domingo, 3 de maio de 2009

Sangue

Olá! Volto hoje, depois de todo esse tempo, com um post que interessa principalmente às mulheres, mas que de certa forma afeta a todos nós. Esse post já está na minha cabeça há meses, mas acabei deixando ele mais para a frente. Bem, nojentinhos e nojentinhas, abram suas cabeças, relaxem no sofá e preparem-se para ler, pois qui apresento-lhes o Menstrual Cup, ou como é chamado no Brasil, Copo Menstrual ou Coletor Menstrual (daqui para a frente, só chamado de "cup").

Para comerçar: o que me fez lembrar deste post não escrito foi um texto publicado em um blog da Revista Época, que falava do Cup. O texto foi mal apurado. Desculpe-me, colega jornalista, mas é verdade. Fala de forma parcial e simples demais de algo que não foi testado pela autora. Ela se explica nos comentários; aquela não foi a intenção. Mas mais cuidado da próxima vez.

Além da falta de apuração, o que mais me impressionou foram os comentários: nunca vi tanta gente fechada em um só lugar. E, como se não fosse o suficiente, mal-educada.

Mas pois bem, vamos ao que interessa. Eu uso o cup há mais ou menos 8 meses. Eu o descobri na comunidade DIY For Vixens do Orkut e logo de cara achei uma boa idéia. Hoje, não troco por absorventes nunca mais. Agora, você se pergunta: "Mas o que diabos é isso, Poodle? Copo? Que loucura!". O cup é uma alternativa aos absorventes descartáveis que usamos hoje e apresenta uma infinidade de vantagens. Ele é um copinho feito de silicone reutilizável que é inserido no canal vaginal e coleta o sangue no lugar de absorvê-lo. O sangue é derramado no vaso sanitário, o copo é sanitizado e reinserido.

Ei-lo. O Menstrual Cup.



Muita gente tem nojinho. Nojinho totalmente sem razão! (esse é meu blog e não depende de nenhuma empresa jornalística; posso ser o quão parcial eu quiser.). As pessoas que falam mal dele sem nem pesquisar têm muitos argumentos! Vamos a eles (na sua maioria retirados dos comentários do texto citado no começo do post e de posts em comunidades do orkut):


- É anti-higiênico! Imagina lavar isso na pia???: O cup é muito higiênico. Você não PRECISA lavar na pia. Pode lavar em qualquer lugar. Caso esteja em um banheiro público, pode usar uma garrafinha de água enquanto está no vaso e lavá-lo alí mesmo. Entre um ciclo e outro ele é fervido com a intenção de ser esterelizado, além de poder ser lavado todos os dias com água quente, no banho, por exemplo. Além disso, é difícil ter que lavar ele em um banheiro público, já que ele pode ser usado por até 12h.

- Deve ser desconfortável! Se OB já é desconfortável e é pequenininho, imagina esse copo aí?: Bem, para começar, o OB é feito de material absorvente, que suga a umidade do canal vaginal, causando uma sensação de rasgo quando é inserido ou retirado. Além disso, ele fica bem pra cima no canal. O cup fica na entrada do canal, com apenas um pequeno cabinho para fora. Ele é feito de silicone, o que garante que a umidade natural da vagina não será perdida. O mesmo fator garante que ele se moldará às suas curvas internas, garantindo o conforto. Não se sente o cup quando colocado corretamente.

- Mas é nojento reutilizar; será que não causa a proliferação de bactérias?: absorventes externos são colônias horrendas de bactérias. A proliferação acontece quando o sangue entra em contato com o ar e oxida. A mesma coisa com os internos: são colônias; mesmo estando dentro de você o sangue oxida. Com o cup, um selamento é formado na hora da colocação e o sangue permanece sem entrar em contato com o ar, o que, além de impedir as bactérias de se proliferarem tanto, mantém o sangue sem cheiro. É, alguns também dizem que o sangue menstrual fede. Sangue que fica em contato com o ar fede. O coletado com o cup não!

- Mas e na hora de tirar? Eu vou me sujar toda!: Não vai, não. Depois que se pega a prática, a inserção e retirada ficam muito fáceis.

- Mas é muito grande! Eu não vou enfiar isso na minha b****a! Vai me alargar toda! (sim, com essa linguagem mesmo): Olha, querida, se você nunca teve nada da largura do cup enfiado no seu canal vaginal, ou você é virgem ou... bem... eu tenho muita pena de você.

- Que idiota isso! Só pode ser idéia de um homem sem noção!: Bem, na verdade ele foi patenteado por uma americana, mulher, chamda Leona Chalmers... o que nos leva ao nosso próximo argumento.

- Essas novidades "verdes" nojentas vão nos levar de volta à idade da pedra; que voltemos aos paninhos da vovó então, já que temos que lavar essa coisa: o cup não é novidade, ele foi patenteado nos anos 1930. Ele só não decolou porque era feito de látex e muita gente tinha alergia a látex. Além disso, havia um certo tabu quanto a enfiar coisas... hehehe hipocrisia é pouco, non?

- Mas que nojo! Sangue menstrual é sujo! Vai pegar em mim! Eca!: sangue menstrual não é sujo! É apenas sangue como qualquer outro. Incrível como as pessoas tomam porres homéricos, vomitam, caem de cara no vômito e depois riem da coisa. Ou como a gente coloca os papéis usados numa latinha do lado do vaso que fica lá um dia inteiro. Ou como a gente limpa a bunda dos bebês. Ou como a gente faz SEXO! Como a gente faz sexo oral! Como a gente beija na boca, entrando em contato mais do que direto com secreções dos outros! Mas sangue? Sangue, não! Sangue é nojento! Ainda mais o meu próprio! Imagina isso!

- Mas não é nada prático! Imagina ter que lavar essa coisa o tempo todo!: como eu disse antes ele pode ser usado por até 12h e nunca foi relacionado à Síndrome do Choque Tóxico, doença rara, mas que pode ser fatal, relacionada ao uso de absorventes internos por tempo prolongado. Então é só lavar 2 vezes por dia.

- Mas meu fluxo é imenso! Vai transbordar!: colocado corretamente, o cup não vaza. Mesmo. Além disso, os absorventes dão a idéia de que temos um fluxo muito maior do que realmente é; eles têm pouca capacidade de absorção e por isso têm de ser trocados com frequência. Ao usar o cup você vai ver que o nível do seu fluxo, em 12h, não poderia transbordar o cup. Dito isto, acredito que os absorventes são menos práticos.



"One Girl, Two Cups": Vídeo que fala quase tudo sobre o Cup. O título é uma bem-pensada brincadeirinha com o conhecido "Two Girls, One Cup", já citado por mim aqui no blog.


Ufa! Bem, além de todas essas coisas, o cup é ambientalmente amigável. O silicone, material de que ele é feito, dura até 10 anos se bem cuidado. Você tem idéia de quantos absorventes descartáveis você usa em 10 anos? E de quanto tempo eles levam para se decompor? Quanto à decomposição eu não sei, mas vamos aos cálculos!

Imaginemos que arredondando para menos, você use uma caixinha de OB ou pacote de absorventes externos por ciclo. Isso são 10 absorventes por ciclo. São 12 ciclos por ano: 12 ciclos x 10 anos = 120 ciclos; 120 ciclos x 10 absorventes = 1200 absorventes! Agora, vejamos financeiramente. Imagine que você gaste 4 reais por ciclo (o que é uma estimativa bastante amigável; sabemos que é BEM mais). 4 reais x 12 ciclos = 48 reais. Em 10 anos, 480 reais.

O cup custa 70 reais no Brasil, vendido pelo site Guia Vegano e ás vezes até menos em sites gringos. Mais de 400 reais economizados! E isso que aquele precinho alí que usamos para os cálculos está bem caramarada.

Além de tudo, uma questão crucial: nada de substâncias químicas em contato com o seu corpo. Alvejantes e muitos outros são encontrados em absorventes. Eles garantem que eles sejam branquinhos, que mantenham o sangue e que sejam perfumadinhos. Só que isso não parece tão saudável quando se pensa nisso, não?

Ele é mais prático, mais limpo, mais barato, mais ecológico. Eu posso dar meu relato e dizer que eu nunca me senti desconfortável. Depois de 2 ciclos ele nunca mais vazou. Além disso, os OBs que me sobraram de ciclos anteriores nunca mais saíram da gaveta.

Existem muitas questões mais a serem abordadas sobre o cup. Existem inúmeras marcas e uma delas deve se adptar a você. Caso muitas pessoas perguntem nos comentários, me disponho a escrever novo post respondendo a tudo.


Vídeo que mostra como dobrar o Cup para inserir.

Agora, peço mente aberta. Eu me decepciono com mulheres que não param para prestar atenção em algo que diz respeito justamente a elas. Já li muitos comentários ignorantes por aí sobre o cup. Eu entendo que algumas pessoas não se adaptem, mas nem por isso se deve achar que é algo de fora do planeta.


Esperteza, queridinhos, perspicácia! Informação só tende a melhorar nossas vidas. Por isso, explorem os links, vejam o vídeo, (re)leiam o post, perguntem nos comentários! Meninos: indiquem para as mães e namoradas. Eu não troco meu cup por nada!

Mais links sobre o assunto:

Beijos da Poodle, queridinhos! E até meu próximo (e imprevisível) post!

P.S.: Amanhã, dia 4 de Maio, é meu aniversário! Vintinho, hein! Dêem parabéns para a Poodle nos comentários. ;)

domingo, 19 de abril de 2009

canções, versões e outras criatividades (parte 1)

Tudo começou em uma quente tarde de verão quando, na casa de papai, este genitor contribuiu para o meu crescimento intelectual ao tocar no seu mini system um álbum que ele havia criado ( leia-se baixado músicas no mercado de compartilhamento gratuito e gravado-as em um cd virgem) com várias versões. A que mais ficou gravada na mente foi uma versão de Bob Dylan (infelizmente, ou felizmente, eu não gosto muito dele) cantanto Creep, do Radiohead. Papai, porém, foi bastante simpático na escolha do repertório, incluindo "What a Wonderful World" interpretada por Joey Ramone.

O tempo se passou e, numa bela madrugada (do dia 17/04) , um tanto triste por assuntos pessoais (que, obviamente, não vem ao caso), eu e o Petit vimos a coisa mais horrenda e engraçada que poderia existir naquele momento*. Os convidados da noite no Jô eram Inri Cristo e as Inriquetes. Dá uma olhada nas músicas que estas discípulas do di... ops, digo, do Inri Cristo, versionaram.



"Estava ali vendo a tv, sem enteder o porquê"
Eu também, eu também...

Decidi então, fazer o post de hoje com versões, no mínimo esquisitas de músicas, e a Limbo me agraciou com uma criação do quarteto-capela Moosebutter performada por Corey Vidal. Se você adora Stars Wars (ou o compositors e pianista John Williams) e não viu este vídeo, você não é um nerd/músico que se preze.




No site do Moosebutter você pode curtir (nossa, que Kzuka isso) outras criações do quarteto, incluindo uma versão sobre Harry Potter para Pretty Woman. Já o vídeo acima fez tanto sucesso que dá (ou nem precisa dar, trocadalho péssimo) pra achar vários vídeos bolados a partir do primeiro, como este, o Frog Wars.

Com a quantidade de versões estranhas por aí, tenho certeza que farei um novo post pra você, leitor, rir mais um pouco (ou não).

Beijos do Okapi.

*tá, essa é a minha opinião, o Petit disse que elas são interessantes quando cantam e dançam na palavra assanhar.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O materialismo, os ovos de Páscoa e a meia-calça

Sempre fui a primeira a apontar para as pessoas que gostam de fazer compras e acusá-las de materialistas. Por que encher o guarda-roupa com outras blusas se muitas ali ainda nem foram usadas? Ou então para que mais um par de sapatos que, muito provavelmente, nem vai sair da caixa?

Se eu entrasse numa loja sem precisar comprar nada, torcia o nariz para os produtos e para as vendedoras. Aliás, essas criaturas cuja função é justamente a de persuadir o cliente a comprar não só a bolsa, mas os sapatos e a carteira que combinam todos entre si e que estão “com um descontinho imperdível”, sempre se viram prestes a pedir demissão quando eu surgia na loja acompanhando minha genitora.

O ponto é que sempre pensei que eu não ligasse pra essas coisas por meio das quais os consumistas dão um sentido às suas vidas vazias e enchem armários de quinquilharias inúteis. É isso aí, esse tipo de gente que acredita que comprando o último modelo de carro, adquirem, junto com a chave da ignição, felicidade e solução para todos seus problemas. De uns tempos pra cá, comecei a ver algumas coisas que me fizeram repensar alguns dos meus princípios.

1- 1- O ângulo de inclinação de leitura. Quando eu compro um livro tenho um cuidado extremo com a sua aparência. No caso do meu precioso (trilogia do Senhor dos Anéis) li todos com um ângulo de 90° de abertura, para não esgaçar a capa.
2- O método de terminar a borracha. Todos sabemos que borrachas não terminam, elas somem quando estão prestes a acabar naquele formato arredondado certo? Não as minhas. Sempre tive um método de apagar com a borracha só por dois lados, pra que as outras duas pontas seguissem quadradas até o final (que não existe).

Esses dois exemplos servem pra ilustrar um tipo de comportamento materialista existente em mim e que até então eu não havia percebido. Se considerarmos materialista não só os consumistas impulsivos, mas também quem atribui valores a objetos materiais inseridos em seus contextos, sou mais uma na multidão. Mas vamos agora ao terceiro ponto, que eu aproveito para citar nas vésperas da vinda do maldito coelhinho.

3 – O consumo do ovo de Páscoa. No tempo em que eu ganhava ovo de Páscoa, eu sempre o deixava guardado até o meu aniversário. Sim, eu não abria o ovo de chocolate até novembro. Então quando García Canclini diz que o consumo serve para pensar, eu penso no consumo que eu faço e vejo que talvez eu me importe muito mais com a matéria do que aquela pessoa que compra um par de sapato por mês.

esquilo materialista de A era do gelo

O último exemplo que deixo, é o que me ocorreu ontem. Lá estava eu, vestindo meia-calça novinha e tendo todo o cuidado do mundo para não puxar fio, no meio de tantos copos de cerveja que flutuavam de lá pra cá. Cheguei em casa às 5h da manhã com a meia-calça inteira, e resolvi fazer um lanchinho. Maldita hora em que resolvi sentar à mesa da cozinha (que é de madeira) e cruzar a perna esquerda que, subitamente bateu na mesa e, claro, puxou o tão temido fio.

Adeus, 15 mangos jogados fora. Fiquei tão abatida como se houvesse um defunto na história. Por que reagi assim? Era só um trapo de pano que ainda pode ser substituído, então por que poupar a borracha, o livro, o ovo de Páscoa, e achar que é o fim do mundo quando a meia-calça rasga?

Não sei. Ainda estou me analisando e não cheguei a grandes conclusões. Embora eu nunca tenha sido uma vítima e ou/apreciadora das vitrines de lojas, sempre atribui um alto valor aos objetos materiais que adquiri. O que, de certa forma, me torna mais uma material girl in a material world.
Boa Páscoa para quem espera o coelho e os chocolates. (Eu, que não espero nada, se não rasgar nenhuma meia-calça hoje, já estou no lucro).

domingo, 5 de abril de 2009

Antes do pastelão, o pirata

Lá no remoto ano de 1988, quando um lindo bebê ornitorrinco estava sendo concebido, surgiu aquele que seria um dos melhores programas humorísticos produzidos pela TV brasileira aberta.

Um bando de piratas invadiu a televisão na noite de terça-feira. A anarquia toma o lugar da produção de um telejornal prestes a começar e dá início à balbúrdia. A ilha de edição é invadida pelos corsários, que inserem uma fita VHS com a programação de uma anti-televisão. O conteúdo trazia sátiras de novelas, filmes e comerciais exibidos na época.



Eu já tinha ouvido falar da TV Pirata, mas só fui assistir aos vídeos do programa nesse fim de semana, depois do Luiz ter me falado sobre um dos quadros que vai ser a “inspiração” para o programa da cadeira de telejornalismo que vamos produzir.

O humor produzido no Brasil sempre deixou a desejar, pelo menos para mim. Não quero fazer desse sempre uma generalização apressada, mas nunca consegui engolir o “pastel” do Pânico na TV. Piadas óbvias, construídas a partir de estereótipos numa fórmula mais do que gasta nunca me chamou atenção.

Influenciada por programas como o excelente Saturday Night Live, e Monty Python Flying Circus, a TV Pirata fazia uso da sátira da própria televisão brasileira e da vida de seu povo, por meio de dezenas de esquetes aleatórias com piadas non sense e alguns poucos quadros fixos.

Criado pelo diretor Guel Arraes e pelo roteirista Cláudio Paiva, o programa foi ao ar pela Rede Globo nos anos de 1988, 1989, 1990 e 1992. Luís Fernando Veríssimo, os quadrinistas Laerte e Glauco, e integrantes do Planeta Diário e da Casseta Popular - que viriam a se reunir e formar o Casseta & Planeta formavam o time de roteiristas.

O elenco de atores era formado por nomes conhecidos como Cláudia Raia, Débora Bloch, Marco Nanini, Regina Casé, Luiz Fernando Guimarães, entre outros. Se você ainda não assistiu, veja o quadro Fogo no rabo, paródia do folhetim Roda de fogo, com direito a Rosana cantando como uma deusa. As cenas soltas em que os atores giram ao redor do merchandising, tão difundidas no meio das novelas, é motivo de sátira da primeira parte do quadro.


Com todo o estilo oitentista, ainda que o timing de algumas piadas não seja muito certo, não tem como não rir em algum momento. O Casal Telejornal interpretado por Regina Casé e Luiz Fernando Guimarães é muito engraçado, mas não vou descrever aqui para não tirar a graça. Deixo o vídeo aí embaixo dos saudosos tempos em que a pirataria reinava na TV brasileira, num espaço que viria a ser preenchido depois pelo humor pastelão (de vento).


Depois das risadas, não esqueça de deixar seu comentário.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Good times...

Eu lembro de estar brincando dentro da minha barraca da turma da Mônica que estava montada em algum canto da sala de TV. Isso nos tempos em que eu Limbo Dancer era apenas um projeto de gente, pequena o suficiente para caber em uma barraca da turma da Mônica (alguém mais tinha uma dessas?). A minha mãe estava vendo TV, mais precisamente o Jornal Nacional. Eu que era nova demais para entender a tal notícia tenho apenas a vaga lembrança da imagem de um homem saindo de um prédio cercado de jornalistas e da minha mãe dando graças a Deus que o tal homem não era mais presidente do Brasil. Acho que mais que qualquer outra coisa foram as palavras dela que fizeram com que esse momento ficasse gravado na minha memória. Lembro de ela dizer que ele (o tal homem que deixava o prédio) acabaria com o país.

A minha era bem parecida com essa...

Essa é uma daquelas memórias de infância tão remotas que a gente até se questiona se realmente aconteceram. Mas eu tenho 99% de certeza que ela é real e outros 99% de certeza que ela se refere ao dia em que Fernando Collor de Mello renunciou. Por mais que os meus pouquíssimos 4 anos de vida me impedissem de entender o que diabos estava acontecendo naquele momento, as palavras que eu ouvi naquele dia ficaram na minha cabeça. “Acabar com o país” na cabeça de uma criança significa literalmente acabar com tudo, destruir sem deixar qualquer resquício, nessa idade não existe metáfora ou qualquer outra figura de linguagem.

A nossa memória é no mínimo engraçada – pelo menos a minha é. Porque ela escolhe guardar determinados momentos e esquecer outros? E não me venham com explicações científicas, psicológicas ou whatever, esse post não tem a menor intenção de encontrar repostas. Ele é apenas para relembrar e no máximo levantar uma pergunta ou outra.

Do meu primeiro dia de aula eu só lembro de chorar compulsivamente no colo da minha professora, ou melhor, “tia” depois de ser atingida por um balanço desgovernado. Ironicamente, quem “pilotava” esse balanço era a Priscila que viria a se tornar a primeira e mais antiga das minhas melhores amigas. Se você perguntar para ela sobre essa história ela com certeza dirá que fui eu quem atravessou imprudentemente em frente ao balanço dela. Não acreditem...

Lógica de criança é outra coisa engraçada. Eu lembro perfeitamente de discutir ferrenhamente com a Pri (não consigo usar Priscila muito tempo) sobre qual dos nossos novíssimos cachorros tornar-se-ia (aha, usei até uma mesóclise!) maior. Detalhe: a Pri tinha uma Boxer e eu um Cocker. Outra discussão recorrente era qual de nós duas tinha mais Coca-Cola no seu copo ou coisas do gênero (tenho certeza que depois desse comentário vai aparecer alguém da gangue para me acusar de ser viciada em Coca-Cola desde pequenininha).

Dos desenhos animados que eu assistia (aí já um pouco maior) eu lembro de 3 em especial: Carmen San Diego que eu nunca mais vi passar em lugar algum e até hoje a única pessoa que eu conheci que também assistia é a Poodle; As novas aventuras de Jonny Quest, que eu consegui rever “depois de grande” graças ao magnífico You Tube; e Tintin que eu mal posso esperar pra ver no cinema depois que o Spielberg e o Peter Jackson terminarem de adaptar.



Abertura de Jonny Quest

Até os meus 11 anos de idade eu fui uma criança extremamente medrosa. Hoje eu não vejo problema algum em ver filme de terror no meio da madrugada, sozinha em casa numa sexta feira 13 chuvosa. Eu lembro de ter muito medo de um jogo de computador que meu tio costumava jogar. Alguma coisa relacionada a uma casa mal assombrada cheia de passagens secretas e afins, porém, por mais que eu tivesse medo do jogo eu queria saber o que aconteceria na fase seguinte. Talvez tenha sido a minha curiosidade que eventualmente superou o meu medo. O fato é que o último filme que me fez tapar os olhos com as duas mãos foi O Sexto Sentido. Lembro que anos depois quando revi o filme descobri que as memórias que eu tinha dele eram muito mais assustadoras que as cenas reais.


"I see dead people"

Mas a memória da gente é assim mesmo. E às vezes elas nem precisam estar 100% corretas ou, até mesmo, existirem de verdade para serem importantes. Às vezes a gente ouve histórias e/ou vê fotos tantas vezes que cria memórias inexistentes, ao mesmo tempo em que esquece algumas das memórias que realmente existiram... Que dia é hoje mesmo?

quarta-feira, 25 de março de 2009

god gave Rock 'n' Roll to you



Atenção: se você tem uma internet lentium, assim como o Okapi que vos fala, deixe o vídeo baixar para só depois iniciar sua leitura ao som do Kiss. Obrigada!

O Okapi Parceiro e Leiteiro, depois de muitas discussões com a Limbo Dancer, chegou a conlusão de que a Poodle fez uma macumba para nos passar um pouquinho da sua intolerância. O fato é que, uma das coisas que eu não tolero, principalmente nesses dias, são as posições religiosas.

Tudo bem, calmem, eu não estou indo contra a todas as posições de qualquer religião, mas sim, de algumas pessoas que usaram da dita "palavra de Deus" para defender posições sem argumentos válidos para baseá-las, apenas dizendo: essa é a minha fé, respeite.

Posso até dizer que tudo começou, sim, por causa do menina de nove anos que abortou os gêmeos que esperava de seu padastro, que vinha abusando-a sistematicamente desde os seis anos. Não vou entrar na discussão sobre o fato em si e que fique óbvio que esse padastro imundo (pra não deizer coisa pior) é o que mais me irrita e, se minha filha fosse estuprada, quem viu o filme Tempo de Matar sabe exatamente o que eu faria com ele...

Toda a discussão sobre o caso levou a mim e meus colegas tornar o assunto tema de debate de um pragrama radiofônico. Erro nosso não perguntar a religião de todos os presentes, acabamos com uma freira, seus dois "seguidores" e um pobre teólogo tentando chamar os convidados à terra de vez em quando.

Cada frase que eu ouvia, cada vez, me decepcionava mais. Poxa, eles são pessoas estudadas, não podem pensar realmente isso. Poxa vida, uma médica pediátrica não pode ser tão machista e não ter a mínima noção dos direitos femininos. Poxa vida, um médico obstetra, obstetra, não pode dizer que falará como técnico e acabar defendendo os ideais da Igreja Católica. Poxa vida, ahhh, é a freira, é normal que ela pense assim. Poxa vida, pobre teólogo... pobre mediadora.

Enquanto bobagens eram ditas, as risadas eram inseguráveis, mas creio que era apenas uma forma da gente se acalmar e tolerar um pouco mais a situação, enquanto impedíamos o próprio deus (leia-se colega querido) de deixar algumas camisinhas cairem, sem querer, sobre os pés da freira.

Alguns dias depois, paro pra assistir um desses canais religiosos. Tinha uma mulher desesperada, eu disse desesperada, por não poder pagar o dízimo. Detalhe que ela passou um tempo desempragada e também não podia pagar outras contas, mas o que são elas perto do dízimo? Então ela contou que, depois que ela conseguiu outro emprego, teve que pagar o dízimo escondida, poiso marido havia dito que o resto do dinheiro deveria ser destinado à poupança para a faculdade do filho deles. Ela estava orgulhosa por mentir para o marido e por deixar de depositar dinheiro para o próprio filho, dizendo que sabia que Deus recompensaria ela e seu filho.

Pelo que eu saiba, Deus ainda não distribui dinheiro ou vagas em universidades públicas, e se distribui, algúem me conta em qual religião! Eu me pergunto se ela nunca ouviu esta famosa piada: (que eu tirei daqui)

A barragem, próxima de uma pequena cidade, foi rompida por uma forte chuva e o nível do riacho foi subindo gradativamente.
No alto do morro, na parte mais alta da cidade, ficava a igreja. Quando a água atingiu as primeiras calçadas da cidade os policiais foram avisar o padre para que esse deixasse a igreja. Ele fincou pé e disse: "Deus não há de me faltar."
Quando a água chegou às portas da igreja, os bombeiros, já usando um barco, foram buscar o padre. Ele se recusou a abandonar a igreja e disse: "Deus não há de me faltar."

Quando a água atingiu a torre mais alta, e o prefeito veio de helicóptero tentar convencer o padre a abandonar a igreja, o padre respondeu: "Deus não há de me faltar !!!"


Obviamente o padre morreu afogado.

Ao chegar no céu, ele foi ter com Deus, e já chegou cobrando: "Mas meu Senhor... Como pudestes fazer isso comigo. Me faltastes quando eu mais te precisava." E Deus, visivelmente irritado, respondeu: "Mas meu filho... Te mandei policial, barco, bombeiro, helicóptero e prefeito, e mesmo assim você não seu salvou ?!?"

E eu pensando que o Deus dela tinha dado uma ajudinha pra ela conseguir um emprego bom e poder pagar tudo que seu filho precisa, ela vai e dar dinheiro pra Igreja...

Contudo, não me venham com preconceitos, o catolicismo não é a única religião com argumentos fáceis. Houve um tempo em que o espiritismo me chamou atenção, pois conheci pessoas muito boas e espíritas. E foi só procurar um pouquinho de informações para desistir da idéia. Olha como é fácil, tudo o que vives agora é o que mereces por tua atuação na vida passada: se você tem problemas, é castigo por ter sido ruim, e assim por diante.

Entretanto, como a esperança é a última que morre (um dos pouco ditados que tem um pouco de lógica), organizações como a Católicas pelo Direito de Decidir me dão um pouco de alento ao ver de que religião não signica, necessariamente, alienação ou retrocesso.

Afinal, eu não tenho religiões (sou laica, como diria deus Luiz) mas acredito que exista um Deus, ainda que eu seja da opinião que ele é muito mais parecido com o Deus escrito por Eduardo Galeano no Livro dos Abraços:

Errata: onde o Antigo Testamento diz o que diz, deve dizer aquilo que provavelmente seu principal protagonista me confessou:
Pena que Adão fosse tão burro. Pena que Eva fosse tão surda. E pena que eu não soube me fazer entender. Adão e Eva eram os primeiros seres humanos que nasciam da minha mão, e reconheço que tinham certos defeitos de estrutura, construção e acabamento. Eles não estavam preparados para escutar, nem para pensar. E eu... bem, eu talvez não estivesse preparado para falar. Antes de Adão e Eva, nunca tinha falado com ninguém. Eu tinha pronunciado belas frases, como “Faça-se a luz”, mas sempre na solidão. E foi assim que, naquela tarde, quando encontrei Adão e Eva na hora da brisa, não fui muito eloqüente. Não tinha prática.
A primeira coisa que senti foi assombro. Eles acabavam de roubar a fruta da árvore proibida, no centro do Paraíso. Adão tinha posto cara de general que acaba de entregar a espada e Eva olhava para o chão, como se contasse formigas. Mas os dois estavam incrivelmente jovens e belos e radiantes. Me surpreenderam. Eu os tinha feito; mas não sabia que o barro podia ser tão luminoso.
Depois, reconheço, senti inveja. Como ninguém pode me dar ordens, ignoro a dignidade da desobediência. Tampouco posso conhecer a ousadia do amor, que exige dois. Em em homenagem ao princípio de autoridade, contive a vontade de cumprimentá-los por terem-se feito subitamente sábios em paixões humanas.
Então, vieram os equívocos. Eles entenderam queda onde falei vôo. Acharam que um pecado merece castigo se for original. Eu disse que quem desama peca: entenderam que quem ama peca. Onde anunciei pradaria em festa, entenderam vale de lágrimas. Eu disse que a dor era o sal que dava gosto à aventura humana: entenderam que eu os estava condenando, ao outorgar-lhes a glória de serem mortais e loucos. Entenderam tudo ao contrário. E acreditaram.
Ultimamente ando com problemas de insônia. Há alguns milênios custo a dormir. E gosto de dormir, gosto muito, porque quando durmo, sonho. Então me transformo em amante ou amanta, me queimo no fogo fugaz dos amores de passagem, sou palhaço, pescador de alto mar ou cigana adivinhadora da sorte; da árvore proibida devoro até as folhas e bebo e danço até rodar pelo chão...
Quando acordo, estou sozinho. Não tenho com quem brincar, porque os anjos me levam tão a sério, nem tenho a quem desejar. Estou condenado a me desejar. De estrela em estrela ando vagando, aborrecendo-me no universo vazio. Sinto-me muito cansado, me sinto muito sozinho. Eu estou sozinho, eu sou sozinho, sozinho pelo resto da eternidade.

Ah, e eu não postei antes porque o Santo da Piedade dos Blogueiros Preguiçosos e Cheios de Coisas Pra Fazer me avisou que não seria uma boa ideís postar lá pelo meio de março. Não discutam comigo, é a minha fé!

Beijos amados de um Okapi mais leve depois do desabafo way of life.

PS: Post pro Ornie e pro Petit, que são um pouco do pouco de Kiss que há em mim.

domingo, 22 de março de 2009

O tesouro de Willy Caolho

"I will never betray my goon dock friends
We will stick together until the whole world ends
Through heaven and hell, and nuclear war
Good pals like us, will stick like tar
In the city, or the country, or the forest, or the boonies
I am proudly declared a fellow Goony."

Vocês certamente não se lembram desse solene juramento. Mas tenho certeza que aqueles que tem a minha idade ou mais vão se lembrar de um dos filmes mais marcantes da nossa infância: Os Goonies. O juramento foi excluído do filme, mas se não fosse, teria sido repetido por milhares de crianças depois de assistir o magnífico filme de 1985.







Graças aos relançamentos em DVD, tive outro dia uma noite nostálgica com os três De Volta Para o Futuro e Os Goonies. Eu não me lembrava de tudo que se passava no filme, mas lembrava que era bom. Admito que tive medo de me decepcionar, mas isso não foi nem um pouco o que aconteceu. Estou num momento de obsessão. Não só por Goonies, mas, por causa deles, também por Cyndi Lauper. O vídeo de The Goonies R Good Enough vale a pena ser assistido. Se não por qualquer outra coisa, pela participação "incrível" de Steven Spielberg.





Os anos 80 são uma das minhas décadas preferidas que eu não vivi (mesmo porque eu só vivi a de 90 e esses anos iniciais do século XXI...). Por mais que tudo pareça sintético, a música era divertida, as pessoas se vestiam como queriam e os filmes tinham aquela cara de baixo orçamento, que era compensada com a história mara. Não que os anos 90 não tenham sido legais, mas os 80's têm um charme ao qual eu não resisto. Por mais brega que eles normalmente possam parecer.

Não, eu não gosto de mullets. Eu não uso saias de tule (o tempo todo). E meu cabelo não tem cor de algodão doce. Acho que minha fascinação é inexplicável.

Mas, voltando aos Goonies, uma das minhas lembranças mais vivas relacionadas ao filme (depois do "Sloth gosta de chocolate") não está no filme. O jogo de videogame dos Goonies, com a trilha da Cyndi Lauper em midi, marcou minha infância, e acredito que a de muitos de vocês também. Existe uma edição de 20º aniversário para computador. É só baixar e jogar.




Esse post foi para marcar minha volta ao GdH e para lembrá-los das coisas boas que passaram e que ainda estão aí, graças à tecnologia. Meus filhos assistirão Os Goonies. Espero ainda achar em DVD ou conseguir baixar outro filme que me marcou muito, Pagemaster: O mestre da fantasia, gentilmente doado a mim em formato VHS pela Poka. Lamento não possuir um videocassete, mas assim que conseguir esse filme em formato assistível, forçarei toda a gangue a fazê-lo. Não são muitas pessoas que lembram de Pagemaster... trauma da minha infâancia... junto com Patrine, que ninguém lembra também.

Bem, volto semana que vem com mais um post que, com alguma sorte, será mais informativo que este. :) Beijinhos.