher (não sobre a convenção Dia Internacional da Mulher, embora o 8 de março tenha sido bem especial para mim).

Como eu estava morrendo e capotei (o meu estado era tal que estava passando na tv o episódio no Pica Pau nas Cataratas do Niágara e, mesmo assim, eu dormi), acordei com uma p### dor de cabeça. E, como disse o Tio Ada, também conhecido como Zolinho pelos veteranos já formados da Facos, na aula de Semiótica, "os significados existem antes das palavras, que são 'vazias'", eu não estou nem um pouco a fim de preencher palavras com significados. Simplesmente a parte semiótica-produtiva do meu cérebro está em falha.

Contudo, acabei achando dois textos, como diria a balonista, Maras! para apresentar à vocês. Como uma mensagem é tudo aquilo que responde a relização do ser, eu espero que estes textos estejam no seus rols de significância e necessidades.

Aqui vão:
Todas as mulheres são belas do blog Papai Noel de Cueca Azul
A hipocrisia do Dia Internacional da Mulher do heDONIsmos

Abraços cansados e felizes do Okapi!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

"Algo hermoso, inexplicable..."


Talvez, ninguém tenha ficado tão triste com o final da novela A Favorita quanto eu fiquei. Tudo bem, tudo bem, não fiquei assim tão triste, até porque eu não gostava tanto da novela e o final foi péssimo. Só que, foi graças a essa novela que eu podia ouvir Bajofondo todo dia. Melhor, graças a essa novela que o Bajofondo Tango Club (assim denominado inicialmente) ficou mais conhecido no nosso querido país. (Vocês sentiram o tom de ironia, não?).





O fato é que eu já conhecia o Bajofondo de um cd dado (quase roubado, vamos ser sinceros) do meu pai. A tonta aqui é que demorou um pouco pra fazer a conexão da música Pa'Bailar (sim, a que tocava na abertura da novela) com a banda formada por argentinos e uruguaios. Antes de conhecer Pa'Bailar (e dançá-la - ou achar que estava dançando ¬¬ - com o Petit pela sala), Perfume era uma das músicas que mais me instigava. A música do primeiro álbum do, na época, Bajofondo Tango Club, não perdeu seu posto, mas outras foram ganhando destaque também.

Uma delas é El Mareo (bastante tocada atualmente em rádios brazucas), assim como Pa'Bailar, integrante do mais novo álbum, Mardulce (ambas no Playlist do Myspace do grupo) .Embora eu (ainda) não tenha condições de ter o cd inteirinho a meu dispor, pude ouvir que Mardulce tem ótimas músicas para quem curte o chamado Eletrotango ou Fusion Tango. Aliás, quem começou com esse estilo foi o grupo argentino-sueco-francês, Gotan Project (sente o anagrama com a palavra tango?). Pra quem não lembra, assim como eu, Gotan também tocou aqui no Brasil e em uma novela, no caso, em Da Cor Do Pecado, a música Epoca.

Interessante comentar esse ponto positivo das novelas brasileiras: revelar algumas bandas e grupos novos (para os brasileiros em geral). Filha de uruguaio, tenho o privilégio de ouvir os mais variados sons latino-americanos de ótima qualidade; e, o melhor, de músicos vivos, inteiros e atuantes. Isso me deixa com um gostinho Opa, parece que não é o fim da criatividade musical neste continente. E nunca será.

Beijocas da Póka.

PS: Post curto pra me reprimir do último.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Hedonista por natureza

Talvez eu seja hedonista desde pequena e não saiba. Quando era apenas um jovem Okapi selvagem, gostava de aproveitar o doce cheiro do capim pela manhã, ou a bela imagem das estrelas no meio da madrugada. O fato é que eu cresci, fui ganhando responsabilidades, perdendo em sono e adentrando o meio urbano e uma outra selva: a da realidade.

Fico me perguntando se todos nascemos hedonistas e vamos perdendo essa qualidade conforme vamos crescendo. Não deveria ser assim. O fato de ganharmos mais e mais responsabilidades conforme o tempo vai dando o ritmo deveria nos maturar e nos dar ainda mais possibilidades de aproveitar os momentos de prazer. Só que muitas pessoas deixam a beleza da infância de lado em nome de uma postura adulta e, de certa forma, infeliz.

Explico melhor. Para mim, o hedonismo não vem apenas pelo prazer imediato. Para que este prazer imediato (ou não) aconteça, preciso da consciência limpa, mas não deixo que as preocupações me tirem os momentos em que descanso e aproveito tudo que posso dispor.

Lendo pela internet, percebo o quanto as pessoas acabam por associar o hedonismo a algo promíscuo, unicamente sexual, individualista... Muito disso dá pra se notar na comunidade (da qual faço parte) Hedonismo, no Orkut. Alguém pergunta se a pessoa inteligente é feliz. Claro que é! A pessoa inteligente, se também for hedonista (mesmo que não saiba), sente prazer a cada descoberta de sua inteligência.


Outra coisa que comprova a teoria de que o hedonismo está ganhando status negativo é a pergunta de enquete da mesma comunidade: Qual dos pequenos prazeres abaixo você gostaria de ter todos os dias de graça, mas não pode? Ela tem, claramente, um sentido econômico. As respostas de escolhas são ligadas, então, a prazeres que podem ser disponibilizados por um alto poder econômico, a que uma minoria dispõe. Não classifico, então, como pequenos prazeres. Aliás, prazer, para mim, não tem classificação (embora eu defenda que comer e dormir são duas das três coisas mais prazerosas da vida... ¬¬). O mais coerente, então, seria retirar os dizeres "de graça" da frase. Eu, por exemplo, gostaria muito de ter uma boa e suficiente noite de sono sempre, mas não consigo.


Um texto que aconselho aos hedonistas iniciantes (e os que também não o são) foi escrito por Milton Ribeiro e eu achei no blog heDONIsmos. Você vai, no mínino, gozar da leitura*. Muito me chamou atenção por ter um padre como um de seus personagens.


Enfim, acabe por aproveitar de todos os prazeres da vida, de um filme (como Pecado Original), um livro (como O Retrato de Dorian Gray), ou de um simples vento num dia de muito calor. Deixo-os com uma frase do escritor uruguaio Eduardo Galeano: "O corpo não é uma máquina como nos diz a ciência. Nem uma culpa como nos fez crer a religião. O corpo é uma festa."

Beijos saboros e hedonistas da Póka.

PS1: O * diz respeito a mais um trocadalho do carilho, desta vez em homengem à festa de Confraternização do Programa Radar Esportivo (leia-se Churrascão na chácara do Dani, em Itaara) que aconteceu ontem, regada a Polar (a cerveja da dupla gre-nal!), aos vários trocarilhos do cadalho ditos e aos conhecimentos gerais (viva ao método japonês de descascar batatas!).
PS2: Esta vai para o Milton. Confesso que não era uma das pessoas que estavam gritando "Cai aviao de merda!" quando do episódio número 5241654 do aviãozinho de Porto Alegre no jogo do Grêmio e do Atlético (sim, eu estava lá), mas meu prazer atingiu o ápice quando o tricolor gaúcho fez o segundo gol bem no momento em que o aeroplano sobrevoava o estádio. A "vingança" é doce, mesmo que pequena, e bem prazerosa.