O relógio aponta meia-noite. É hora de descansar o corpo das idas e vindas do dia e de esvaziar a cabeça da correria mental das últimas 24 horas. Com um clique apago o interruptor de luz, após ler algumas páginas das crônicas do bardo folk. Fecho os olhos. Num estado de quase sono, quase vigília, tento me desprender da realidade. Ah se fosse tão fácil desligar os pensamentos que passam velozes do mesmo modo que desligo a luz.
Por um momento fugaz o sono se apodera de mim, e vai embora tão logo quanto chegou, num espasmo de uma perna inquieta. Lá fora, um assovio toma conta da rua: é o lixeiro cujo sibilo poderia muito bem ter saído de um desenho animado da Disney. Tento identificar a música, mas o caminhão já vai longe...
Espio o relógio: já são duas horas. Levanto até a cozinha e tomo um gole de água como se tivesse sido o último boêmio a deixar o bar. Outra olhada nas horas e o ponteiro marca cinco horas. É incrível como a noite pode passar tão rápida para os insones. Uma tentativa de leitura enquanto o sono não vem é ineficaz – lá se vão cinqüenta páginas e o estado de alerta é total.
Ligo o televisor na vã expectativa de encontrar algo que me deixe sonolenta. Após passar por todos os canais, desligo o aparelho e tomo mais um gole de água. O corpo começa a pedir repouso, mas a mente está em outro ritmo, e ignora a trégua. Em meio à escuridão, os pensamentos escapam num turbilhão de imagens e vozes impossíveis de serem controlados.
A sexta hora da manhã é anunciada pelo canto do galo que mora ao lado – o desespero do dia que chega sem que o outro tenha terminado é o prelúdio da exaustão diária. Quando todas as tentativas de adormecer já foram gastas e não resta uma ínfima probabilidade de escapar do estado de vigília, adormeço.
Embora o sono tenha chegado, o descanso não é suficiente para suprir a falta de forças e a sensação é de eterno cansaço. É como se, na aurora do dia seguinte, todos os movimentos e todos os diálogos das pessoas fizessem parte de um filme cujo roteiro foi feito para confundir seus personagens: levá-los a lugar nenhum, com ações despropositadas, num mundo que oscila entre a realidade e o devaneio. A insônia é assim, esta vil companheira que, com seus artifícios, chega sorrateira para ficar horas a fio, nas minhas noites em claro.
"Nas grandes horas em que a insónia avulta Como um novo universo doloroso, E a mente é clara com um ser que insulta O uso confuso com que o dia é ocioso,
Cismo, embebido em sombras de repouso Onde habitam fantasmas e a alma é oculta, Em quanto errei e quanto ou dor ou gozo Me farão nada, como frase estulta(...)"
Tá bom, confesso que esse péssimo título foi apenas uma forma de chamar atenção.
Póka está de volta às postagens (ao menos é o que aparenta). E o Okapi aqui queria discorrer um pouco sobre a mulher (não sobre a convenção Dia Internacional da Mulher, embora o 8 de março tenha sido bem especial para mim).
Como eu estava morrendo e capotei (o meu estado era tal que estava passando na tv o episódio no Pica Pau nas Cataratas do Niágara e, mesmo assim, eu dormi), acordei com uma p### dor de cabeça. E, como disse o Tio Ada, também conhecido como Zolinho pelos veteranos já formados da Facos, na aula de Semiótica, "os significados existem antes das palavras, que são 'vazias'", eu não estou nem um pouco a fim de preencher palavras com significados. Simplesmente a parte semiótica-produtiva do meu cérebro está em falha.
Contudo, acabei achando dois textos, como diria a balonista, Maras! para apresentar à vocês. Como uma mensagem é tudo aquilo que responde a relização do ser, eu espero que estes textos estejam no seus rols de significância e necessidades.
Depois de tantas velharias na TV, eis que surge algo interessantíssimo para os aficionados pelo gênero que fez e ainda faz multidões chacoalharem o esqueleto. Não é novidade, mas na TV fechada brasileira é a primeira vez que está sendo transmitido o documentário produzido pela BBC de Londres em 2007, intitulado Seven Ages of Rock.
Dividido em sete episódios, cada um traz uma era do rock com depoimentos de personalidades de peso no referido contexto. Das origens no blues, passando pela beatlemania, ao indie rock, o documentário explora as principais características de cada uma das fases do gênero. E são pinceladas focadas em poucos nomes de cada vertente. Afinal, seria impossível relatar em 7 episódios de apenas 50 minutos toda a vastidão do maior fenômeno da cultura pop.
(o rock na linha do tempo)
Aqui estão os nomes dos capítulos com os respectivos dias em que são transmitidos:
1. The Birth of rock (07/02)
2. White light, White heat (14/02)
3. Blank Generation (21/02)
4. Never Say die (28/02)
5. We are the champions (07/03)
6. Left of the Dial (14/03)
7. What the world is waiting for (21/03)
Infelizmente não consegui acompanhar desde o início, e até agora assisti apenas dois capítulos: o White light, White heat que trouxe o Art rock,momento em que a música se funde com a arte para criar espetáculos nos quais os artistas não cantam apenas, mas também interpretam personagens num cenário grandioso. Vide David Bowie e seu alter-ego Ziggy Stardust. Mas a cereja do bolo fica para as imagens de Syd Barret, a veia criativa dos primórdios do Pink Floyd.
O outro capítulo que assisti foi o quarto, intitulado Never Say die, dedicado inteiramente ao heavy metal, o único subgênero do rock que sobrevive até hoje. Um ponto positivo é a narração feita pelo veterano da MTV, Mark Goodman. Alguns nomes conhecidos como Jack Bruce (Cream), Bryan Ferry (Roxy Music) e Johnny Rotten (Sex Pistols) deixam seus depoimentos sobre o assunto.
Vale a pena assistir, quem estiver a fim de sair da mediocridade contemporânea e descobrir (um pouco) sobre a história e evolução do rock. Longe de ser um relato completo sobre todas as nuances do estilo, Seven Ages of rock discorre com leveza, mas também com conhecimento, sobre o gênero mais controverso de todos os (sete) tempos.
O documentário está sendo transmitido pela VH1 todo sábado às 22h, com reprise na quarta-feira às 23h.
Volta o ornitorrinco arrependido com toda a sua cara de pau sem explicar a ausência da semana passada. Últimos suspiros de minhas quase-férias, venho num post não muito extenso. Retomando o velho hábito de comentar blogs e sites, vou falar sobre um site muito legal que encontrei. Mas antes, já que tem um gato fedido na história, tenho que citar meu vício das férias.
Meu nome é Ornie, e eu sou viciada em Friends há oito anos. Não adianta, se eu estou passando pelos canais e está dando Friends na Warner eu tenho que ver. Mesmo que seja um episódio repetido. Aliás, como todos são para mim, porque devo ter assistido numa média de três vezes cada episódio. Sei que durante as férias revi o último – que eu tinha assistido só uma vez – e admito, rolou uma lágrima singela.
a triste cena das chaves
Entre outros, assisti ao episódio em que a Pheebs grava o clip da música mais famosa da série, e é claro que estou falando de Smelly Cat. Muito engraçado quando ela não reconhece a sua voz no clip por achar muito afinada, quando na verdade é outra pessoa que canta. Ah, e vi também o que a Chrissy Hynde canta Smelly Cat com a Pheebs, muito bom. Ai que saudade dos tempos em que os episódios de Friends eram inéditos...
Voltando ao outro gato fedido, o da internet, eu preciso falar sobre o layout do blog: é um simpático gatinho preto com moscas ao redor. E o fundo é xadrez com roxo: ma-ra!
O blog de Bruna Calheiros e Carlos Merigo fala sobre desenhos animados e tudo o mais que for correlato a este tema. Nas categorias tem humor-negro, terror, nostalgia, séries e outras cositas más.
É uma pena que eu tenha encontrado o blog só agora, quando eu estava numa busca e parei no post com o concurso sobre as Animações dos anos 90, em que o vencedor levava um Almanaque dos anos 90 (cheguei a pensar no meu comentário sobre os Cavaleiros do Zodíaco, meu vício anterior ao de Friends), mas a promoção é do ano passado.
A dica foi dada. Pra quem tem ainda um resquício de férias e de tempo, vale a pena acessar o site e conferir as animações indicadas por quem entende do assunto.
Deixo aqui o vídeo do clássico The Skeleton Dance e aqui, o post do Smelly Cat sobre o vídeo.
Olá! Tenho um aviso a fazer: acredito que antes das minhas aulas voltarem não terei nenhum post decente! Meus assuntos se vão durante as férias e não consigo escrever. No entanto, estou aqui hoje para relembrar e recomendar.
Nesta última quinta-feira fui visitar Limbo Dancer na cidade universo paralelo de Cachoeira do Sul e, como não poderia deixar de ser, envolvidas pela atmosfera misteriosa da cidade portal, fizemos uma maratona de episódios de uma das séries que marcaram a minha infãncia.
Arquivo X, que passava em não sei qual canal da TV averta brasileira, acredito ter sido meu primeiro contato com os temas sobrenaturais. E eu não gostava tanto dos episódios ETsísticos, mas os casos bizarros envolvendo assassinatos me chamavam muito a atenção. Isso além de eu, mesmo quando pequena, achar o David Duchovny bastante apetitoso.
Então, para não ser inútil demais, vim aqui lembrá-los de assistir The X Files. De longe, uma das melhores produções com esse tema. Tudo que veio depois fica bem óbvio depois que acompanhamos os agentes especiais Mulder e Scully em suas empreitadas obscuras.
Beijos e até a volta da minha capacidade de postar.
Eu ainda lembro de ler na SET em meados de 2008 sobre a nova tecnologia 3D que surgia em algumas telas do país, com Viagem ao Centro da Terra. O novo formato seria uma das grandes apostas da indústria cinematográfica na luta contra DVDs, TV a cabo, pirataria etc. Na época eu pensei que passariam anos para que eu finalmente pudesse experimentar a nova tecnologia – até porque a matéria dizia haver apenas 6 salas com suporte para o formato no país. A espera acabou não sendo tanta, no último sábado eu aproveitei o passeio a capital para conferir o tal novo 3D. Nem me importava o filme, eu estava disposta a assistir qualquer coisa em nome da curiosidade (ok, se o filme em questão fosse Hannah Montana e Miley Cyrus show: O melhor de dois mundos eu teria mudado de idéia, but anyaway...)
Qual foi a minha surpresa ao descobrir que o filme em questão era Coraline e o Mundo Secreto. A animação dirigida por Henry Selick (O Estranho Mundo de Jack – único filme que pode ser usado como especial de Natal e de Holloween) e baseado no romance de Neil Gaiman (Sandman), sobre uma menina que encontra na sua nova casa uma porta para um mundo paralelo habitado por versões “melhoradas” da sua família e vizinhos, estava na minha lista de filmes a assistir desde que eu vi o primeiro pôster dela a sei lá eu quantos meses atrás.
"Tenha cuidado com o que desejas"
No sábado então lá estava eu, 18 reais mais pobre (com o desconto de estudante) e tão animada quanto qualquer uma das criançinhas que invadiam a sala felizes com seus óculos 3D – que não são mais de papelão e nem tem lentes azul e vermelha. Era possível perceber que grande parte do público que enchia (mas não lotava) a sessão também era marinheiro de primeira viagem nesse negocio de 3D. Quando o filme estava finalmente começando e a mensagem na tela mandava que colocássemos os “nossos” óculos deu para sentir (e ouvir) a ansiedade de todos. A empolgação só aumentou quando a primeira imagem “saltou” da tela (mesmo que fosse apenas o logo da Dolby Digital) e durante os trailers todos de filmes em 3D que devem ser lançados no futuro próximo.
Confira o trailer de Coraline
Coraline começou com uma agulha deixando a tela e indo em nossa direção, porém, não foram muitos os objetos ou personagens que “saltaram” da tela durante os cerca de 100 min de filme. A animação usa o 3D para imergir o público no mundo (ou melhor, nos dois mundos) da personagem título, e evita o óbvio e fácil recurso de “atirar” objetos e personagens nos espectadores. As poucas vezes em que tal cena aconteceu, entretanto, foram recebidas com grande entusiasmo do público justamente porque o recurso não foi banalizado.
Eu deixei o cinema com uma boa impressão do novo formato de três dimensões. O 3D deu um charme a mais ao já fantástico visual de Coraline. A tecnologia estava a serviço do filme e não o contrário. O restante do público também pareceu simpatizar com o formato, principalmente as crianças que pareciam completamente imersas no universo de Coraline. Quase no final do filme uma das criancinhas até gritou um “eu sei” animado indicando que sabia o que aconteceria a seguir, eu suponho. A única coisa triste foi ter que devolver os óculos no final, eles seriam uma ótima lembrança, mesmo não tendo utilidade alguma fora das salas de cinema.
Coraline e seus "outros país"
PS. Será que eu to ficando megalomaníaca? Esse é o 3º post com o meu “nome” no título...
Quando as pessoas pensam “ah, chegou o verão”, a primeira coisa que ocorre à maioria é torrar no sol igual a uma cenoura, pegar uma praia, e “curtir os hits da estação”. Ah, os hits da estação, que costumam ser essas coisas que tocam aos montes e latejam involuntariamente na sua cabeça, mesmo que você não queira. Eu, que não fui agraciada pelos deuses com uma melanina que me deixasse bronzeada, resolvi passar uma semana das minhas férias longe do litoral, mais especificamente, no meio dos prédios da capital.
Por indicação de uma amiga, ouvi o cd do Little Joy, gostei do som e fui parar no show da banda no último 27 de janeiro. Era uma terça-feira de muito calor na capital, e o show começava às 22h. Lá fomos nós em direção à Cidade-Baixa, pois a apresentação seria no Bar Opinião, onde a cerveja custa a bagatela (sinta a ironia) de 7 mangos. Mas a salvação estava ao lado. O bar do Élio (assim mesmo sem o H do gás balonístico) que tinha Polar a 3 pratas foi a fonte da qual bebemos antes do início do show.
Em toda a minha vida eu nunca tinha visto uma concentração tão grande de camisetas listradas e óculos de aro grosso como eu vi naquela fila para o show. Já lá dentro, fui sutilmente passando pelas pessoas até conseguir ficar num local estratégico, quase na frente do palco, com uma boa visão. Foi uma junção de fãs dos Los Hermanos, de fãs dos Strokes, e de mim, que sou a única pessoa que conheço até agora que não ama nem odeia o Los Hermanos. Gosto de algumas músicas deles, não ao ponto de me assumir fã nem ao ponto de dizer que são Loosermanos.
A primeira coisa que senti quando Rodrigo Amarante, Fabrizio Moretti e Binki Shapiro subiram ao palco é que são um bando de amigos que estavam ali para se divertir e fazer um som descompromissado. Uma banda de verão, surgida durante o hiato dos Strokes e do Los Hermanos, que não tem a pretensão de ser sonoramente perfeita. Aquela coisa: eu tenho uma letra você tem uma melodia, vamos juntar e ver no que é que dá. E deu certo. Claro, lembrando que a proposta é ser justamente leve.
O que me surpreendeu durante o show, foi que, na primeira música, já dava para ouvir o público cantando toda a letra. Lembrando que o seu primeiro cd o foi lançado relativamente há pouco tempo, em meados de novembro, não imaginei que uma banda tão recente teria tanta repercussão.
Algumas músicas, como a ótima Brand new start têm uma batida de surf music, nada a ver com o insosso do Jack Johnson, me refiro ao surf music dos anos 50, lembrando aquela paisagem das praias da Califórnia com um pé no Havaí. Outras como Keep me in mind,No one’s better sake e How to hang a warhol tem uma nítida pitada de Strokes. Já Play the part é o banquinho e o violão brasileiros enrustidos no inglês. Aliás, todas as músicas são cantadas em inglês, com exceção de Evaporar, tocada numa performance emocionada de Amarante no palco. O Hermano declarou, inclusive, que fez questão de começar a turnê pela capital gaúcha.
O elemento que dá originalidade ao grupo é a namorada de Moretti, Binki Shapiro, que tem um ar nórdico meio Nina Person e uma voz suave que combinou muito bem com as melodias. Em alguns momentos, como na excelente Don’t watch me dancing, o trio lembra um quê de Velvet Underground e Nico.
Agora que a turnê pelo Brasil terminou, Moretti e Amarante retomam a agenda com as suas respectivas bandas. Apesar disso, o Little Joy continua, e com uma pequena alegria dos amigos, o segundo cd já está garantido.
PS: O post saiu antes da hora, porque amanhã estou indo acampar na Serra do Caverá, longe de qualquer resquício de civilização. PS2: Deixa de preguiça e comenta aí.
Gangue do Hipertexto é um blog idealizado por cinco alunas de Jornalismo e seu amigo Thomás. Aqui falamos de tudo que surge em nossas cabecinhas ensandecidas. Sejam bem-vindos.